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Mansões de luxo no litoral do Ceará têm diárias de até R$ 20 mil; veja locais

O levantamento foi feito pelo Diário do Nordeste com base em anúncios da WhereInRio, imobiliária focada no mercado de luxo.

Escrito por
Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
Paisagem de praia tropical, vista aérea da vila de Jericoacoara.
Legenda: Jijoca de Jericoacoara puxa para cima os preços das estadias de luxo disponíveis para aluguel por temporada.
Foto: Pedro Magrod/Shutterstock.

Suítes amplas, piscina, spa, academia e rooftops privativos fazem parte da estrutura de imóveis de alto padrão para aluguel por temporada no litoral do Ceará. Em destinos como Jijoca de Jericoacoara, Icaraizinho de Amontada e Preá, há casas com diárias que podem chegar a R$ 20 mil em períodos de alta demanda.

O levantamento foi feito pelo Diário do Nordeste com base em anúncios da WhereInRio. Na plataforma da imobiliária, focada no mercado de luxo, ao menos 17 imóveis estão disponíveis em praias cearenses.

Há casas com mais de dez acomodações, suítes com vista para o mar, serviços de concierge e espaços equipados para que sejam incluídas experiências como chef de cozinha, atividades esportivas e cinema ao ar livre.

A análise identificou diárias que vão de R$ 3 mil a R$ 18,9 mil, com concentração nas faixas intermediárias. Um quarto dos imóveis tem diárias de até R$ 4,5 mil, enquanto a mediana — o valor central da amostra — é de R$ 7 mil por noite. Na outra ponta, os 25% mais caros superam R$ 10,9 mil.

Uma cidade puxa os preços para cima: Jijoca de Jericoacoara. A cerca de 260 km da Capital, o destino oferece praias de águas cristalinas, dunas e lagoas, com opções de ecoturismo e turismo de aventura, além de restaurantes, lojas e vida noturna. 

Ao todo, 7 dos 10 imóveis disponíveis na plataforma estão localizados em Jericoacoara. Considerando apenas esse grupo, os preços da diária variam de R$ 6,9 mil a R$ 18,9 mil, com mediana de R$ 10 mil — patamar acima do observado nos demais destinos.

Veja o que os imóveis mais caros oferecem aos hóspedes

Piscina retangular cercada por espreguiçadeiras e coqueiros, em área externa de casa de luxo com fachada de pedra e madeira.
Legenda: Casa em Jericoacoara.
Foto: Reprodução/WhereInRio.

1. Casa de luxo em Jericoacoara

Casa com 6 acomodações para até 12 pessoas, com cozinha e sala de estar abertas, sala de fitness e spa. A suíte master tem área total de 235 m², cama king-size, closet com escrivaninha, duas varandas privadas, rooftop e uma pequena piscina.

Diárias: a partir de R$ 18,9 mil.

Área externa de casa de praia ao entardecer, com piscina iluminada, varanda com sofás, rede entre árvores e vista para o mar.
Legenda: Casa em Jericoacoara.
Foto: Reprodução/WhereInRio.

2. Casa com vista panorâmica em Jericoacoara

A 250m da Praia Principal, a Villa Praia conta com 14 acomodações, piscina e bar. Entre as suítes de destaque, há cômodos com rooftop, varanda, mini piscina privativa e jacuzzi, além de haver quartos com vista para a Duna do Pôr do Sol.

Diárias: a partir de R$ 16,5 mil, podendo chegar a R$ 19,8 mil em períodos de alta temporada.

Casa térrea com varanda, rede e cadeiras, cercada por jardim e coqueiros em área de praia.
Legenda: Casa em Icaraizinho de Amontada.
Foto: Reprodução/WhereInRio.

3. Vila pé na areia em Icaraizinho de Amontada

A propriedade conta com 4 suítes, piscina, bar, parquinho para crianças, solário e áreas verdes.

Diárias: a partir de R$ 12 mil.

Fachada de uma casa ampla, de dois andares, com parede de pedra rústica e estruturas de madeira no exterior.
Legenda: Casa em Icaraizinho de Amontada.
Foto: Reprodução/WhereInRio.

4. Casa de pedra em Icaraizinho de Amontada

Com área total de 13 mil m2 e diferentes espaços entre a casa e bangalôs separados, o imóvel conta com deck, lounge de praia, churrasqueira, forno de pizza a lenha e cozinha industrial e outros atrativos. O hóspede pode acrescentar à estadia aulas de kitesurf e windsurf, chef de cozinha e massagem, entre outros serviços.

Diárias: a partir de R$ 11,5 mil.

Área externa de casa de praia com árvores, piscina iluminada, varanda e bar.
Legenda: Casa em São Gonçalo do Amarante.
Foto: Reprodução/WhereInRio.

5. Casa pé na areia na praia de Taíba, em São Gonçalo do Amarante

Com 9 mil m² e sete suítes, a propriedade tem espaço de lazer completo, com piscina, espaço gourmet com churrasqueira e forno de pizza, quadra de vôlei de praia e pista para caminhada.

Diárias: a partir de R$ 11,4 mil, podendo chegar a R$ 20 mil em períodos como Carnaval e Reveillon.

Escassez de oferta e disposição do turista para pagar mais

A oferta de diárias próximas a R$ 20 mil costuma refletir uma combinação de escassez de oferta realmente exclusiva com alta disposição dos clientes a pagar por localização, privacidade, vista, serviços agregados e experiência, observa Thiago Holanda, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

De acordo com ele, no litoral cearense, esse fenômeno ganha força em destinos com apelo internacional e forte sazonalidade, sobretudo na temporada de ventos, quando Jericoacoara, Preá e Icaraizinho de Amontada “entram no radar global do kitesurf e do turismo de natureza”.

“Esse preço também é favorecido por um ambiente turístico em expansão, já que o Ceará recebeu 1,7 milhão de visitantes no primeiro semestre de 2025 e movimentou R$ 6,6 bilhões, além de vir ampliando sua presença no segmento de luxo”, complementa.

Para o conselheiro, esse mercado mostra sinal de crescimento, mas ainda com forte concentração espacial e temporal. Isso porque o segmento parece mais robusto em poucos polos muito valorizados — como Jericoacoara, Preá e Icaraizinho de Amontada —, e em janelas específicas de demanda forte, especialmente entre agosto e janeiro.

Os indícios de consolidação existem, como crescimento do turismo cearense acima da média nacional, recorde de turistas internacionais, avanço do turismo esportivo e novos investimentos de alto padrão no litoral norte. Mas eu ainda trataria esse mercado como um nicho em expansão, não como um fenômeno massificado em todo o litoral do Ceará.
Thiago Holanda
Conselheiro do Corecon-CE

O perfil do hóspede de luxo no Ceará

Holanda avalia que a demanda por esse tipo de imóvel tende a ser majoritariamente de brasileiros de alta renda, mas aponta que a presença estrangeira tem sido crescente nos destinos mais internacionalizados.

Dados da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur) mostram que, no primeiro trimestre de 2025, o Ceará recebeu 910 mil turistas, dos quais 86 mil eram internacionais. Na alta estação 2025 para 2026, o conselheiro aponta que o fluxo nacional continuou sendo o principal motor do mercado.

“Ao mesmo tempo, o visitante estrangeiro que chega ao Ceará vem sobretudo de Argentina, Portugal, Chile, Estados Unidos e França, com viagem majoritariamente de lazer e forte presença de grupos de duas pessoas ou de quatro ou mais, um perfil bastante compatível com aluguel de casas e vilas premium”, acrescenta.

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Outros fatores que têm influência direta sobre esse nicho, conforme Holanda, são a renda e o câmbio, destacando que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra correlação positiva entre renda domiciliar e ocorrência de viagens.

“E o gasto médio com hospedagem sobe de R$ 877 entre domicílios com menos de meio salário mínimo per capita para R$ 2.360 entre os de qutaro salários mínimos ou mais, o que indica forte sensibilidade à renda no consumo turístico”, avalia.

Já o papel do câmbio é sobre a competitividade do destino para o turista estrangeiro. “A literatura empírica para o Brasil aponta efeito significativo da taxa de câmbio sobre a demanda turística internacional, e o avanço recente do fluxo estrangeiro para o Ceará reforça essa lógica econômica”, diz.

O aluguel por temporada de luxo tem impacto na hotelaria tradicional?

Apesar de o setor de aluguel por temporada, em geral, concorrer parcialmente com a hotelaria tradicional, Thiago Holanda avalia que, no segmento de luxo, esse mercado funciona mais como complemento do que como um “substituto perfeito”.

Como exemplo ele destaca que, no Fortal de 2025, 47% dos turistas ficaram na hotelaria formal e 27,31% em Airbnb, o que sinaliza uma convivência entre formatos, e a não eliminação de um pelo outro.

“Hotéis atendem muito bem quem valoriza serviço padronizado, estrutura completa e estadas mais curtas. Já casas e residências de alto padrão capturam grupos familiares, pequenos grupos de amigos e hóspedes que buscam exclusividade, cozinha, áreas privativas e permanência mais longa”, ressalta.

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