No S. Luiz, jornada é de 12 horas de trabalho por 36 de descanso

Severino Ramalho Neto, sócio majoritário da rede Mercadinhos São Luiz, reúne-se com empresários do agro e diz que produtos cearenses são sua prioridade

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: Severino Ramalho Neto, Tom Prado, João Teixeira, Jorge Parente e Cristiano Maia, na reunião de segunda-feira, 1.
Foto: Egídio Serpa
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Um grupo de 40 empresários cearenses da agropecuária juntou a fome de produzir com a vontade de vender: durante uma hora e meia, ouviu e debateu na última segunda-feira, 1, com o seu colega Severino Ramalho Neto, sócio majoritário rede Mercadinhos São Luiz, a maior do varejo supermercadista do estado. Abordaram diferentes aspectos do comércio varejista, incluindo as relações entre as partes. Vários dos presentes à reunião são fornecedores da empresa do palestrante, que massageou o ego do auditório com rasgados elogios à “excelente qualidade dos seus hortifrutis, carnes e lácteos”.  

E surpreendeu, ao revelar que a jornada dos seus colaboradores nas mais de 30 lojas da organização é de 12 horas de trabalho por 36 de descanso.  

Severino Neto foi saudado pelos empresários Tom Prado, que coordena o grupo neste 2026 (em 2025, pela primeira vez, uma mulher, Rita Grangeiro, foi a coordenadora) e Jorge Parente, um dos que o fundaram em 2007). O palestrante iniciou sua fala lembrando o seu tio João Melo, que herdou dos pais a empresa centenária e a fez crescer com a ajuda do sobrinho, que a transformou no que é hoje, uma rede com 34 lojas em Fortaleza e em cidades do interior do Estado, com um time de 3.900 colaboradores. 

“Há mais de 10 anos, estamos no Top 10 das melhores empresas para trabalhar no Brasil. Já fomos a primeira; neste ano somos a segunda”, ele disse cheio de orgulho, acrescentando que, durante cada dia da semana, circulam pelas lojas do Mercadinhos São Luiz 50 mil clientes, “ou seja, um estádio Castelão por dia”.  

Sua empresa – contou ele – responde por 11,4% de todo o comércio varejista do Ceará, “e isto não é pouca coisa, e a razão está no fato de que temos uma forma única, exclusiva de atender o nosso cliente, compartilhando com ele nossas mútuas alegrias e felicidades”. 

Em seguida, Severino Neto referiu-se ao atacarejo, uma novidade que, surgida em 2009, revolucionou o comércio de todo o país. Foi tão rápida e surpreendente essa revolução, que hoje o atacarejo representa 50% desse mercado, ao qual “ninguém vai ao atacarejo, se não for atraído pelo preço”, que na verdade é mais barato, e os especialistas dizem que isto é produto do maior volume de venda. 

Neste corrente ano de 2026, a rede Mercadinhos São Luiz registra um crescimento de 17% em suas vendas, exatamente como o previsto pelo seu planejamento anual. Um detalhe que chamou atenção dos 40 empresários que ouviram o palestrante: 50% do faturamento da empresa são oriundos dos produtos perecíveis – frutas, legumes, verduras, carnes, lácteos, ovos. A venda de frutas é tão grande, que a empresa de Severino Neto é obrigada a trazê-las, também, de outros estados. 

Ele disse que a prioridade do Mercadinhos São Luiz são os produtos “made in Ceará”, da indústria e do agro. Mas alguém do auditório o inquiriu sobre a ausência de ovos e cortes congelados de aves de empresas avícolas cearenses, e ele disse que nas prateleiras e gôndolas de suas lojas “estão expostos esses produtos da avicultura do Ceará”, citando os da Granja Regina; “e não só da avicultura, porque temos também peixes e camarões de empresas cearenses, como a Bomar”.  

Sustentando seu compromisso prioritário com os fornecedores cearenses, Severino Neto referiu-se às carnes de ovinos e caprinos, revelando que suas lojas vendem cortes especiais produzidos pelo frigorífico local Da Terra. E explicou, usando outras palavras que o seu interesse é sempre privilegiar os produtos cearenses, e se alguns deles estão faltando é porque falta o entendimento. Ou seja, o que falta é o fornecedor se reunir com o seu comprador para juntos acertarem uma boa negociação. Por falar em carnes: 7% das carnes que o São Luiz vende são bovinas. “Somos o maior vendedor de filé do Nordeste; e mais: não vendemos cortes dianteiros do boi”. 

A rede pretende estender-se para outro estado? Por enquanto, não, respondeu Severino Neto, sob o argumento de que sua empresa é quase 100% dependente de sua própria logística. E mais: “Nossa prateleira é cearense.” 

O fim da jornada de trabalho 6x1 vai causar algum impacto na rede São Luiz? – indagou um dos presentes. Resposta: “Não! Já trabalhamos no regime de 12 horas de trabalho por 36 de folga”. 

CHEGAM MAIS CONTÊINERES PARA POLO AUTOMOTIVO 

Chegou nesta segunda-feira ao porto do Pecém mais um navio trazendo da China dezenas de contêineres contendo automóveis desmontados para o Polo Automotivo de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza. aqui no Ceará.  

A empresa importadora é a Pace Planta Automotiva do Ceará Ltda, que fará, como vem fazendo desde a inauguração do Polo, a montagem de cada peça desses veículos.  

Antes do desembarque, três dos contêineres que vieram da China foram vistoriados pelos fiscais da Receita Federal do Brasil, numa operação que, pela sua complexidade, teria causado atraso e prejuízo ao cronograma da unidade industrial da GM em Horizonte, de acordo com um profissional da área de importação e exportação, fonte desta informação. 

Esta coluna entrou em contato com a Receita Federal do Brasil (RFB), que transmitiu a seguinte curta e objetiva mensagem, respondendo às questões levantadas: 

“A RFB segue padrões internacionais de gerenciamento de riscos, em que a taxa de abertura de contêineres é reduzida, dada a utilização de equipamentos de inspeção não-invasiva e intenso cruzamento de dados. Todas as operações são submetidas a essas análises, ainda que as cargas não sejam inspecionadas fisicamente. 

“2. Recentemente, houve uma denúncia feita à Receita de subfaturamento de automóveis de coleção importados por colecionadores cearenses, e que teve nenhum resultado. 

“Resposta: A Inspetoria do Porto do Pecém não possui conhecimento de qualquer denúncia relacionada a esse assunto. 

“3. A operação de hoje (ontem, 2) atrasará o desembarque dos contêineres. 

“Resposta: Não há registro de operação em andamento. O fluxo de trabalho ocorre normalmente e até o momento não há conhecimento de problemas com esse tipo de importação.”