Quanto custou a produção de 'O Agente Secreto', filme indicado ao Oscar 2026

Produção brasileira teve recursos públicos e privados divididos entre quatro países.

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* paulo.maciel@svm.com.br
Duas pessoas trabalhando com câmera de filmagem em um set de gravação, um delas conversando com o outro, ambiente interno.
Legenda: Filme não usou incentivos da Lei Rouanet.
Foto: Laura Castor/Divulgação.

Indicado ao Oscar 2026, o filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, teve um orçamento de R$ 28 milhões para ser produzido.

Conforme a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o montante foi dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda.

A parte brasileira foi de R$ 13,5 milhões, dos quais R$ 7,5 milhões saíram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), ligado à Ancine, via edital aprovado em 2023.

O resto do orçamento veio de aportes privados, como a Condecine, uma taxa paga por empresas do setor audiovisual, como emissoras de TV e exibidores.

Também integraram essa parcela valores provenientes do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), e receitas associadas a concessões, segundo informações do g1.

A comercialização do filme custou cerca de R$ 4 milhões. Desses, o FSA contribuiu com R$ 750 mil. Já os outros R$ 3 milhões foram provenientes da Lei do Audiovisual.

Essa legislação permite que pessoas físicas e jurídicas destinem parte do Imposto de Renda a obras audiovisuais selecionadas pela Ancine. Em troca, essas pessoas e empresas recebem até 6% de isenção.

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Filme não foi financiado pela 'Lei Rouanet'

Ao contrário do que alguns posts pela Internet afirmam, "O Agente Secreto" não recebeu qualquer valor da Lei Federal de Incentivo à Cultura, também conhecida como "Lei Rouanet".

Isso porque essa lei não abrange projetos de longa-metragens. No campo do audiovisual, só há aporta para festivais de cinema, documentários e curta/média metragem.

O papel da Lei Rouanet é voltado à promoção da cultura no Brasil. Para isso, o governo renuncia uma parte da arrecadação de impostos para fomentar atividades culturais.

Também é importante salientar que a lei não prevê o repasse direto de valores do governo a um artista, mas, sim, a autorização para captação de recursos no mercado, dividida entre municípios e estados.

Conforme as regras, podem captar recursos via Lei Rouanet projetos de:

  • Artes cênicas: teatro, dança, circo, ópera e mímica.
  • Música: concertos sinfônicos, música instrumental, erudita, canto coral e música popular.
  • Artes visuais: exposições de pintura, escultura, fotografia, design, artes gráficas e grafite.
  • Humanidades: literatura, edição de livros, feiras literárias e incentivo à leitura.

Como funciona o Fundo Setorial do Audiovisual?

Criado pela Lei nº 11.437, de 28 de dezembro de 2006, o Fundo Setorial do Audiovisual é um programa de apoio e investimentos na criação audiovisual brasileira.

A distribuição dos recursos surge, principalmente, por meio de chamadas públicas com critérios específicos.

Esses critérios avaliam a qualidade da obra, os profissionais envolvidos, o impacto cultural do projeto, o potencial comercial do filme e a adequação do orçamento às necessidades do filme.

O edital vencido por "O Agente Secreto" buscava apoiar produções independentes destinadas às salas de exibição de cinema também por distribuidoras independentes.

*Estagiário sob supervisão do jornalista Felipe Mesquita

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