Fortaleza tem 11 superprédios em construção; 5 serão entregues em 2026
Capital vive processo intenso de verticalização.
A verticalização de Fortaleza tem chegado a patamares cada vez maiores. A cidade deve chegar a 22 prédios com mais de 100 metros de altura até 2030.
Atualmente, a Capital tem 11 superprédios em construção. Desses, cinco devem ser entregues ainda este ano, conforme levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) a pedido do Diário do Nordeste.
Os próximos superprédios a serem inaugurados em Fortaleza estão na região da Beira-Mar e nos bairros Mucuripe e Varjota. Os edifícios têm dezenas de andares, com cada apartamento avaliado em até R$ 20 milhões.
Veja a lista de superprédios construídos e em lançamento em Fortaleza:
Os empreendimentos de luxo e superluxo buscam unir sofisticação e experiência "premium" de moradia. Entre as comodidades estão personalização do projeto interno, elevador com hall individual, rooftops panorâmicos e espaços de convivência sofisticados.
ALTA CONCENTRAÇÃO DE RENDA
O boom de superprédios em Fortaleza é impacto da extrema concentração de renda da Capital e da chegada de investidores estrangeiros, analisa o economista especialista em mercado imobiliário Mário Monteiro.
“É um fenômeno típico da distribuição de renda do Ceará, que é muito concentrada. Existem várias alternativas, tanto de ser patrimônio de pessoas de fora trazendo para o Ceará, como uma proteção patrimonial de moradores. O turismo também atrai”, explica.
O especialista aponta que o mercado da construção civil é eficiente em aproveitar os períodos de alta demanda para capitalizar. Não é possível afirmar, na visão de Mário Monteiro, que Fortaleza se tornou um hub para superprédios.
“Vejo isso como algo pontual. É um fator externo que acontece independentemente de a economia cearense estar boa ou má, crescendo ou diminuindo. É positivo para o setor, mas não obedece tanto ao ciclo das economias”, avalia.
O desenvolvimento do mercado imobiliário de luxo também aquece atividades complementares focadas nos moradores de alta renda, lembra Ricardo Coimbra, economista do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon).
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“Essas construções promovem a modernização e a transformação do ambiente urbano, notadamente na Avenida Beira Mar. Esse desenvolvimento fomenta, por sua vez, atividades complementares, como restaurantes, supermercados, farmácias e opções de entretenimento”, disse.
INTENSA VERTICALIZAÇÃO EXIGE CAUTELA
O ciclo intenso de verticalização em Fortaleza reflete a confiança do mercado imobiliário, mas exige cautela, pondera Lucas Moraes, coordenador de Engenharia Civil da faculdade INBEC.
“Para além do aspecto mercadológico, a verticalização impõe desafios significativos à infraestrutura e ao meio ambiente urbano. A concentração de edifícios muito altos intensifica a demanda por mobilidade, saneamento, energia e drenagem”, comenta.
Caso ocorra sem planejamento urbano integrado, o fenômeno pode gerar sobrecarga viária, ilhas de calor, sombreamento excessivo e alterações na circulação dos ventos.
Experiências como a de Balneário Camboriú demonstram que o crescimento em altura, quando não acompanhado de planejamento adequado, pode pressionar serviços públicos e elevar custos urbano.