Reajuste de até 12% nos planos de saúde coletivos impacta mais de 1 milhão de cearenses
Aumento impactará o orçamento de consumidores do Hapvida e da Unimed Fortaleza.
Mais de 1,1 milhão de usuários de planos de saúde coletivos no Ceará enfrentam reajustes de até 12,28% em 2026. Os percentuais, registrados nos dois primeiros meses do ano, variam conforme a operadora e refletem a alta dos custos assistenciais. Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O levantamento, feito com base no Painel de Reajustes de Planos Coletivos da ANS, concentra-se na Hapvida e na Unimed Fortaleza por serem as operadoras com maior volume de beneficiários nessa categoria em território cearense atualmente.
Além disso, vale ressaltar que os reajustes ocorrem no aniversário do contrato de cada grupo (empresarial ou adesão) e não em uma data única.
É o número de consumidores cearenses que pagarão reajuste de até 12,28%
Veja também
Hapvida tem reajuste de 12%, e Unimed de 9,15%
O Hapvida, com 965.570 usuários em planos coletivos no Ceará, aplica um reajuste médio de 12,28% para o mercado em 2026. No histórico recente da operadora no Estado, o índice foi de 10,87% em 2025, enquanto o pico após a pandemia ocorreu em 2023, com 12,83%.
Porém, esses percentuais são os valores médios globais do plano, não sendo possível detalhar o percentual médio do Ceará somente.
Já a Unimed Fortaleza, que atende 231.523 pessoas na modalidade, estabeleceu um reajuste médio de 9,15% no Ceará para 2026. Em 2025, a operadora aplicou 11,34% no Estado, e, em 2024, registrou seu maior índice pós-pandemia, com 12,9%.
Em nota, a Unimed Fortaleza justificou que o reajuste é resultado de análises estratégicas e atuariais que avaliam fatores técnicos, como a variação de custos hospitalares e a inclusão de novas coberturas obrigatórias (leia nota na íntegra no fim da matéria).
Segundo a cooperativa, as negociações são conduzidas de forma transparente e colegiada entre suas áreas técnicas para garantir tanto a sustentabilidade e competitividade da operadora no mercado quanto a segurança e previsibilidade financeira para os contratantes.
O Diário do Nordeste também tentou contato com o Hapvida, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
O que explica o reajuste?
No Brasil, o segmento de planos coletivos reúne 568 operadoras, cerca de 18 mil planos e 44,4 milhões de beneficiários. Segundo a ANS, o reajuste médio nacional em contratos coletivos de assistência médico-hospitalar foi de 10,76% em 2025.
Nos dois primeiros meses de 2026, a média nacional registrada pela agência foi de 9,9%.
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirma que o setor busca avançar em "eficiência, gestão do cuidado, atenção primária e combate a fraudes e desperdícios".
A entidade ressalta que a "segurança jurídica e a previsibilidade regulatória são fundamentais para a sustentabilidade do sistema e para a continuidade da assistência aos beneficiários".
Porém, a entidade afrima que os reajustes "refletem a dinâmica dos custos assistenciais, ainda pressionados por fatores como a inflação médica, o envelhecimento populacional, a maior utilização dos serviços, a judicialização e a incorporação de novas tecnologias e terapias".
O cenário é mais sensível para operadoras de pequeno e médio porte, que têm menor capacidade de absorver oscilações de custos. Em 2025, esse grupo registrou, segundo a Abramge, resultado operacional negativo de cerca de R$ 200 milhões, com 45% das operadoras com prejuízo, no Brasil.
Reajuste gera impacto no planejamento familiar
Eldair Melo, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon Ceará), afirma que "o País enfrenta um cenário de pressão estrutural nos custos da saúde suplementar".
Conforme o economista, o aumento decorre de inflação médica, custos hospitalares, utilização dos planos após a pandemia, envelhecimento populacional e incorporação de tecnologias.
Melo destaca que "em muitos lares, o plano de saúde já figura entre as três maiores despesas fixas do orçamento doméstico, ao lado da moradia e da alimentação".
Ele aponta um "efeito de estrangulamento financeiro", para o consumidor, pois o custo da saúde avança em ritmo superior ao reajuste salarial.
De acordo com Melo, uma família com mensalidade de R$ 2 mil que receba um reajuste de 12% a 15% terá um impacto anual superior a R$ 2 mil no orçamento.
"Esse cenário motiva a migração de consumidores para modelos como redes de consultas populares e cartões de benefícios", exemplifica o especialista.
Melo orienta que o consumidor deve "revisar o contrato do plano e entender exatamente quais tipos de reajuste estão sendo aplicados" e "pesquisar portabilidade e concorrência", caso seja uma opção trocar de operadora.
Ele sugere ainda a avaliação de planos com coparticipação e a criação de uma reserva de emergência para despesas médicas.
Direitos do consumidor
Anne Caroline da Fonseca, integrante da Associação Cearense de Defesa do Consumidor (Acedecon), ressalta o cumprimento das normas jurídicas existentes em contratos.
"A questão dos reajustes nos planos de saúde deve, obrigatoriamente, observar os princípios do Código de Defesa do Consumidor, especialmente no que tange à transparência".
A especialista declara que "a operadora deve apresentar de forma clara e detalhada os motivos e a forma de cálculo do reajuste, incluindo a taxa de correção aplicada e a porcentagem efetiva do aumento".
Anne ainda orienta que, em casos de discordância, o usuário deve buscar órgãos de proteção ao consumidor para analisar a legalidade do aumento.
Leia nota da Unimed
"A Unimed Fortaleza informa que o painel de reajustes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), atualizado com dados de 2026, registra um índice médio de 9,15% para seus contratos coletivos, percentual que se destaca positivamente frente à média de mercado. O dado reflete os reajustes aplicados pela cooperativa e reportados mensalmente à agência, em cumprimento às obrigações regulatórias.
Nos contratos coletivos com mais de 29 vidas, a média de reajuste registrada foi de 7,56%. Já nos contratos com menos de 29 vidas, a média ficou em 13,84%, seguindo as especificidades de cada modelo regulatório adotado pela ANS.
Segundo a Unimed Fortaleza, o índice é resultado de fatores técnicos e estratégicos, como a variação de custos hospitalares, novas coberturas obrigatórias e projeções atuariais de despesas. Essa análise assegura a sustentabilidade da operadora e sua competitividade no mercado, aplicando o modelo de livre negociação a toda a carteira coletiva de contratos acima de 29 vidas. Já os contratos com menos de 29 vidas seguem a regra do agrupamento de contratos, mais conhecido como reajuste do pool de risco.
O processo é fundamentado por subsídios técnicos de áreas da Unimed Fortaleza como Atuarial, Relacionamento Corporativo e Relacionamento com a ANS. Essas frentes conduzem as negociações de forma estratégica, colegiada e transparente, garantindo segurança e previsibilidade para todos os contratantes".