'Sons de Fortal': álbum reúne faixas inéditas de artistas da cena musical cearense

Coletânea é o primeiro lançamento do selo Iracema Sounds, do Centro Cultural Belchior, e reúne material produzido durante a primeira edição do projeto 'O Sonho e o Som'.

Escrito por
Ana Beatriz Caldas beatriz.caldas@svm.com.br
(Atualizado às 12:34)
Capa do álbum 'Sons de Fortal - O Fino da Cidade'.
Legenda: Capa do álbum 'Sons de Fortal - O Fino da Cidade'.
Foto: Divulgação.

Com canções inéditas que exploram diversos ritmos, como rap, R&B, soul e pagode, a coletânea “Sons de Fortal – O Fino da Cidade” será lançada na próxima sexta-feira (9), nas principais plataformas de áudio.

Amostra importante da cena musical contemporânea da capital cearense, o álbum é resultado da primeira edição do projeto “O Sonho e o Som”, iniciativa do Centro Cultural Belchior (CCBel) que visa profissionalizar a produção musical independente em Fortaleza.

A imersão criativa ocorreu nos últimos quatro meses e incluiu consultorias de gestão de carreira e comunicação, oficina com uma distribuidora de música e acompanhamento de todas as etapas da produção musical – gravação, edição, mixagem e masterização. 

Dez artistas cearenses participaram da iniciativa e integram a coletânea: Ayla Lemos, B4tut4, Caiô, Dipas, Joana Lima, Mateus Honori, Mumutante, Otto Nascimentu, ROSABEATZ e Zabeli

A produção do disco é de Daniel Ganjaman, conhecido pelo trabalho com grandes artistas da cena nacional, como Planet Hemp, Sabotage e BaianaSystem, e Marcus Au Coelho, renomado compositor, arranjador e multi-instrumentista cearense. 

Para a diretora do CCBel, o álbum reflete a criatividade, a pluralidade e o ecossistema colaborativo que formam a cena musical de Fortaleza, mas sem se desconectar da produção musical que tem sido feita no País.

“Acho que esse álbum – do rap, do R&B, do soul, do pagode – reflete essas diversas criações feitas na cidade,  que existem nessa cena. E esses dez estão conectados com outros artistas dessa cena diversa, plural, que muitas das vezes precisam de uma oportunidade para lançar seu álbum, para lançar sua música”, aponta.

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A seleção dos artistas foi feita a partir de uma convocatória pública, lançada no fim de julho do ano passado. Ao todo, 107 nomes cearenses se inscreveram, e 20 foram selecionados para a entrevista, etapa que definiu os dez candidatos aprovados. Para participar, era necessário já ter experiência e músicas pré-prontas, já que o intuito era produzi-las, e não criá-las do zero.

A escolha dos selecionados foi feita por uma banca de especialistas com profissionais da Escola Pública de Música da Vila das Artes, do próprio Centro Cultural Belchior e do Fórum de Música de Fortaleza. 

Segundo Fernanda Matias, o grande número de inscritos demonstra fomentar a produção musical em Fortaleza. “A gente tem alguns equipamentos de difusão, alguns equipamentos de formação que pensam não só a formação voltada para técnica e instrumento, mas também laboratório de pesquisa e de criação”, pontua.

“Mas do ponto de vista de produção musical, de qualificar um produto musical, de oferecer uma tecnologia – porque o estúdio público é uma tecnologia –, a gente viu que as políticas públicas têm um desafio”, completa.

Projeto ofertou consultorias e oficinas com profissionais como Ciça Pereira, fundadora da Zeferina Produções.
Legenda: Projeto ofertou consultorias e oficinas com nomes como Ciça Pereira, fundadora da Zeferina Produções.
Foto: Divulgação.

Fernanda destaca que, apesar de a capital cearense ter uma produção musical independente forte, com artistas desenvolvendo suas músicas em home studios e parcerias com produtores, é importante haver investimento público para possibilitar a profissionalização desse processo de ponta a ponta, da gravação à distribuição e comunicação dos lançamentos.

“Esse projeto busca qualificar e profissionalizar a cena musical de Fortaleza, sobretudo os produtos. A gente tem artistas incríveis, que já vêm produzindo, mas às vezes a galera tem dificuldade de gravar o seu som, seja por questão de organização ou por questão financeira, porque gravar não é tão barato assim”, conclui a gestora.

‘Iracema Sounds’: selo público recém-criado deve contemplar outros projetos

O investimento para a execução da primeira edição do projeto – com exceção da realização do show de lançamento, que acontecerá no próximo dia 10 – foi de cerca de R$ 250 mil e contou com recursos já previstos para a área da música no contrato de gestão do Instituto Cultural Iracema, que gere o CCBel, com a Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor). 

A previsão do orçamento que será destinado ao projeto em 2026 ainda não está definida, mas Fernanda Matias aponta que “O Sonho e o Som” deve ter edições anuais, com execução do cronograma de seleção, consultorias e gravações no segundo semestre. 

Atividades ocorreram no CCBel, na Praia de Iracema.
Legenda: Atividades ocorreram no CCBel, na Praia de Iracema.
Foto: Divulgação.

Outra iniciativa que deve ter continuidade é o selo Iracema Sounds, criado pelo Centro Cultural Belchior como parte do projeto “O Sonho e o Som”, mas que não deve se restringir a ele nos próximos anos. 

“O selo tem essa proposta de fazer lançamentos e de pensar estratégias de comunicação e de lançamento de música e de artistas”, destaca Fernanda, que afirma que o CCBel está aberto a parcerias para ampliar a atuação do projeto. 

“A gente viu que tem uma oportunidade. A gente já pensava nisso, mas a gente não tinha concretude. Agora, nós temos uma concretude que é importante a política pública investir nisso”, conclui.

Além do álbum, projeto resultou em outras 20 faixas inéditas

Pensadas para um produto completo, as dez faixas selecionadas para a coletânea “Sons de Fortal” contemplam apenas parte da produção dos artistas que participaram do projeto do CCBel. 

Além da música que integra o disco, cada integrante da iniciativa gravou outras duas músicas inéditas, que devem ser lançadas futuramente, como singles, em EPs ou álbuns, conforme as estratégias profissionais de cada artista.

“Tanto é importante para a gente ter um produto coletivo como para os artistas é importante ter o seu produto para desenvolver a sua carreira”, ressalta Fernanda Matias. 

Izabele Rocha, a Zabeli, tem 28 anos e atua na música há quase 10.
Legenda: Izabele Rocha, a Zabeli, tem 28 anos e atua na música há quase 10.
Foto: 1520 Produtora/Divulgação.

Para a rapper e poeta Zabeli, por exemplo, as faixas devem integrar o primeiro EP de sua carreira, previsto para junho deste ano. A jovem de 28 anos, que integra a coletânea com a faixa “Caos”, se dedica à cena do hip-hop em Fortaleza há quase uma década, mas considera a experiência na imersão do CCBel “um divisor de águas”.

“O projeto me trouxe pertencimento, profissionalização e confiança. Me senti verdadeiramente vista como artista, com acesso a estúdio, orientação e troca com outras pessoas que também vivem a música, com pessoas dedicadas a fazer acontecer da melhor forma”, ressalta. “Mais do que uma gravação, foi a confirmação de que o sonho é possível”.

Zabeli durante gravação das faixas.
Legenda: Zabeli durante gravação das faixas.
Foto: Divulgação.

A artista, que já cantava “Caos” ao vivo, conta que aguarda com grande expectativa a possibilidade de apresentá-la novamente, repaginada, no show de lançamento do disco.

“Vai ser uma experiência nova, porque normalmente me apresento com DJ e o show vai ter banda. Isso dá uma atmosfera diferente”, explica. “Mas estou confiante, está tudo muito lindo”, celebra.

Caio da Silva Batista, 33, o Caiô, deve lançar o primeiro álbum solo em 2026.
Legenda: Caio da Silva Batista, 33, o Caiô, deve lançar o primeiro álbum solo em 2026.
Foto: 1520 Produtora/Divulgação.

Reconhecido na cena cearense pela carreira solo e por projetos como Groovytown e Outragalera, o músico Caiô – que apresenta a faixa “Black Bonnye e Clayde” na coletânea – também almeja incluir as demais faixas que gravou em seu primeiro álbum solo, que deve ser lançado ainda este ano. 

Artista em atuação desde 2007, ele conta que trabalha no material “há longos anos, aos poucos”, e agora tem conseguido concretizar a experiência “de maneira mais direta, no estúdio”.

Músico Caiô foi um dos selecionados para a imersão criativa.
Legenda: Músico Caiô foi um dos selecionados para a imersão criativa.
Foto: Divulgação.

“O projeto foi muito importante para a gente que trabalha com a música independente poder subsidiar, poder fomentar esse trabalho, se pagando, pagando as horas de estúdio, pagando os músicos, a estrutura”, ressalta.

Assim como “Black Bonnie e Clayde”, as músicas “Paranoia” e “Punk Rock Negro” contaram com a produção de Daniel Ganjaman, que Caiô destaca como uma pessoa fundamental para a música que o influencia e para a música brasileira contemporânea.

“O trabalho que ele fez me moldou bastante, me fundou bastante, me fundamentou bastante”, destaca. “Em ‘Paranoia’, ainda tem esse brilho: o Ganjaman tocando teclado lá do mesmo jeito que ele toca no Planet Hemp, do mesmo jeito que ele tocou em projetos que a gente ama”, comemora.

Confira a tracklist de "Sons de Fortal - O Fino da Cidade":

1. “Maré” (Mumutante)
2. “Black Bonnye e Clayde” (Caiô)
3. “Corpo Nu” (Otto Nascimentu)
4. “Luar” (Mateus Honori)
5. “Molotov” (B4tut4)
6. “São Sebastião” (Ayla Lemos)
7. “Boboquei” (Dipas part. Mateus Farias)
8. “É Tudo Sobre Você” (Joana Lima)
9. “Caos” (Zabeli)
10. “Sou O Que Sou (SOQS)” (ROSABEATZ)

Serviço
Lançamento do álbum "Sons de Fortal - O Fino da Cidade"

Quando: Sexta-feira, 9 de janeiro
Onde: Principais plataformas de streaming
Mais informações: @centroculturalbelchior 

Show "Sons de Fortal - O Fino da Cidade"
Quando: Sábado, 10 de janeiro
Horário: 17h
Onde: Anfiteatro da Beira Mar (Av. Beira Mar, 3620 - Meireles)
Acesso gratuito

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