Lula, o encantador de serpente, celebra boas notícias aqui e nos EUA
Sua reunião com Donald Trump teve final feliz. E novas revelações da PF sobre o Banco Master envolvem Ciro Nogueira, presidente do PP, um dos líderes do bolsonarismo
Aconteceu como previu esta coluna: a reunião de ontem do presidente dos EUA, Donald Trump, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca, em Washington, durou três horas, duas a mais do que o previsto, e terminou com um final feliz para ambos.
Foi boa para Trump, que na próxima semana viajará para Pequim, onde se encontrará com seu homônimo chinês Xi Jiping, diante de quem se apresentará como o líder político das Américas, e provavelmente por isto mesmo permitiu que seu encontro com Lula se estendesse para além do que previa o protocolo.
Foi boa para Lula, que retorna hoje ao Brasil exibindo-se como um líder de prestígio internacional. E mais do que isto: como um encantador de serpentes, ele mesmo citou, na entrevista que concedeu na embaixada brasileira em Washington, após a reunião, sua estreita relação pessoal com os principais líderes mundiais, citando, além do chinês, o presidente da França, Emmanuel Macron; os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, e do Reino Unido, Keir Starmer; e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Lula manteve o sorriso desde sua chegada à Casa Branca, em cuja entrada Sul (pela qual entrou o Rei Charles há duas semanas) foi recebido por Donald Trump, que também estava sorridente, como antevendo o que aconteceria depois. Na entrevista, Lula chegou a dizer que sugeriu a Trump que sorrir “é bom e faz bem”.
O anfitrião norte-americano e seu convidado brasileiro enfrentam problemas de baixa popularidade – Trump mais do que Lula. Ambos aguardarão as novas pesquisas de opinião pública para saber se sua reunião de ontem deu mesmo bons resultados.
Foquemos na política interna brasileira: ontem, foi uma quinta-feira de ótimos acontecimentos para o presidente Lula. Além do encontro com Donald Trump, a operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal em endereços do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, o Partido Progressistas, levou o escândalo do Banco Master para o núcleo de comando do Centrão, um conjunto de partidos cuja maioria faz oposição ao governo Lula.
O senador Ciro Nogueira é o presidente do PP e foi chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro e sua estreita e promíscua relação com o dono do Banco Master revela a que ponto a política e os políticos se deixaram corromper pelo dinheiro de um banqueiro inescrupuloso.
De acordo com essas investigações, Ciro Nogueira recebeu R$ 18 milhões de Daniel Vorcaro, que ainda lhe pagava uma propina mensal de até R$ 500 mil em troca de favores, o maior dos quais foi a proposta de aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor a ser ressarcido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) às pessoas físicas e jurídicas enganadas por instituições financeiras. A proposta foi rejeitada.
O PT e o Palácio do Planalto já cunharam a expressão “Bolsomaster” para lincar o escândalo do Banco Master com o bolsonarismo, na certeza de que a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que hoje está tecnicamente empatada com a do presidente Lula, será duramente atingida pelas novas revelações da Polícia Federal.
(Abramos um parêntese para acrescentar uma especulação: na possibilidade de a candidatura de Flávio Bolsonaro desidratar e diante da baixa popularidade de Lula, cientistas políticos começam a admitir a existência de um corredor pelo qual poderá passar um candidato independente, disposto a colocar a casa em ordem, ou seja, um salvador da pátria.)
Agora são os líderes petistas que querem o aprofundamento das investigações da Polícia Federal a respeito das milionárias relações de senadores e deputados federais do Centrão com Daniel Vorcaro, que, segundo essas investigações, também mantinha íntimas e também caríssimas amizades com pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal, onde o ambiente é de tensão exatamente pelo que já mostrou a PF, cujos agentes continuam periciando os telefones celulares do fundador do Banco Master.
Resumindo: a campanha eleitoral deste ano nem começou, mas, pelo que se vê, pelo que se ouve e pelo que se lê, ela será desenvolvida sob a revelação de novas e tenebrosas transações de Daniel Vorcaro com a elite dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário desta República Federativa do Brasil.
A pauta dos presidenciáveis, infelizmente, não serão os graves problemas econômicos, financeiros e sociais que castigam o Brasil, para os quais os candidatos estão de costas, mas a corrupção que se entranhou em todas as instituições do país.
Lamentavelmente.
HIDROTINTAS INVESTE R$ 20 MILHÕES E AMPLIA SUA FÁBRICA
Com investimento superior a R$ 20 milhões, saídos do seu próprio caixa, a genuinamente cearense Hidrotintas consolidou sua posição de líder do setor industrial de tintas no Ceará: ela inaugurou na quarta-feira, 6, a ampliação de sua grande fábrica, localizada no Distrito Industrial de Maracanaú, que ganhou mais 5 mil m² de área construída, na qual foram instaladas 17 docas para carga e descarga.
Segunda maior indústria de tintas do Nordeste (a primeira é a pernambucana Iquine), a Hidrotintas, com essa ampliação, está ampliando sua produção para volume semelhante ao de sua principal concorrente regional. Os sócios e diretores da Hidrotintas – fundada pelo saudoso patriarca Lucas Ferreira Pinto – são o seu filho Lucas e o seu irmão João José Pinto.
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