Pecém: PGE pode julgar nesta semana licitação atrasada

Dois consórcios com empresas nacionais e estrangeiras estão concorrendo. Em 2024, o valor desse certame era de R$ 675 milhões

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: A licitação das obras de ampliação do Porto do Pecém (foto) está atrasada em um ano, mas a expectativa é de que será julgada agora
Foto: Ismael Soares
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Uma fonte da Companhia do Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S/A) revelou ontem à coluna que o processe de licitação para as obras de ampliação do Porto do Pecém está praticamente concluído, mas qualquer decisão sobre a data do julgamento das propostas depende, unicamente, da Procuradoria-Geral do Estado, a PGE. 

Esse processo está atrasado em um ano. 

De acordo com a mesma fonte, dois consórcios – cada um dos quais constituído de uma empresa nacional e outra estrangeira – habilitaram-se para participar do processo licitatório. 

Há uma grande expectativa em torno dessa licitação, que, quando foi lançada em 2024, tinha valor de R$ 675 milhões financiados pelo Banco Mundial e pelo Climate Investment Fund e com recursos da própria Cipp S/A.  

A nova ampliação do Porto do Pecém prevê a construção de mais um quilômetro do molhe de proteção do Tmut, estendendo-o na direção Oeste, e de um novo berço (o de número 11) de atracação do próprio Tmut, que apoiará as operações de indústrias de produção do hidrogênio verde, além de melhorias nos píeres já existentes, tendo em vista a próxima chegada ao porto dos trilhos da Ferrovia Transnordestina. 

No dia 19 de fevereiro do ano passado, o Diário do Nordeste publicou matéria, assinada por Bruna Damasceno e Mariana Lemos, da qual esta coluna extraiu o seguinte parágrafo: 

“O processo de licitação irá analisar as propostas técnicas e financeiras das empresas, com pesos de 30% para a técnica e 70% para o preço. Para comprovar experiência técnica, as empresas devem apresentar dois contratos similares concluídos desde 2014. Também é preciso demonstrar expertise em design e construção em dois contratos com investimento mínimo de US$ 80 milhões.” 

Na mesma matéria, há outro parágrafo com uma declaração do presidente da CIPP S/A, Max Quntino, que é o seguinte:

"Em março (de 2024), o processo já deve retornar para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para fazer a homologação. Então, eu espero que em março já seja finalizado para iniciar essas obras o mais rápido possível”.

Estamos em março de 2026. A obra, se iniciada ainda neste ano, demorará até 40 meses para ficar pronta..

RICARDO CAVALCANTE NOMEADO PARA O CONSELHO DA SUDENE 

Presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante foi nomeado membro titular do Conselho Deliberativo (Condel) da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), representando a Confederação Nacional da Indústria. Para quem já foi presidente da Nordeste Forte, entidade que congrega todas as federações das indústrias nordestinas, esta é apenas mais uma missão que cumprirá o líder dos industriais cearenses, que é vice-presidente Executivo da CNI. 

A nomeação foi assinada pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e publicada na edição do Diário Oficial da União na última sexta-feira, 13. 

O presidente da Fiec acaba de comandar a realização, com absoluto e extraordinário êxito, da primeira Feira da Indústria Fiec 2026, que durou dois dias. Esta coluna pode adiantar que a de 2027 durará três dias, como a Pecnordeste, agora chamada de PecBrasil, cuja edição de 2026 será realizada nos dias 25, 26 e 27 de junho.  

BANCO CENTRAL BAIXARÁ OU NÃO A TAXA DE JUROS SELIC? 

Esta é a pergunta que se ouve hoje no mercado financeiro. Estava tudo combinado e até previamente anunciado em ata que, na quarta-feira, 18, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziria a taxa de juros Selic, que desde junho de 2025 se mantém no patamar de 15%. No meio do caminho, porém, Donald Trump, o instável presidente dos EUA, surpreendeu o mundo com a guerra contra o Irã, fazendo explodir não apenas bombas e drones, mas o preço internacional do petróleo, que saiu de US$ 66 por barril para até US$ 119, estando hoje em torno de US$ 103 por barril. 

Apostava-se, até duas semanas atrás, que Gabriel Galípolo e seu time do Banco Central reduziriam em 0,50 ponto percentual a taxa de juros, iniciando um ciclo de baixa prometido na ata da última reunião do Copom. Agora, diante da escalada da guerra e do preço do petróleo, que traz consigo a perspectiva de inflação no Brasil e no resto do mundo, o mercado já admite um corte bem conservador, de 0,25 ponto percentual. Mas há quem aposte na manutenção da taxa atual, o que teria negativa repercussão no governo do presidente Lula, que baixou Medida Provisória zerando de impostos federais o preço do óleo diesel, uma medida que tem tudo a ver com o seu projeto de reeleição. O prolongamento, ou não, da guerra dirá se essa medida foi acertada. 

Como o Brasil é um país exportador de petróleo (é o quinto maior produtor mundial), a alta do preço conta a favor da Petrobras e da balança comercial do país, mas, também, contra a importação de combustíveis (o Brasil importa gasolina e diesel porque as refinarias nacionais não dão conta da demanda). 

Afora os efeitos da guerra no Oriente Médio, há, ainda, a agitar a vida do brasileiro, o estado de saúde do presidente Bolsonaro, cujo quadro renal foi agravado, e o escândalo do Banco Master, que, tendo chegado incrivelmente ao Supremo Tribunal Federal, promete fortes emoções nesta semana.   

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