Banco Master: investigações da PF alcançam políticos poderosos

Polícia Federal extrai do celular da Daniel Vorcaro novas e surpreendentes revelações, que podem mudar o rumo da campanha eleitoral deste ano

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: As investigações da Polícia Federal em torno dos escândalos do Banco Master e do INSS chegam perto dos políticos poderosos
Foto: Divulgação / PF
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“Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes". Foi o que disse o presidente Lula na tarde de quinta-feira, 7, na entrevista que concedeu na embaixada brasileira em Washington, logo depois de encontrar-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.

Irônico, sorridente, saboreando o bom resultado de sua conversa de três horas com seu colega norte-americano, Luiz Inácio Lula da Silva pareceu não haver percebido que as investigações da Polícia Federal a respeito do escândalo do Banco Master – as quais se fazem agora sob a supervisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal – estão apanhando com a boca na botija personalidades muito importantes nos três poderes da República – o Executivo, o Legislativo e, incrivelmente, o Judiciário. E mais, essas investigações começam a entranhar-se com as que apuram outro escândalo, o do INSS, onde também há as digitais de pessoas com muita influência no Palácio do Planalto. 

Ontem à noite, na festa que celebrou o 80º aniversário de vida do multiempresário cearense Beto Studart, as centenas de industriais e agropecuaristas presentes não tinham outro assunto que não o do aprofundamento da investigação da Polícia Federal em curso. Todos convergiam para uma constatação, a de que começa a ruir o alicerce em que se apoiam hoje as instituições brasileiras, todas elas, sem exceção, atacadas pelo vírus da corrupção.  

O próprio presidente Lula disse na mesma entrevista em Washington que o crime organizado está instalado, também, “no Poder Judiciário”, foi o que ele disse, e ninguém é mais bem informado a respeito de tudo do que o presidente da República.  

Mais cedo do que se esperava, o escândalo do Banco Master invadiu a campanha eleitoral para a eleição (ou reeleição) deste ano à presidência da República. Ao descobrir, com provas, a milionária e íntima relação de amizade de Daniel Vorcaro com o senador Ciro Nogueira, a PF com certeza está frustrando a esperança do presidente Lula, que torce para que todos os envolvidos nesse escândalo “sejam inocentes”.  Pelo que já se apurou e pelo que já foi divulgado, está claro e bem provado o envolvimento de deputados federais, senadores, ex-ministros do antigo e do atual governo, dirigentes de organismos públicos, empresários e autoridades judiciais não apenas no escândalo do Banco Master e do INSS, mas também em casos de corrupção que começam a pipocar nos Tribunais de Justiça de vários estados. A corrupção sentou praça no Brasil. Extirpa-la é o desafio.  

Quando a corrupção – doença endêmica deste país tropical e bonito por natureza – se tonifica pela ação do crime organizado, que em São Paulo abriu empresas e instalou escritórios na Avenida Faria Lima, sede física do mercado financeiro nacional, conclui-se facilmente que a moralidade perdeu a batalha, e o brasileiro, que paga em dia seus impostos, é só um Mané que também perdeu, como disse em New York (assim mesmo, em inglês), em novembro de 2022, o então ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, que passou de defensor a acusador da Operação Lava Jato antes de pedir sua muito bem remunerada aposentadoria.  

Acostumado a ver transformados em pizza os maiores escândalos de corrupção já registrados em sua pátria, o brasileiro tem, pelo menos desta vez, a tênue esperança que atende pelo nome de André Mendonça, o ministro relator dos dois casos – o do Banco Master e o do INSS. Ele e a equipe da Polícia Federal sob suas ordens estão empenhados em desvendar, com rigorosas e irrefutáveis provas, todos os mistérios e segredos guardados por Daniel Vorcado e pela quadrilha que, vergonhosamente, se apoderou do comando do Ministério da Previdência Social e do Instituto Nacional de Seguridade Social para desviar para os seus próprios bolsos R$ 6,5 bilhões das contas dos velhinhos e velhinhas aposentados e pensionistas do INSS.  

Mas contra o até agora inabalável comportamento de André Mendonça já se ergueu metade da Suprema Corte. Movida pelo espírito de corpo e por uma atitude de autoproteção, parte dos ministros do STF ameaça processar quem, como o fez o ex-governador e presidenciável mineiro Romeu Zema, ousar desafiar a suprema honorabilidade dos seus 10 atuais integrantes (a décima primeira cadeia está vaga e assim ficará pelos próximos meses). E Zema foi mesmo ousado: pediu a prisão e o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, por direto e indireto envolvimento com o Banco Master.