Grupo Tocky entra com pedido de recuperação judicial com dívida de R$ 1,11 bilhão
Empresa busca evitar a liquidez das atividades e proteger o emprego dos funcionários.
O Grupo Toky, dono das empresas de móveis para decoração Tok&Stok e Mobly, informou nesta terça-feira (12) que entrou com um pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar dívidas de cerca de R$ 1,11 bilhão.
Em um comunicado publicado no próprio site, a companhia lista juros altos, endividamento de famílias, o fechamento de 17 pontos de venda e a elevação dos custos de matérias-primas como alguns dos fatores para a abertura do processo.
"As Requerentes apresentam o presente Pedido de Recuperação Judicial para viabilizar sua reestruturação e soerguimento, viabilizando a superação da crise econômico-financeira, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores, e dos interesses dos credores", diz o documento.
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'Risco de dano irreparável'
No texto enviado à Justiça de São Paulo, o Grupo Toky pediu o desbloqueio imediato de cerca de R$ 77 milhões em valores de vendas feitas no cartão de crédito que estão retidos pela SRM Bank.
Conforme a empresa, o bloqueio afetou diretamente o principal fluxo de caixa da companhia, além do pagamento de fornecedores, logística, operações de lojas físicas e canais digitais e pagamento de salários de trabalhadores.
"O gravíssimo dano é agravado pelo caráter continuado da medida, pois, a cada dia, ampliam-se os impactos financeiros e operacionais dos bloqueios, elevando substancialmente o risco de colapso do fluxo de caixa e de paralisação das atividades empresariais", reforçou o Grupo Toky.
A empresa também solicitou a suspensão, por 180 dias, de cobranças e ações por dívidas enquanto tenta renegociar os débitos com credores (o chamado “stay period”).
Grupo tenta se recuperar desde 2023
Há três anos, o Grupo Toky tentou entrar na Justiça na busca por se recuperar judicialmente. O processo, porém, não aconteceu como o esperado.
Naquela época, a companhia tentou reorganizar as finanças com a renegociação de cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias. Também houve um acordo bem sucedido com um credor no valor de R$ 100 milhões.
Entretanto, ao contrário do que se esperava, as vendas não conseguiram acompanhar as expectativas dos investidores, o que levou ao grupo homologar, em 2024 novas formas de reestruturação financeira, incluindo recuperação extrajudicial.
Para a empresa, o processo tem como objetivo central proteger a liquidez da companhia, manter o funcionamento de suas 63 lojas físicas e canais digitais, além de preservar os empregos de seus mais de 2.200 funcionários.