O copo está meio cheio ou meio vazio? O retrato da economia cearense no 1º trimestre

Comércio e agropecuária cearenses dão sinais de vigor, enquanto indústria e serviços enfrentam retração.

Escrito por
Allisson Martins allissonmartins@unifor.br
(Atualizado às 16:36)
Legenda: Primeiro trimestre revela uma economia cearense em ritmo desigual.
Foto: Fabiane de Paula.

O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, quando comparado com o trimestre anterior, segundo o IBGE. No acumulado do ano de 2026, ou seja, de janeiro a março de 2026 e comparando com os mesmos meses do 2025, o crescimento do PIB foi ainda maior, de 1,8%, puxado pela agropecuária (+0,7%), pela indústria (+1,6%), e também por serviços (+2,1%).

Economia do Ceará 

O IBGE ainda não publicou o PIB oficial do Ceará para o período, mas as pesquisas setoriais do instituto já permitem traçar um panorama da atividade econômica no estado. O cenário é heterogêneo: comércio e agropecuária dão sinais de vigor, enquanto indústria e serviços enfrentam retração.

Veja também

Economia cearense no 1º tri 2026

Variação acumulada no ano, em %
Setor

Variação

Comércio varejista

+4,5%

Comércio varejista ampliado

+5%

Indústria geral

-5,7%

Serviços

-4,7%

Agropecuária (cereais, leg. e oleag.)*

+89,7%

Fonte: IBGE (2026). 
* A agropecuária se refere ao Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, publicado de Abril, referente a safra de 2026, comparado com a safra de 2025.

O que dizem os dados do comércio?

O varejo cearense cresceu 4,5% no acumulado do primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2025. O comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, avançou 5%. O destaque ficou para veículos, motos e peças, com alta de 8,1%, impulsionado pelo desempenho expressivo de março (+27,1%). A exceção negativa ficou por conta do material de construção, que recuou 9,2%.

Os Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos com avanço nas vendas de 8,9% e Eletrodomésticos com crescimento das vendas de 6,9% foram atividades importantes do comércio no início do ano no Ceará.

E a agropecuária?

A safra cearense de 2026 aponta para uma recuperação expressiva. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve crescer 89,7% em relação a 2025.

O milho, principal cultura do estado, tem previsão de alta de 104%, enquanto o feijão avança 87,6%. O bom regime de chuvas no início do ano explica parte desse resultado.

ONDE ESTÃO AS FRAGILIDADES?

A indústria cearense acumulou queda de 5,7% no primeiro trimestre, na contramão do cenário nacional. Atividades como alimentos (-7,8%), têxtil (-8,9%), produtos químicos (-17,7%) e equipamentos elétricos (-31,2%) registraram retração.

Já os serviços recuaram 4,7% no acumulado. As maiores quedas vieram dos serviços profissionais e administrativos (-9,6%) e de informação e comunicação (-2,9%). Até os serviços prestados às famílias registraram recuo de 1,4%.

O QUE ESPERAR PARA O RESTANTE DE 2026?

O primeiro trimestre revela uma economia cearense em ritmo desigual. Agro e comércio sustentam a demanda interna, enquanto indústria e serviços enfrentam desafios. O aperto monetário, com a Selic em patamar elevado, pode explicar parte da retração nos setores mais sensíveis ao crédito.

Para que o Ceará mantenha o crescimento acima da média nacional — como em 2025, quando o PIB estadual avançou 2,87%, acima dos 2,3% do Brasil —, será necessário que a recuperação da indústria e dos serviços acompanhe o bom momento do campo e do varejo.

Grande abraço e até a próxima semana!

Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.