Importações de veículos disparam no Ceará em 2026; 99,7% vêm da China

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Allisson Martins allissonmartins@unifor.br
Legenda: O Ceará importou US$ 11,5 milhões em veículos no 1º​ quadrimestre de 2026.
Foto: Paloma Vargas / SVM

O Brasil importou US$ 3,5 bilhões em veículos automóveis de passageiros no 1º quadrimestre de 2026, crescimento de 114,3% em relação ao mesmo período de 2025, conforme dados do Comex Stat, plataforma de informações de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A China responde por 64,6% desse montante e figura como a maior fornecedora de veículos ao mercado brasileiro, superando a Argentina, que historicamente ocupava essa posição.

O país asiático mais que triplicou suas exportações de automóveis ao Brasil no período, alcançando cerca de US$ 2,3 bilhões. Com esse desempenho, o Brasil se consolidou como terceiro maior destino de veículos chineses no mundo, atrás apenas de Rússia e Reino Unido.

E o Ceará, está nessa estrada?

Os números mostram que sim. O Ceará importou US$ 11,5 milhões em veículos no 1º​ quadrimestre de 2026.

No mesmo período do ano anterior, foram apenas US$ 40 mil. O dado que mais impressiona: 99,7% do valor importado veio da China.

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Por que o avanço chinês é tão forte?

O avanço chinês combina montadoras em campanha agressiva de vendas, com lançamentos e preços competitivos, e um movimento de antecipação, já que as alíquotas sobre veículos elétricos e híbridos, que começaram em 10% em janeiro de 2024, atingirão o teto de 35% em julho deste ano, o que estimula a aceleração dos embarques.

O câmbio também ajudou. No início de 2025, o dólar girava entre R$ 5,80 e R$ 5,90. Neste ano, a média ficou entre R$ 5,20 e R$ 5,30, barateando as importações.

E o futuro?

A tendência é de que o fluxo se mantenha forte nos próximos meses, enquanto a janela tarifária permitir.

A médio prazo, o cenário deve mudar: pelo menos cinco montadoras chinesas confirmaram produção local, entre elas BYD e GWM com fábricas próprias, além de parcerias da Geely com a Renault e da Leapmotor com a Stellantis.

E o cenário pode ser ainda maior do que os números mostram. Os dados de comércio exterior registram apenas a importação pelo estado do importador, e muitos veículos chineses entram também por distribuidoras de outros estados antes de chegar ao consumidor cearense.

O fato é que, nas ruas de Fortaleza, essa realidade já é visível: os carros elétricos chineses chegaram para ficar. Por todos os lados!

Grande abraço e até a próxima semana!

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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