Venda de imóveis de luxo e econômicos faz número de corretores mais que dobrar no Ceará
Área tem atraído recém-ingressos no mercado de trabalho e profissionais em transição de carreira.
O recorde de vendas no mercado imobiliário da Região Metropolitana de Fortaleza tem reflexos na cadeia da construção civil. Uma das áreas impactadas é o setor de corretagem, que tem se desenvolvido nos últimos anos no Ceará.
O número de novos corretores no Ceará cresceu mais de 176% em seis anos, segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci).
Em 2020, o Ceará ganhou 761 profissionais ativos no setor. Já em 2025, foram mais de 2 mil novos corretores. Houve crescimento tanto em profissionais que montam a própria empresa, como em corretores que atuam individualmente, como pessoa física.
São 16.283 corretores ativos em todo o território cearense.
O segmento que mais atrai profissionais é o de venda de imóveis, bem à frente dos corretores voltados para aluguel ou avaliação de imóveis, comenta Sebastião Moraes, segundo diretor-secretário do Creci Ceará.
Há uma grande concorrência no ramo de moradias econômicas, principalmente com o crescimento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
“Existe um grande mercado trabalhando nesse setor, que aí vai por volume. A pessoa tem que vender muitas unidades para ganhar mais, existe a questão do crédito, que muitas vezes não é aprovado”, explica.
Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), em 2025, o mercado imobiliário movimentou R$ 8,8 bilhões. Fortaleza concentrou as vendas, principalmente, em imóveis de luxo e econômicos.
MERCADO DE LUXO SE TORNA CADA VEZ MAIS COMPETITIVO
Outro mercado competitivo é o de corretagem de imóveis de luxo, que exige maior conhecimento de mercado e experiência. “Não tem mercado fácil. O corretor que vai se destacar é aquele que tem condições de fazer um bom trabalho de captação de clientes, de imóveis”, aponta Sebastião Moraes.
O crescimento do mercado tem estimulado os profissionais a se especializarem cada vez mais, avalia Mozart Farias, corretor focado em imóveis de alto padrão.
“O comprador está mais informado, compara muito, pesquisa, pede prova, quer segurança e isso abre espaço para quem trabalha com método, dados e presença digital consistente”, avalia.
Como comprar um imóvel se tornou mais rápido, o corretor também tem o desafio de acelerar o processo de triagem e investir em tecnologias, como drones e inteligência artificial.
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“O que me puxou de vez foi perceber que imóvel não é só 'venda': é projeto de vida para famílias e estratégia patrimonial para investidores. Me especializei para entregar clareza, padrão construtivo e timing de compra”, aponta.
DEMANDA POR JOVENS NO INÍCIO DA CARREIRA E PROFISSIONAIS EM TRANSIÇÃO
Com o mercado aquecido, também subiu exponencialmente a procura pelo curso de transações imobiliárias, formação necessária para se tornar corretor.
A Apoena, principal instituição dessa formação no Ceará, estima crescimento acumulado de 200% na procura pelo curso desde 2021.
“A expansão e profissionalização do mercado imobiliário, com clientes mais exigentes e compras mais técnicas, é um dos principais motivos de aumento da procura. Não podemos deixar de considerar também a busca por mobilidade de carreira e renda variável”, comenta Eduardo Dias, diretor-executivo da Apoena.
Ele aponta que muitos profissionais veem um caminho rápido na profissão para potencializar os ganhos, mas alerta que é preciso se dedicar aos conhecimentos técnicos e comerciais.
Nos últimos anos, a instituição tem recebido um perfil de alunos misto: jovens adultos, que buscam uma primeira profissão com alta possibilidade de crescimento, e profissionais em transição, muitas vezes vindo de comércio, atendimento e áreas autônomas.
“Recebemos muitos advogados, engenheiros e administradores que enxergam no mercado imobiliário uma oportunidade estratégica de ampliar renda, diversificar atuação ou empreender paralelamente à profissão principal”, aponta.
Mesmo com o atual desempenho do mercado imobiliário cearense, os novos profissionais devem estar preparados para períodos de baixa nas vendas, pondera Sebastião Moraes, executivo do Creci Ceará.
Tem que saber que é atravessar esses momentos. Pegar a maré boa, guardar um pouco do que ganha. Essa é a gangorra do mercado imobiliário.