M. Dias Branco tem lucro de R$ 106 milhões no primeiro trimestre
Receita líquida da empresa controlada pela família Dias Branco alcança R$ 2,2 bilhões no período janeiro-fevereiro-março deste ano
Maior fabricante de massas, biscoitos e granolas do país e líder do mercado nacional, a cearense M. Dias Branco fechou o primeiro trimestre de 2026 com todos os principais indicadores positivos na comparação com o mesmo período do ano passado (1T26 X 1T25).
A Receita Líquida da companhia cresceu pelo quinto trimestre consecutivo, alcançando R$ 2,2 bilhões, com incremento de 0,4%. O lucro líquido do período chegou a R$ 106 milhões, com crescimento de 53%.
A despeito de um cenário com retração de consumo, no qual os mercados de massas e biscoitos caíram em todo o país, M. Dias Branco teve ganho de market share volume em biscoitos, granolas e farinha de trigo doméstica, além de manter estabilidade em massas.
“O desempenho acima do comportamento do mercado corrobora que os ajustes operacionais e de execução realizados nos últimos meses foram acertados. Citamos como exemplo a reestruturação da área comercial em quatro frentes de crescimento, com maior clareza de papéis e processos, disciplina de execução e foco no sell-out”, como explica Gustavo Lopes Theodozio, vice-presidente de Controladoria e Investimentos e diretor de Relações com Investidores da M. Dias Branco.
Um dos destaques do trimestre foi o desempenho do grupo “adjacências”, que reúne bolos, snacks, misturas para bolos, torradas, saudáveis, molhos e temperos, que teve crescimento de 10,4% na Receita Líquida na comparação com o primeiro trimestre de 2025.
“Mantivemos o crescimento de dois dígitos pelo sétimo trimestre consecutivo nesse grupo, que traz boas margens para a companhia”, acrescenta Theodozio.
Na categoria de saudáveis, foram lançadas granolas com proteína na marca Jasmine e relançados pães sem glúten, com nova formulação e embalagens, reforçando a proposta de valor da marca. Como resultado, a Jasmine registrou ganho relevante de market share em granolas (+6,7 pontos percentuais na comparação com 1T25) e manteve trajetória positiva em biscoitos saudáveis, com destaque para as subcategorias de cookies e rosquinhas, onde segue ampliando participação e liderança em volume.
Já em snacks, a empresa acelerou a expansão do portfólio da marca Frontera, com o lançamento da tortilha sabor Sal Marinho e a entrada no segmento de snacks de batata.
Em Food Service, as categorias de farinha, farelo e gorduras mantiveram crescimento, ganhando capilaridade por meio da entrada de novos distribuidores especializados. O avanço contínuo reforça o modelo adotado desde o ano passado, com time dedicado, preços competitivos, portfólio ampliado, atuação consultiva de um time técnico e ações estruturadas de marketing e trade marketing.
Pelo lado de custos, o câmbio e o preço das commodities foram favoráveis à empresa. No 1T26, o custo dos produtos vendidos (CPV) apresentou redução de 1,5% em relação ao 1T25, mesmo com o crescimento de 3,4% dos volumes vendidos, refletindo principalmente a queda de 5% nos custos de matérias-primas.
O lucro bruto da companhia totalizou R$ 717,7 milhões no 1T26, com margem bruta de 32,4%, contra 30,9% no 1T25 e 31,6% no 4T25,
“O aumento da margem bruta reflete a redução dos custos variáveis, que caíram de cerca de R$ 3 por quilo no 4T25 para R$ 2,7 por quilo no 1T26”, detalha Fábio Cefaly, diretor de Relações com Investidores da M. Dias Branco.
O executivo destaca que M. Dias Branco continua fazendo investimentos substanciais em automação industrial e eficiência energética. No primeiro trimestre do ano, esses investimentos somaram R$ 172 milhões.
“Estamos crescendo, gerando caixa e reinvestindo no negócio”, finaliza Cefaly.
UMA ENTREVISTA COM GUSTAVO THEODOZIO
Esta coluna conversou na noite desta quinta-feira, 7, com Gustavo Theodozio, vice-presidente de Controladoria e Investimentos e diretor de Relações com Investidores da M. Dias Branco. A seguir, as perguntas e respostas:
Em que a guerra do Oriente Médio impactou os preços do trigo e desorganizou o sistema de abastecimento do trigo?
O maior impacto da guerra no Oriente Médio foi no preço dos fretes, em função do aumento do diesel. E frete impacta em toda a cadeia, da entrega de matérias-primas à distribuição dos nossos produtos ao varejo.
Que esforço foi feito para aumentar as margens?
Estamos já colhendo os frutos da reestruturação comercial e dos ajustes operacionais e de execução realizados nos últimos meses. Citamos como exemplo a reestruturação da área comercial em quatro frentes de crescimento, com maior clareza de papéis e processos, disciplina de execução e foco no sell-out. Por outro lado, estamos investindo em automação industrial e maior eficiência energética, o que trará impactos positivos lá na frente. Somente no primeiro trimestre esses investimentos chegaram a R$ 172 milhões.
Mesmo diante da liquidez do grupo, mas em razão dos juros altos e da dificuldade do crédito, como o grupo vem superando as dificuldades de um mercado financeiro mais restrito?
Como temos baixo nível de endividamento e fazemos grande parte dos investimentos com nosso próprio caixa, temos passado de forma confortável pelo período de juros altos. Encerramos o 1T26 com R$ 1,9 bilhão em caixa e R$ 688,0 milhões de caixa líquido (caixa maior que a dívida). Adicionalmente, encerramos o 1T26 com 95,4% da dívida registrada no longo prazo e manutenção do Rating AAA Perspectiva Estável, reafirmado pela Fitch pelo 8º ano consecutivo. A gestão financeira conservadora da companhia é um dos pilares do negócio.
O mercado de massas e biscoitos brasileiro reduziu-se pelas razões já citadas. Há alguma perspectiva para que ele se recupere ao longo deste ano, que é eleitoral?
Os mercados de massas e biscoitos passam por retração em função de uma soma de fatores. O consumidor está com o bolso mais apertado e, por outro lado, a elevação de custos que vêm desde a pandemia tem pressionado preços. De nossa parte buscamos fazer o dever de casa e controlar o que podemos controlar, sem depender de fatores externos. Tanto que ´temos crescido em market share volume em biscoitos, farinha de trigo e granolas.
Qual é a marca do grupo que lidera as vendas?
Temos um portfólio bastante diversificado. Mas de forma geral podemos destacar Vitarella, que é a marca número 1 de biscoitos do País; Piraquê, que continua expansão nacional; e Adria, em massas. No segmento de saudáveis, Jasmine não apenas se mantém na liderança de granolas como registrou aumento de market share no primeiro trimestre (+6,7 pontos percentuais na comparação com o 1T25). Além disso, continuamos avançando no mercado de food service.
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