Conheça os artistas que já recusaram o Oscar

Prêmio já foi rejeitado por atores de grande sucesso em Hollywood.

Escrito por
Paulo Roberto Maciel* paulo.maciel@svm.com.br
Cena de filme clássico com atores em traje formal, com expressão séria, destacando-se o personagem principal em um ambiente com luzes brilhantes ao fundo.
Legenda: Para alguns artistas, recusar a maior premiação do cinema mundial é um ato de resistência.
Foto: Divulgação.

Para muitos artistas, receber um Oscar é a comprovação mais aclamada de um bom trabalho. Em quase 100 anos de história, a premiação norte-americana é aguardada todos os anos por quem gosta de cinema, e está ansioso para saber qual filme ou profissional foi o mais celebrado daquela edição.

Porém, já houve casos de indicados, e até vencedores, que não se sentiram honrados em receber a estatueta dourada. Pelo contrário, decidiram devolver ou nem mesmo compareceram ao evento.

A um mês da edição de 2026, o Diário do Nordeste vai relembrar casos de profissionais da indústria cinematográfica que rejeitaram o Oscar, e que não parecem ter se arrependido.

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Dudley Nichols, em 1936

O roteirista Dudley Nichols foi a primeira pessoa a recusar o Oscar, em 1936. Ele recebeu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por "O Denunciante", filme de John Ford.

A recusa aconteceu, pois Nichols era co-fundador do Sindicato dos Roteiristas de Hollywood, que na época protagonizava disputas com os estúdios. Para ele, aceitar o prêmio era virar as costas para os interesses da categoria.

Homem de terno com cabelo ondulado sentado em uma mesa com documentos, sorrindo durante uma conversa, ambiente de escritório com cortinas ao fundo.
Legenda: Dudley Nichols também escreveu os filmes "A Patrulha Perdida", "O Delator" (1935) e "Sacrifício de uma Vida" (1946).
Foto: Reprodução.

George C. Scott, em 1962 e 1971

26 anos após Nichols rejeitar o Oscar, o polêmico ator George C. Scott repetiu o feito do roteirista. Em 1962, ele foi nomeado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por "Desafio à Corrupção" (1961), filme de Robert Rossen, mas afirmou não ter interesse de receber o prêmio.

No fim, a estatueta ficou com George Chakiris por "Amor, Sublime Amor" (1961). É válido mencionar que na edição anterior Scott também foi indicado, mas não se opôs à premiação.

Cena de um filme clássico em preto e branco com um homem de terno conversando com uma mulher segurando uma xícara de chá em um café ou bar
Legenda: George C. Scott com Geraldine Page, em 1959
Foto: Reprodução/NBC TV

Essa não foi a única vez que George Scott rejeitou o Oscar. Nove anos depois, ele foi indicado novamente, dessa vez a Melhor Ator, por "Patton - Rebelde ou Herói?", por Franklin J. Schaffner. Mas, diferente da vez anterior, ele ganhou a estatueta.

Mesmo assim, Scott não foi à cerimônia, e o produtor do filme, Frank McCarthy, também premiado na noite com o Oscar de Melhor Filme, subiu ao palco para representar o ator. No dia seguinte, atendendo a um pedido de George, Frank devolveu o Oscar à academia.

Segundo o ator, o Oscar é um desfile criado em virtude de interesses econômicos, que não representava verdadeiramente a sétima arte.

Marlon Brando, em 1973

A recusa mais lembrada aconteceu há 53 anos, em 1973. Nessa edição, Marlon Brando venceu como Melhor Ator pela sua interpretação de Don Vito Corleone no clássico "O Poderoso Chefão", de 1972.

Ao contrário do que muitos esperavam, Marlon não compareceu ao evento, e decidiu transformar a honra em um espaço para uma mensagem universal.

Quando o nome do ator foi anunciado, quem subiu em seu lugar foi a ativista pelos direitos dos índios americanos, Sacheen Littlefeather. Ela afirmou que Marlon datilografou longas páginas sobre o tema, mas sabia que não teria tempo de ler tudo.

"E as razões para isso são o tratamento dos indígenas americanos pela indústria cinematográfica [o público começa a vaiar] – com licença – e na televisão, em reprises de filmes", disse Littlefeather.

Esse ocorrido foi o responsável pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas criar a regra que proíbe alguém de receber o prêmio por um vencedor, caso ele não estivesse presente na cerimônia de premiação.

Em 2022, a Academia pediu desculpas à Littlefeather pela maneira como ela foi tratada pela imprensa e pela própria instituição. "O abuso que você sofreu por causa dessa declaração foi injustificado e injustificado", escreveu o ex-presidente da Academia David Rubin em uma carta à ativista.

*Estagiário sob supervisão do jornalista Felipe Mesquita

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