Para Cristiano Maia, há 40% dos brasileiros à procura de um líder

Empresário com atuação em vários setores da atividade econômica, ele se diz preocupado com o agravamento da polarização entre direita e esquerda

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Cristiano Maia, empresário cearense com atuação na indústria e o agro, preocupa-se com o cenário da política e da economia
Foto: Egídio Serpa
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Maior empresário do agro cearense – sendo o líder da carcinicultura do país e o maior fabricante de ração animal da região Nordeste, além de atuar na pecuária leiteira e de corte e na construção pesada – Cristiano Maia é uma fonte de consulta de colegas dos diferentes ramos da atividade econômica e, também, de políticos jovens e seniores, que lhe pedem orientações a respeito disto e daquilo.  

Esta coluna, de quando em vez, o procura para tentar medir a temperatura do cenário político e econômico, principalmente nesta temporada de eleições gerais, cuja campanha se pronuncia muito acirrada, prometendo fortes emoções – e põe emoção nisso. 

Afastado da vida política desde quando concluiu, no início dos anos 2000, seu mandato de prefeito de Jaguaribara, onde ainda é aplaudido pelo povo que sente saudades de sua gestão, Cristiano Maia acompanha, “com o maior interesse”, o que se passa na política daqui e do resto do Brasil, preocupando-se com o agravamento da polarização entre direita e esquerda, “como se só houvesse essa alternativa”. Na sua opinião, “a esquerda tem, como sempre teve, 30% de apoio da população, os mesmos 30% que tem a direita”. Cristiano vai em frente e analisa: 

“Temos, então, 40% do povo com uma posição equidistante, no aguardo de um líder arrebanhador desse eleitorado que parece ser um barco navegando à deriva, sem timoneiro. Falta, digamos assim, um comandante que seja sério e pareça sério, um chefe político independente, que rejeite o extremismo daqueles dois lados, que decida aproveitar o vácuo existente e tome para si o comando do navio. Alguns já tentaram e não tiveram êxito porque lhes faltaram a empatia, o carisma, a força da liderança e as virtudes de seriedade admiradas e exigidas pela população.” 

Para Cristiano Maia – um empresário responsável pela gestão de empresas que dão emprego direto e formal a cerca de 4 mil pessoas no Ceará, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco – por causa do ambiente político, “o horizonte da economia está cheio de nuvens que prenunciam trovões e relâmpagos”. E explica, didaticamente: 

“Por exemplo, temos taxas de juros muito elevadas. O crédito ficou muito caro. Uma empresa líquida – como é o caso das nossas – que se utiliza dos bancos apenas para aplicar suas economias, tirando proveito da atual política monetária, enfrenta a dificuldade sem muitos problemas. Mas a empresa que tem dívidas a pagar e não dispõe de sobra de caixa, essa se encontra, de fato, diante de um enorme desafio. O recente Desenrola 2.0, criado para auxiliar as famílias e as empresas inadimplentes, é, aparentemente, uma boa saída, mas logo elas estarão de novo a enfrentar dificuldades por causa, outra vez, da alta taxa de juro, que só baixará quando a política fiscal for consertada e quando as reformas estruturantes forem aprovadas, e isto não está à vista hoje.” 

Cristiano Maia entende que a política é o caminho correto pelo qual se fazem ou deixam de ser feitos os arranjos institucionais de que precisa e precisará o país para retomar o trilho do crescimento, que dá sinais de arrefecimento por causa da restritiva política monetária – “quem pode suportar uma taxa de juros que às vezes chega a 4% ao mês? Acho que nem o crime organizado”. Por esta e por outras razões, ele torce para que, nas eleições de outubro, os eleitores elejam os que estejam comprometidos com as seguintes medidas: 

“Reduzir o tamanho do estado brasileiro, e isto vale também para os entes federados; diminuir bastante os cargos comissionados e as funções gratificadas; elaborar e executar um Plano Estratégico de Desenvolvimento, algo que hoje o Brasil não tem; promover outra readequação da Previdência Social, cujo déficit só cresce; promover as reformas Política, a mãe de todas, Patrimonial e Administrativa; abrir os segredos da República, como o dos cartões de crédito corporativo usados pelos que governam; abrir uma porta de saída para o Bolsa Família, que parece um centro de promoção da ociosidade remunerada; reexaminar a política de incentivos e renúncias fiscais, mantendo somente as verdadeiramente necessárias; e, finalmente, reduzir os impostos, pois a carga tributária brasileira inibe os investimentos.” 

Cristiano evita comentários sobre preferências políticas, apenas diz que é um amante da democracia, da liberdade de expressão, do livre mercado, e proclama:  

“Sou contra qualquer tipo de ditadura, de direita ou de esquerda, e completamente a favor do direito de ir e vir, e de dizer o que eu penso.” 

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE O BRASIL E A CHINA 

Um executivo cearense de uma grande empresa brasileira acaba de retornar da China. Falando a este repórter, ele mostrou as diferenças entre o o que se passa no Brasil e na China.  

“Na China, disse ele, o governo decide fazer uma ferrovia de 1.500 km e ela fica pronta em dois anos. E a constrói derrubando árvores, construindo túneis e viadutos entre montanhas, e, ao mesmo tempo, replantando o que foi desmatado, assegurando a integridade do meio ambiente. 

“Aqui no Brasil, a execução da Ferrogrão, estrada de ferro de suma importância para o agro do Centro Oeste, em Mato Grosso, está parada faz 4 anos por força de uma liminar que o STF concedeu a um recurso de um partido de extrema esquerda que apoia o governo.  

“Aqui no Ceará, o projeto de implantação de uma refinaria de petróleo privada no Complexo do Pecém pode ser frustrado, ou seja, pode não acontecer, porque o Ibama está procrastinando a análise do Eia-Rima e, também, porque uma comunidade indígena está contra o empreendimento.” 

A mesma fonte prevê mais dificuldades para quem trabalha e produz no agro brasileiro. E diz que, no próximo ano, a vida do produtor rural enfrentará quatro fatores adversos: 

“1) fim da isenção do Pis/Cofins para as cooperativas do agro, o que significa que o crédito ficará mais caro; 

“2) Aumento de 10% de encargos na conta de energia elétrica, por causa do leilão de reserva de capacidade, que contratou 19,5 GW a serem gerados por termelétricas a carvão mineral e gás natural; 

“3) Aumento de 12% no custo da mão de obra, como consequência da troca do regime de trabalho de 6X1 (seis dias de trabalho por um de descanso) para 5X2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso); 

“4) para as indústrias têxteis e de confecções, o futuro próximo é de preocupação por causa do fim da cobrança da taxa das blusinhas, ou seja, do imposto de 20% incidente sobre as compras de até 50 dólares de roupas importadas.