Urânio e fosfato de Itataia. Projeto pronto. Falta licença ambiental

Empreendimento reduzirá importações brasileiras de fertilizantes e dará autossuficiência em urânio ao Brasil

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: A usina de beneficiamento do fosfato da mina de Itataia reduzirá as importações brasileiras de fertilizantes
Foto: Reprodução do EIA/Rima
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Presidente da empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), o cearense Thomaz de Paula Pessoa Filho disse ontem, segunda-feira, 11, para um grupo de 15 empresários da agropecuária do Ceará que o projeto de extração e beneficiamento do fosfato e do urânio de Itataia, em Santa Quitéria, está pronto para ser implantado, aguardando apenas a licença ambiental. 

Ele acrescentou que o empreendimento iniciará suas operações em 2030. 

De acordo com Thomaz de Paula Pessoa Filho, todas as dúvidas técnicas em torno do Relatório e do Estudo de Impacto ao Meio Ambiente (Rima e Eia Rima) já foram já foram resolvidas, razão pela qual – disse ele – o que falta agora é somente a licença de instalação para o início da exploração da jazida e das obras de instalação da unidade industrial que fará o beneficiamento do fosfato.  

De acordo com os empresários Tom Prado e Jorge Parente, que saudaram o palestrante, a fábrica de fosfatos de Itataia “será responsável por substituir 20% do que o Brasil importa hoje em fertilizantes, e permitirá ao Brasil ser autossuficiente em urânio e, ainda, exportar o excedente. 

O projeto de Itataia – tocado pelo Consórcio Santa Quitéria, integrado pelas empresas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Galvani Fertilizantes – prevê investimentos de R$ 2,5 bilhões para a exploração da mina, que tem 99,8% de fosfato e 0,2% de urânio. 

Nesse futuro complexo industrial, a INB, que cuidará de extrair e separar os minerais, agregará valor ao urânio, devendo produzir 2.300 toneladas/ano, enquanto a Galvani produzirá, anualmente, 1,050 milhão de toneladas de fosfato, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, uma especialidade da empresa. 

Com o projeto de Itataia, a INB e a Galvani ajudarão o Brasil a tornar-se autossuficiente na produção de fertilizantes, insumo que o país importa das belicosas Ucrânia e Rússia e do Canadá, Bielorrússia, China, Israel, Marrocos, Egito, Alemanha e EUA. Essa importação é equivalente a 85% das necessidades da moderna agricultura brasileira. 

Mas, em relação ao licenciamento ambiental, tudo está atrasado. Em novembro de 2024, esta coluna anunciou o seguinte: 

“A Licença Prévia está prevista para até o fim do primeiro semestre do próximo ano (2025); a Licença de Instalação é aguardada para o fim de 2025 (o ano passado). As obras físicas de construção do complexo industrial deverão ser iniciadas no começo de 2026 (estamos no quinto mês de 2026), prevendo-se para 2028 a Licença de Operação e o consequente início da exploração e do beneficiamento do fosfato e do urânio da mina de Itataia.” 

Resumindo: por enquanto, o projeto de Itataia -- importantíssimo para a economia do país, principalmente para a sua agricultura, a maior e mais moderna do mundo – só gerou expectativa, e não é por culpa dos empreendedores, mas da burocracia brasileira, na qual está claramente embutido o viés ideológico. Infelizmente. 

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