Sinal de perigo! Dívida pública já passou de 80% do PIB
Mesmo assim, o governo segue ampliando seus gastos. Há uma bomba-relógio pronta para explodir em 2027.
Qual é o plano de governo dos candidatos à presidência da República Federativa do Brasil? Por enquanto, não há sequer os slogans típicos da marquetagem.
O que há são crescentes trocas de acusações entre os que lideram as pesquisas – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segunda a mídia, é o candidato da esquerda, e Flávio Bolsonaro, que, de acordo com a mesma mídia, é o candidato da extrema direita (parece não existir extrema esquerda no Brasil, e ela existe e pode ser vista em boa parte do PT, em todo o Psol e no MST).
Romeu Zema e Ronaldo Caiado, outros pré-candidatos também ideologicamente de direita, estão, por enquanto, mais preocupados em viabilizar suas candidaturas do que em desenhar um plano para governar o país – ambos não alcançaram, ainda, 10% das intenções de voto.
Esta coluna já disse, e o repete agora: o próximo presidente receberá do atual governo o que pode já ser chamada de herança funesta. Há uma bomba-relógio que explodirá em 2027: a situação financeira, gerenciada pela Secretaria do Tesouro Nacional, é de uma gravidade tamanha que já deveria ter merecido advertências dos economistas e da denominada grande mídia brasileira. As despesas do governo já ultrapassaram o limite da racionalidade, mas, mesmo assim, seguem no modo irracional.
Mas essa bomba-relógio tem, igualmente, todas as digitais do Poder Legislativo, posto que as duas casas do Congresso Nacional, natural e obviamente, devem ser acusadas de oferecer colaboração estreita e direta à deterioração das contas públicas: as emendas parlamentares – uma excrescência que já deveria ter sido excretada pelo organismo parlamentar, o que não aconteceu nem acontecerá enquanto viger o “status quo” – têm de ser extintas.
Elas existem hoje porque, diante da ausência de um Plano Nacional de Desenvolvimento, deputados e senadores de todos os partidos, todos, dividem entre si substancial parte do Orçamento Geral da União (OGU). E cada um destina para o seu curral eleitoral verbas que servem a tudo, do calçamento em pedra tosca à escola profissionalizante, e é aí que entram os grupos especializados em fraudar licitações – o resto da história todos já o conhecemos por meio das investigações da Polícia Federal em quase todos os 5.569 municípios do país. Infelizmente, a impunidade tem livrado da cadeia os responsáveis por essas fraudes.
O que aconteceu com as lideranças da política brasileira, que estão, pelo visto, dominadas por um sentimento arrebatador que as obsta de enxergar o que está visível, ou seja, o precário estado das contas públicas? A relação dívida-PIB fechou o recente mês de abril no patamar de 80,4%, alcançando R$ 10,4 trilhões, com viés de alta, e põe alta nisso – o FMI já estima que o endividamento brasileiro fechará este corrente 2026 em 96,5 do PIB, devendo chegar aos 100% no decorrer do próximo (e assustador) 2027.
Também preocupa e atemoriza o setor produtivo o fato de que a irresponsabilidade fiscal que se registra no plano federal invadiu e se alarga na esfera estadual. Os entes federados, com as raríssimas exceções que se contam nos dedos, enfrentam graves dificuldades financeiras.
Replicando o modo Lula de governar em tempo de eleição, os governadores, de olho na reeleição, antecipam o pagamento do 13º salário, inauguram obras inacabadas e anunciam o início de outras e decretam ponto facultativo para esticar o ócio do fim de semana dos servidores públicos, que são eleitores – convém lembrar.
Consertar tudo o que está errado exigirá coragem e competência do próxima governo.
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