Air France terá 1/3 dos voos no Brasil pelo Nordeste e projeta crescer mais

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Igor Pires igor.aer.ita@gmail.com
Legenda: Fortaleza liderará o número de operações na malha do Nordeste ao final do ano e início de 2027.
Foto: Renato Bezerra

O Nordeste responderá por 33% de todas as operações da Air France no Brasil até o fim deste ano, com 14 voos semanais. A região é o centro das projeções de crescimento da companhia no País, que afirma que 2026 marca sua maior operação histórica no Brasil.

Fortaleza liderará o número de operações na malha do Nordeste ao final do ano e início de 2027 (pico da alta temporada), quando atingirá 7 frequências semanais.

Os dados foram apresentados por Manuel Flahault, diretor-geral da Air France-KLM para a América do Sul, em coletiva de imprensa. Além de Paris, Fortaleza conta com voos para Caiena (Guiana Francesa), inaugurados em 2025, e recebe um voo semanal oriundo de Caiena com conexão de Belém.

Segundo a empresa, o crescimento de assentos no Brasil entre 2023 e 2026 é de 16% no grupo e de 29% apenas na Air France.

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Incremento

Desde outubro de 2024, na alta estação de fim de ano, Fortaleza e Salvador passaram a receber até 5 voos semanais. A partir do final de junho, Fortaleza amplia as frequências para 4 semanais, chegando a 7 até meados de janeiro.

No 1º trimestre, os trechos Fortaleza-Paris e Salvador-Paris registraram ocupação média próxima a 95%, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O trecho de volta, de Paris para Salvador e Fortaleza, registrou média de 60% em março, sazonalidade já conhecida pela companhia.

Além do crescimento orgânico da demanda, o conflito no Oriente Médio levou a Air France a ampliar voos na América do Sul, incluindo Fortaleza.

Flahault avaliou ainda que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve contribuir para o aumento de voos.

"Todo incremento de intercâmbio entre as regiões será positivo para aumentar voos", disse.

Salvador suspensa apesar de aviões cheios

Salvador opera até 5 voos semanais para Paris na alta estação, com ocupação no sentido Brasil-França também próxima a 95% no 1º trimestre.
Ainda assim, a companhia suspendeu as operações na baixa estação por limitação de aeronaves, sazonalidade desfavorável e menor volume de carga na Bahia.

Avião parado.
Foto: @john Alysson

Questionado sobre a possibilidade de Fortaleza e Salvador manterem ao menos 4 ou 5 frequências semanais na baixa estação após a temporada 2026-2027, Flahault não deu confirmação, mas informou que haveria aumento gradativo.

"Haverá cada vez mais períodos com 4, 5 voos semanais, sustentáveis, de maneira sustentável", afirmou.

De olho no passageiro premium

A Air France aposta no passageiro de cabines superiores como eixo central de sua estratégia de crescimento no Brasil. A companhia projeta elevar a participação de assentos em Business e Premium de 21% para 25% até 2030, segundo Flahault.

Toda a operação do Nordeste para a Europa utiliza aeronaves de fuselagem larga, com dois corredores. A Iberia, recém-chegada a Fortaleza e Recife, opera com o Airbus A321XLR, de corredor único.

No mesmo período, a companhia prevê que 81% da frota seja composta por aeronaves de nova geração, como o Boeing 787-9 e o Airbus A350. Hoje esse percentual é de 36%, com o Boeing 777 ainda predominando nas rotas de longo curso.

Segundo a companhia, 50% da frota já opera com tecnologia Starlink, com previsão de chegar a 91% até o fim de 2026 e 100% até maio de 2027. O serviço é gratuito para membros do programa Flying Blue em todas as classes.

As aeronaves de nova geração são mais eficientes em peso e contam com motores mais modernos, o que pode ampliar a oferta de assentos à medida que os custos da Air France-KLM diminuam.

Além disso, oferecem mais conforto em silêncio operacional e condições de pressurização mais próximas às do nível do mar.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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