'O Agente Secreto' não usou recursos da Lei Rouanet; entenda como o longa foi financiado
Longa fez história no Globo de Ouro na noite de domingo (11).
As vitórias de "O Agente Secreto" e de Wagner Moura na edição de 2026 do Globo de Ouro reacenderam nas redes sociais um debate antigo, e novamente marcado por desinformação: o uso da Lei Rouanet no cinema brasileiro.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme venceu na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa na cerimônia realizada neste domingo (11), nos Estados Unidos. Já Wagner Moura levou o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama, ampliando a repercussão internacional da produção.
Ao contrário do que passou a circular nas redes, "O Agente Secreto" não recebeu recursos da Lei Rouanet. A legislação, voltada ao incentivo cultural, pode contemplar produções audiovisuais de curta e média-metragem, mas não se aplica a longas-metragens.
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Investimento público e política audiovisual
Segundo o Ministério da Cultura, a realização de "O Agente Secreto" contou com R$ 7,5 milhões em investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), além de R$ 750 mil destinados à etapa de comercialização.
O FSA é hoje o principal mecanismo de fomento ao audiovisual no Brasil, financiando desde o desenvolvimento de projetos até a produção, distribuição, exibição e modernização de salas de cinema.
Desempenho nas salas de cinema
Além do reconhecimento internacional, o longa também se destacou no circuito exibidor nacional. Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que o filme já ultrapassou a marca de 1 milhão de espectadores (1.098.431) e arrecadou mais de R$ 25 milhões em bilheteria, considerando o período entre a 52ª semana cinematográfica de 2025 e a 1ª semana de 2026.
O título também entrou para a história ao se tornar o primeiro filme produzido fora do eixo Sul-Sudeste a alcançar 1 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros.
Em 2025, o cinema nacional exibiu 368 produções, que somaram 11,11 milhões de espectadores e R$ 214,97 milhões em renda. O market share do audiovisual brasileiro fechou o ano em 9,9%, reforçando a relevância do setor no mercado exibidor.