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Grupo Mateus demite mais de 6 mil funcionários em seis estados, e Ceará está na lista

As vagas foram cortadas em cinco estados da região Nordeste e um do Norte.

Escrito por
Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
Grupo Mateus.
Legenda: Sede do Grupo Mateus no Ceará.
Foto: Ismael Soares.

O Grupo Mateus demitiu mais de 6,6 mil funcionários em cinco estados do Nordeste e um do Norte desde dezembro de 2025. A redução foi de 13,9%, com queda no quadro de pessoal de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e Sergipe, além do Pará.

As informações são do jornal Valor Econômico, com base no resultado financeiro do 1º trimestre de 2026 da companhia, divulgado na última quinta-feira (14).

Conforme o resultado do Grupo Mateus, a redução de funcionários foi de 8,8% no comparativo com setembro de 2025. O quantitativo por estado não foi detalhado pela companhia.

Questionado pela reportagem, o Grupo Mateus também não informou quantas pessoas foram demitidas no Ceará e afirmou que "os cortes foram necessários para ajustes operacionais em toda a rede". 

A empresa também ponderou que isso não compromete as aberturas de novas lojas já previstas para o Estado. 

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O Estado conta com 21 unidades da empresa, entre atacarejo (13 sob a bandeira Mix Mateus), varejo (duas da bandeira Mateus Supermercado) e seis lojas de conveniência (Armazém Mateus).

Despesas do grupo ultrapassam R$ 1,6 bilhão

Uma das principais palavras mencionadas pela empresa na divulgação dos resultados financeiros foi "otimização".

A ideia é enxugar o quadro de funcionários e frear a abertura de novas lojas enquanto as dívidas da companhia continuam representando fatia significativa da receita líquida.

No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Mateus teve receita líquida de R$ 9,4 bilhões, 13% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Em contrapartida, as despesas operacionais, que envolvem todos os gastos da empresa, atingiram R$ 1,6 bilhão, 29,3% a mais do que nos três primeiros meses de 2025.

"A companhia avançou na implementação de iniciativas de produtividade e racionalização das estruturas, cujos efeitos começaram a se tornar mais evidentes no mês de março de 2026", explica o grupo no balanço financeiro. 

Na nota, a empresa acrescenta que "os projetos envolveram análises históricas das operações e benchmarks internos entre lojas, formatos, fornecedores e contratos, permitindo identificar distorções e oportunidades de otimização com impacto financeiro mensurável. A implementação dessas medidas teve como objetivo adequar estruturas operacionais e capturar ganhos de eficiência".  

A empresa ressalta que boa parte do aumento das despesas operacionais é decorrente da associação entre o grupo e o pernambucano Novo Atacarejo, que teve a integração de negócios consolidada ao longo de 2025.

Na base de demissões, é excluída a operação do Mateus em Paraíba, Pernambuco e Alagoas, estados que têm lojas do Novo Atacarejo. Os desligamentos se referem somente a lojas do grupo em Maranhão, Piauí, Ceará, Sergipe, Bahia e Pará.

O que esse movimento sinaliza sobre a empresa 

O economista Alex Araújo observa que o erro contábil de R$ 1,1 bilhão, ocorrido em 2024 e que gerou reações do mercado financeiro, trouxe mais visbilidade ao caso do grupo.

Para o especialista, o cenário financeiro atual da companhia é mais 'ambíguo', do que o gerado pelo erro contábil de 2024, indicando que o mercado passou a discutir questões estruturais pouco explícitas.

Os problemas incluem fragilidade severa nos controles internos; inconsistência na mensuração do custo médio das mercadorias; baixa maturidade de governança para uma companhia já listada e com expansão agressiva; inventários físicos pouco frequentes; e crescimento operacional mais rápido que a capacidade de controle".
Alex Araújo
Economista

Legenda: A expansão do Grupo Mateus no Nordeste começou em 2021, com operações no Ceará, Bahia, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Sergipe
Foto: Divulgação/Grupo Mateus

"O ponto mais preocupante em 2026 não é apenas o erro contábil, pois o mercado começou a observar deterioração econômica dos negócios. Há queda de margem operacional e redução da geração de caixa, indicando pressão operacional, mesmo com crescimento das vendas", alerta Alex.

O especialista ainda comenta que a tendência é de que haja "congelamento da expansão do Mateus, reduzindo os investimentos e postergando novas unidades".

Grupo Mateus tem quatro lojas em construção no Ceará

A análise de Alex Araújo está de acordo com o divulgado pela empresa, de que há um "menor ritmo de investimentos", com mais rigor para alocar o capital da empresa.

Os investimentos do grupo caíram cerca de 20% na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, também impactados pela integração entre o Mateus e o Novo Atacarejo.

A companhia conta atualmente com 612 lojas, sendo 228 de varejo alimentar, o carro-chefe do grupo. Desse total, 21 estão no Ceará. A maior parte está em Fortaleza, com três atacarejos em funcionamento. Segundo o grupo, o planejamento de novas unidades no Estado segue mantido.

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