Com ‘O Agente Secreto’, Brasil tem 6ª indicação a Oscar de Melhor Filme Internacional; relembre
Primeira indicação brasileira na categoria ocorreu em 1963.
Para além das indicações mais recentes e, portanto, mais lembradas – a de “O Agente Secreto”, anunciada nesta quinta-feira (22), e de “Ainda Estou Aqui”, em 2025 – o Brasil tem histórico significativo de indicações à categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar. Foram seis no total, e em diferentes épocas do cinema nacional.
O Verso fez um apanhado dessas produções e que história elas contam. Os trabalhos reúnem nomes consagrados na sétima arte, e destacam o talento brasileiro no modo de fazer cinema.
Além disso, personalidades conhecidas do grande público, a exemplo de Fernanda Montenegro, Selton Mello, Glória Menezes, Glória Pires, entre outros, dão rosto a personagens icônicos, responsáveis por projetar o Brasil no mundo.
Confira a lista com os filmes brasileiros indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional:
“O Pagador de Promessas” (1963)
Dirigido por Anselmo Duarte, conta a história de Zé do Burro (Leonardo Villar) e a mulher dele, Rosa (Glória Menezes). O casal vive em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal.
Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade do próprio sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira.
“O Quatrilho” (1996)
Neste longa de Fabio Barreto ambientado no Rio Grande do Sul de 1910, uma comunidade rural composta por imigrantes italianos é habitada por dois casais muito amigos. Eles se unem para conseguir sobreviver e decidem morar na mesma casa.
O tempo, porém, faz com que a esposa (Patrícia Pillar) de um (Alexandre Paternost) se interesse pelo marido (Bruno Campos) da outra (Glória Pires), sendo correspondida.
Com o passar dos meses, os dois amantes decidem fugir e recomeçar outra vida, deixando para trás os antigos parceiros, que viverão uma experiência dramática e constrangedora.
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“O que é isso, companheiro?” (1998)
Elenco estelar nesta produção de Bruno Barreto. Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Selton Mello e Pedro Cardoso são alguns dos nomes a viver uma trama na qual o jornalista Fernando (Pedro Cardoso) e o amigo César (Selton Mello) abraçam a luta armada contra a ditadura militar no final da década de 19 60.
Os dois alistam num grupo guerrilheiro de esquerda. Em uma das ações do grupo militante, César é ferido e capturado pelos militares. Fernando, então, planeja o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick (Alan Arkin), para negociar a liberdade de César e de outros companheiros presos.
"Central do Brasil” (1999)
Um dos filmes mais emocionantes do cinema nacional, “Central do Brasil” traz Dora (Fernanda Montenegro), ex-professora que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação homônima ao longa, no centro do Rio de Janeiro.
Ainda que a escrivã não envie todas as cartas, ela decide ajudar um menino (Vinícius de Oliveira), cuja mãe dele foi atropelada.
O garoto tenta encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste. Dirigido por Walter Salles, o longa foi amplamente premiado à época e catapultou o país a um cenário de ainda maior prestígio na sétima arte mundial.
“Ainda Estou Aqui” (2025)
Walter Salles repetiu o feito no ano passado ao ter um filme sob direção dele indicado a Melhor Filme Internacional. Com Fernanda Torres como protagonista, a obra é ambientada em 1970 e retrata como a vida de uma mulher casada com um importante político muda drasticamente após o desaparecimento dele, capturado pelo regime militar.
Forçada a abandonar a rotina de dona de casa, Eunice (Fernanda Torres/Fernanda Montenegro) se transforma em uma ativista dos direitos humanos, lutando pela verdade sobre o paradeiro do marido e enfrentando as consequências brutais da repressão.
‘O Agente Secreto’ no Oscar 2026
Dirigida por Kleber Mendonça Filho, a produção recebeu quatro indicações ao Oscar nesta quinta-feira (22), incluindo as principais categorias da premiação, a exemplo de Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura.
Ao todo, o longa de Kleber Mendonça Filho concorre nas categorias: Melhor Direção de Elenco; Melhor Filme Internacional; Melhor Ator, para Wagner Moura; e Melhor Filme.
O número recorde empata a produção com “Cidade de Deus” – até então o filme brasileiro com mais indicações ao Oscar.