Energia: expectativa sobre o futuro da Enel Ceará

Ministério de Minas e Energia não parece disposto a renovar contrato de concessão da empresa italiana

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: A Enel Ceará Distribuição está investindo R$ 7,4 bilhões na melhoria de sua rede de distribuição de energia elétrica no estado
Foto: Kid Júnior / SVM
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Sem energia não há desenvolvimento econômico. Neste exato momento, o Brasil gera energia mais do que suficiente para garantir o funcionamento de toda a sua economia e para iluminar todas as suas cidades. Mas há problemas pontuais e localizados. Por exemplo: a italiana Enel, que distribui energia elétrica em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, não foi incluída no extenso pacote de renovação de 14 concessões celebrado na sexta-feira passada pelo ministério de Minas e Energia com as respectivas empresas distribuidoras, as quais, segundo o presidente Lula, que falou na solenidade, terão de fazer investimentos de R$ 130 bilhões ao longo dos próximos para a melhoria dos seus serviços.  

O que há com a Enel? Do ponto de vista de quem observa o cenário pelo ângulo cearense, a Enel Brasil, sediada em São Paulo, sofre de certo abandono por parte de sua controladora, a Enel S.p.A, empresa italiana de capital misto (o governo da Itália é dono de 23,6% de suas ações; o estante está pulverizado nas bolsas de valores entre milhares de acionistas, principalmente europeus). Em São Paulo e no estado do Rio de Janeiro, a Enel está sob o bombardeio dos governos federal e estaduais e da opinião pública, que reclamam da baixa qualidade dos seus serviços.  

E no Ceará? Para tornar eficiente seu serviço aqui, a Enel Ceará implementa, há dois anos, um programa de investimentos que prevê, até o fim do próximo 2027, uma montanha de R$ 7,4 bilhões na ampliação e na modernização de sua rede na geografia cearense. Esses investimentos incluem a construção de novas subestações, a modernização das existentes, a implantação de novas redes elétricas, entre as quais a que beneficiará a Chapada do Apodi, onde um polo agropecuário e industrial cresce na velocidade do frevo e exige mais e melhor energia. Na semana passada, em Morada Nova, constatou-se que a conta de luz de abril, emitida pela Enel para dezenas de pessoas físicas e jurídicas da região, veio com erros que aumentaram o seu valor. Ciente do problema, a empresa promete providências para corrigir o erro. 

Empresários cearense que têm investimentos na área da energia elétrica, como Fernando Cirino Gurgel, falam bem da Enel e chegam a dizer que, “se ela não tiver renovado contrato de sua concessão, o Ceará e os cearenses sentirão saudades dela em pouco tempo”. E, também, falam a favor do presidente da empresa no Ceará, José Nunes, “que é um dos mais competentes técnicos e executivos da área, sempre disposto a dialogar com os empresários, buscando a melhor e a mais rápida saída para os problemas que surgem”, como disse Fernando Cirino. 

Faz sentido. No recente mês de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendou a prorrogação do contrato de concessão da Enel Ceará por mais 30 anos. Acima da Aneel, porém, está o ministério de Minas e Energia, o mesmo que promoveu há dois meses o leilão de reserva de capacidade, entre cujos vencedores está a Âmbar, pertencente aos irmãos Wesley e Joesley Batista (lembram-se deles?). O preço dessa energia será três vezes maior do que o atual, o que motivou posicionamento do TCU, cujo subprocurador geral, o cearense Lucas Rocha Furtado, levantou suspeitas sobre o certame. As empresas vencedoras gerarão energia produzidas por fontes poluentes, de origem fóssil, como o carvão mineral, em detrimento das energias renováveis, mas esta é outra história que será contada oportunamente. Mas deve ser logo revelado que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, quer antecipar para agosto a operação dessas usinas para reforçar o Sistema Elétrico Nacional Interligado, que, todavia, não sofre qualquer ameaça de apagão.   

Retomando o fio da meada desta coluna: as empresas da Enel Brasil – incluindo a Enel Ceará – estão, pelo que facilmente se observa, no radar castigador do Ministério de Minas e Energia, o que aponta para baixa possibilidade de renovação de sua concessão. Ora, essa visível ameaça pode, por exemplo, estimular o comando italiano da Enel a reduzir ou a desistir dos investimentos que a Enel Ceará faz hoje aqui. Não é, contudo, o que pensa seu presidente José Nunes, para quem esses investimentos seguem sendo feitos conforme o cronograma pré-estabelecido e com final em 2027, meses antes do encerramento do contrato de sua concessão.  

Na última sexta-feira, na bela festa pelos 80 anos do industrial Beto Studart, esta coluna ouviu vários empresários cujas empresas são consumidoras intensivas de energia elétrica. Todos, sem exceção, disseram que a situação da Enel Ceará é bem diferente da situação da Enel São Paulo e da Enel Rio de Janeiro. E explicaram que, aqui, a Enel Ceará trabalha muito para superar os obstáculos, um dos quais, talvez o maior deles, localizado na Chapada do Apodi, tem prazo de solução até dezembro deste ano.  

ATACADISTA JOTUJÉ CELEBRA 40 ANOS DE ATIVIDADE 

Na sexta-feira passada, a Jotujé – uma das mais antigas e maiores empresas do comércio atacadista do Ceará – celebrou 40 anos de intensa atividade.  

Fundada pelo empresário José do Egito, a Jotujé nasceu como um armazém na rua Governador Sampaio, onde, nos anos 50, 60, 70 e 8o do século passado estavam concentradas as empresas atacadistas, e de onde ela foi a primeira a sair, deslocando-se para o Km 12 da BR-116, na geografia de Messejana, onde se encontra até hoje, ocupando um amplo e moderno imovel. 

A Jotujé ocupa hoje uma área de 10 mil metros quadrados, com 2 mil itens de produtos de higiene pessoal e de limpeza. Seus principais clientes são as redes de supermercados. A empresa emprega 120 pessoas, tendo também uma equipe de 120 representantes comerciais na capital e no interior do estado.