Projeto do Arco Metropolitano será reformulado; entenda o que muda na nova proposta
Secretário de Infraestrutura do Ceará deu detalhes sobre futura rodovia no entorno da Região Metropolitana de Fortaleza
O projeto do Arco Metropolitano de Fortaleza será refeito antes de ser reapresentado ao Governo do Ceará. Contudo, ainda não há informações definidas sobre aspectos como pedágios e volume de investimentos. Essa reformulação é mais uma tentativa de viabilizar a proposta, em discussão desde 2009.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, o secretário da Infraestrutura do Estado (Seinfra), Hélio Winston Leitão, afirmou que o futuro do Arco Metropolitana segue incerto.
"Estou avaliando com nossos técnicos para levar ao governador, para que ele decida. Não há nada certo ainda sobre se o Arco Metropolitano sairá e quando sairá, porque pretendo ainda ter essa conversa com o governador, que não tive até agora, pois quero levar algo mais atual para ele", disse o secretário.
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Novo projeto deve considerar hub de H₂V e data centers
Até o momento, sabe-se que a nova proposta deverá levar em conta as transformações geradas pelas novas atividades econômicas da região. Um dos pontos de atenção é que, na primeira previsão, o Arco Metropolitano seria em pista simples entre a BR-116 e a BR-222.
O restante do percurso seguiria pela já existente CE-155, atualmente duplicada, com 21 km de extensão. Essa foi uma das críticas dos setores econômicos, justamente pelo fato de se construir uma rodovia em pista simples, enquanto a maioria das estradas no entorno da Região Metropolitana de Fortaleza já está duplicada.
O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), que está em vias de se tornar um hub de hidrogênio verde e conta com data centers na região da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), é outro ponto destacado por Hélio Winston, que frisa a questão como um dos motivos para atualizar o projeto do Arco Metropolitano.
"Temos uma área do Arco Metropolitano que vai para o Pecém, e precisamos trazer mais alguns dados. Aquela área, nos próximos cinco anos, pode ter um impulsionamento muito grande com as empresas de hidrogênio verde e data center", pondera.
"Tudo está sendo avaliado. Não tenho como antecipar agora nenhum dado, porque é muito cedo, já que estamos trazendo para a atualidade e de acordo com o que a gente vai ter nos próximos cinco ou dez anos para o Ceará, principalmente para aquela região do Pecém", acrescenta o secretário.
Como era o último projeto do Arco Metropolitano de Fortaleza
O último projeto disponibilizado do Arco Metropolitano previa uma rodovia de 108 quilômetros (km) de extensão. O trajeto iniciaria na BR-116, entre as cidades de Chorozinho e Pacajus.
Eram previstas interligações com as CEs 253, 060, 065 e 455, e com as BRs 020 e 222, até chegar à CE-155, que dá acesso diretamente ao Porto do Pecém.
Em novembro de 2023, durante apresentação do projeto de concessão pela própria Seinfra para representantes do setor produtivo cearense, a estimativa era de que as obras do Arco Metropolitano durassem dois anos, com investimento total de R$ 1,26 bilhão.
Diferentemente de demais rodovias do Estado, a nova via seria administrada pela iniciativa privada, com cobrança de pedágio em determinados trechos.
Seria, ainda, a retomada de uma rodovia pedagiada no Ceará, após a extinção do pedágio da Barra do Ceará, nos limites entre Fortaleza e Caucaia, ocorrida em 2013.
Arco Metropolitano é um projeto antigo no Ceará
Em 2009, já se falava na construção de uma alternativa para o tráfego e escoamento de produção. O projeto recebia, então, o nome de Arco Metropolitano. Em maio de 2013, o licenciamento ambiental da rodovia estava pendente, mas não houve avanços. Várias mudanças no projeto já foram feitas, sem perspectiva de conclusão.
Pelos entraves para a execução das obras, Hélio Winston reforça que é um projeto que "precisa ter sempre dados atualizados", principalmente pelas mudanças de infraestrutura e de economia na região diretamente impactada pela rodovia.
"É um processo que já vem tramitando na dentro da Seinfra. Conversei já com o governador. Esse projeto foi concebido antes da pandemia, depois houve um ajuste", define.
A estrada é um novo segmento rodoviário, com a obra "partindo do zero" e ligando a BR-116 ao Porto do Pecém, servindo como uma espécie de "5º Anel Viário". A diferença era de que o trajeto não passaria por áreas urbanas dos municípios.