A suinocultura cearense vai bem, mas há defeitos a consertar
No Ceara, que tem o maior rebanho suíno do Nordeste, não são todos os criadores que tratam corretamente os dejetos dos animais
Um agropecuarista de pequeno porte, dono de uma fazenda na geografia da Região Metropolitana de Fortaleza, transmitiu ontem mensagem a esta coluna, aplaudindo o crescimento da suinocultura no Ceará, que, porém, “precisa desenvolver-se em obediência às boas práticas da atividade, incluindo o respeito ao meio ambiente”. Ele disse que há “os suinocultores corretos e os incorretos”: aqueles são os que compraram, instalaram e operam equipamentos que garantem o tratamento dos excrementos do rebanho suíno; os outros são “os que dão nenhuma atenção a essa elementar providência”.
A mesma fonte acrescenta, por experiência pessoal, que há criador de suíno que, na sua própria granja, executa à perfeição todas as corretas práticas de tratamento dos dejetos do seu rebanho, tendo, contudo, comportamento “absolutamente diferente quando a área de sua criação é arrendada; aí, então, tudo muda e quem perde é o dono da propriedade e a natureza ao redor dela”.
“Os fiscais da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente) estão apertando o cerco contra os maus suinocultores, que, por incrível que pareça, são também parte dos bons, pois, se fazem errado na granja arrendada, fazem bem-feito na sua própria granja, uma atitude claramente reprovável”.
Na mesma mensagem, o agropecuarista cita como bom exemplo do que chama de “suinocultura de alto padrão” a granja e o frigorífico Guaiúba, “que há 25 anos instalou e utiliza os equipamentos que separam e tratam do cocô e da urina dos porcos, evitando que eles se infiltrem no subsolo”. Ele também diz que “esses equipamentos não são caros, custam por volta de R$ 20 mil, é fácil de instalar e de operar”. E pergunta:
“Se os suinocultores do Sul e do Sudeste fazem a separação e o tratamento com máquinas e estrutura simples, por que aqui no Ceará há suinocultores que não investem nesse tratamento? Jogar no meio ambiente os excrementos de suínos é praticar um crime contra a natureza”, afirma a fonte, fazendo questão de esclarecer:
“Conheço as boas granjas da suinocultura cearense e posso afirmar, como técnico e especialista, que são elas que desenvolvem essa atividade com todos os cuidados exigidos, incluindo os relativos à defesa do meio ambiente. Mas também conheço outras granjas onde esse compromisso ambiental não existe.”
Para os que não sabem: o rebanho suíno do Ceará é estimado em 1,35 milhão de cabeças, o que coloca este estado na liderança da suinocultura regional nordestina, estando posicionado em 9º lugar no ranking nacional (o rebanho brasileiro de suínos chega a 43,9 milhões de cabeças, enquanto o rebanho do Nordeste é de 6,6 milhões de cabeças, de acordo com os Indicadores da Cadeia da Suinocultura, da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo do Estado do Ceará).
O Brasil é o quarto maior produtor e exportador mundial de carne suína, e esta posição, que se mantém no viés de alta, é produto de investimentos privados em tecnologia e inovação, incluindo a melhoria genética do rebanho e seu correto manejo.
Em alguns estados do Sul e Sudeste, como Santa Catarina, as granjas usam biodigestores que transformam os dejetos dos suínos em energia elétrica e até em biofertilizantes, da mesma maneira como o fazem as grandes fazendas agropecuárias do Centro Oeste, tornando autossustentável sua atividade.
No dia 17 de abril passado, esta coluna divulgou que a Granja Rabello, em Redenção, do empresário cearense João Ricardo Rabello Franco, foi incluída entre as 10 melhores do Brasil, em ranking elaborado pela Agriness, maior empresa de sistema de gestão de granjas de suínos do país. Essa granja cearense tem produção contínua e organizada, com a entrega semanal de 720 a 750 animais destinados ao abate, com peso médio de 110 kg vivo, garantindo padronização, escala e regularidade no fornecimento. Sobre essa granja, a mesma fonte que abriu esta coluna disse:
“Conheço bem os meninos da Granja Rabello, que é mesmo uma fazenda organizada e com boas e corretas práticas, entre as quais o cuidado com o tratamento dos dejetos. Ela é um bom exemplo da suinocultura moderna.”
BNB PROMOVE ‘CEARÁ DAY’ EM SÃO PAULO!
Novidade! O Banco do Nordeste, por meio da sua superintendência estadual no Ceará, e contando com a parceria do Governo do Estado, realizará quarta-feira, depois de amanhã, dia 20, em São Paulo, o “Ceará Day”, ou seja, o Dia do Ceará, que reunirá lideranças empresariais do Sudeste do País interessadas em fazer investimentos aqui.
Segundo a direção do BNB, o “Ceará Day” será um evento estratégico, “concebido para posicionar o estado do Ceará como um dos destinos mais promissores para investimentos de alto impacto no Brasil”. Ele reunirá investidores e líderes dos diversos setores-da economia cearense. A meta é atrair R$ 500 milhões em investimento para o desenvolvimento econômico cearense.
O “Ceará Day” pretende firmar-se não apenas como um espaço de geração de oportunidades de negócio, mas também como um facilitador na articulação entre os setores público e privado.
Representando o Banco do Nordeste estarão o seu presidente Paulo Câmara, seus diretores e a superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil. Na ocasião, os gestores do banco apresentarão as linhas de crédito da instituição à disposição dos potenciais investidores.
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