Trechos abandonados da antiga Transnordestina serão aproveitados para transporte de passageiros
Declaração foi feita pelo ministro dos Transportes durante passagem pelo Ceará.
Os trechos inativos, tecnicamente chamados de malha não operacional, da ferrovia que corta o Ceará de norte a sul, saindo de Fortaleza rumo ao Crato, serão devolvidos ao Governo Federal. O objetivo é que a União recupere parte desses trajetos e os utilize para o transporte de cargas e passageiros.
As afirmações foram feitas por George Santoro, ministro dos Transportes, durante visita ao Ceará nessa sexta-feira (15).
Segundo o titular do ministério, foi feita uma repactuação do contrato de concessão com a Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), concessionária responsável por 3 mil quilômetros (km) de ferrovias abandonadas em cinco estados do Nordeste - mais de 600 km no Ceará.
O caso segue no Tribunal de Contas da União (TCU).
Vamos recuperar quase 2 mil km dessa ferrovia. Vai melhorar a qualidade da operação dela, com desempenho melhor e mais velocidade. Tem trechos devolvidos que não vão ser utilizados pela concessionária, estamos com um estudo pronto para fazer chamamentos públicos de pequenos trechos, ou para passageiros, ou para entrega para as cidades".
Questionado pela reportagem sobre quais seriam esses trechos no Ceará, o ministro disse que as localizações não poderiam ser informadas porque ainda falta a conclusão sobre qual o melhor modelo para a reativação dos trechos.
A reportagem procurou a FTL para comentar as tratativas para devolução da malha não operacional para o Governo Federal. Quando houver retorno, este material será atualizado.
Antiga Transnordestina não opera há quase 13 anos
A recuperação dos trechos inativos por parte do Governo Federal já era prevista pelo Ministério dos Transportes. O Ceará é o único dos estados com trechos concedidos para a FTL onde há ferrovia abandonadas pela concessionária e trechos em funcionamento.
Também chamada de antiga Transnordestina, a ferrovia foi construída ao longo dos séculos XIX e XX, sendo até hoje a maior extensão ferroviária do Estado, interligando Fortaleza ao Crato e com um ramal na altura do município de Cedro que se interliga com a Paraíba.
Veja também
Em 2013, já sob concessão da FTL, a ferrovia foi inteiramente desativada. A nova Transnordestina, atualmente em construção no interior cearense, é uma remodelação da antiga linha férrea, que sofre com a deterioração já a partir da Grande Fortaleza.
A concessionária já declarou que não tem interesse na exploração comercial da ferrovia e concentra esforços em recuperar a malha operacional, que interliga Fortaleza a São Luís em trajeto de pouco mais de 1,2 mil km.
Duplicação da BR-116 até Chorozinho será entregue em 2027
O trecho de 22 km em duplicação da BR-116 entre Pacajus e Chorozinho, na Região Metropolitana de Fortaleza, está 20% concluído, percentual abaixo da meta de 45% prevista para o fim do ano passado.
O Ministério dos Transportes prevê entregar esse trecho em 2027, um ano antes do prazo original, com 10 km concluídos ainda em 2026. A licitação para o trecho seguinte, que se estende até o entroncamento com a BR-304 em Beberibe, deve ser aberta no próximo mês, com entrega prevista para meados de 2028.
Esse é o valor a ser investido na duplicação da BR-116 no Ceará. No total, são 58,4 km em duplicação. Quando for finalizado o percurso entre Pacajus e Boqueirão do Cesário, o trecho duplicado da rodovia no Ceará será de cerca de 110 km.
Outras duas rodovias federais no Ceará passarão por obras
Ainda durante a passagem de George Santoro pelo estado, foi anunciada nesta sexta-feira a liberação de R$ 51 milhões para obras de manutenção viária nas BRs 402 e 403.
Segundo o Ministério dos Transportes, as obras serão concentradas em 160,9 km entre os municípios de Acaraú, Cruz, Marco e Umirim, mas devem beneficiar 21 cidades da região.
As rodovias são na região litorânea do Estado, "com impacto direto no turismo e no escoamento da produção regional, especialmente de frutas e pescado", complementa o ministério.