De mudança para o CE, Filho do Piseiro revela como surgiu o 'grave médio de boca'
Cantor do Amazonas é nova aposta musical de produtora cearense.
Nome em alta nas plataformas de música, o amazonense Everton da Silva — o cantor Filho do Piseiro — afirmou que uma das marcas dele presente no repertório nasceu de forma espontânea: a capacidade de imitar com a própria voz o grave de uma caixa de som, recurso que passou a usar nas apresentações e que ganhou repercussão nas redes sociais.
Em entrevista à coluna, o artista de 23 anos contou como desenvolveu a técnica, relembrou o início da carreira cantando em igreja e falou sobre a mudança para Fortaleza para investir na carreira profissional.
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O artista contou que descobriu a aptidão para cantar ainda na infância, quando tinha cerca de cinco anos de idade. A primeira experiência aconteceu em um culto religioso.
Quando eu descobri que sabia cantar, eu tinha 5 anos. Fui convidado para um culto na igreja e comecei a cantar no coral com as crianças
Segundo ele, a voz se destacava entre os outros participantes, o que despertou o interesse pela música ainda cedo.
Com o passar dos anos, o cantor passou a se apresentar em reuniões familiares, festas e eventos escolares. Durante a adolescência, também cantava com colegas em momentos de intervalo na escola.
"A gente se reunia no horário do almoço, um tocava violão, outro levava algum instrumento improvisado, e eu cantava. Foi ali que fui percebendo que queria ser cantor", disse.
Escova de cabelo virou 'microfone'
Um dos episódios marcantes do início da trajetória aconteceu durante uma festa de família no Natal. O cantor contou que se apresentou no aniversário da avó usando uma escova de cabelo como microfone improvisado.
"Peguei uma escova de cabelo e comecei a cantar a noite todinha. O pessoal ficou incentivando e dizendo que eu tinha futuro", relembrou.
No dia seguinte, o tio decidiu ajudar o artista a dar os primeiros passos na música e entregou dinheiro para comprar instrumentos. "Meu tio me deu mil reais para comprar um violão, microfone e os cabos. A caixa de som ele já tinha e me deu a dele", afirmou.
Mesmo sem saber tocar violão, o cantor prometeu aprender rapidamente. "Eu disse a ele: ‘Tio, me dê um mês. Em um mês, eu vou aprender a tocar, montar repertório e começar a cantar", contou. Segundo o artista, após 30 dias de treino conseguiu montar um repertório com mais de 50 músicas.
Primeiro show teve chuva e falta de energia
A estreia em um evento no interior aconteceu pouco tempo depois. Durante a apresentação, uma forte chuva atingiu o local e interrompeu o fornecimento de energia.
Caiu um toró muito forte e a energia acabou. Aí eu disse: ‘Puxa uma cadeira e bora fazer uma roda’. Fiquei cantando só no violão mesmo”, relatou.
A reação do público foi positiva e ajudou a consolidar a decisão de seguir na carreira musical.
O 'grave' criado com a boca
Uma das características mais conhecidas do cantor é o som que reproduz com a boca, semelhante ao grave de caixas de som utilizadas em apresentações de piseiro.
Ele explicou que começou a testar a técnica após assistir a vídeos de um criador que ficou conhecido pelo apelido de "Boca de Médio" que fazia batidas vocais. “Eu vi um cara que fazia um som de médio grave com a boca. Achei legal e comecei a aperfeiçoar. Fui treinando até conseguir fazer igual a uma caixa de som”, disse.
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Hoje, o recurso passou a fazer parte das apresentações. “A galera achou massa quando comecei a usar no meio das músicas. Virou uma marca minha”, afirmou.
Além disso, ele também aplica o chamado “swing de gogó”, inspirado no movimento do fole da sanfona. “É como se fosse o balanço da sanfona. Eu faço com a voz e dá um efeito diferente no forró”, explicou.
Mudança para Fortaleza
O cantor também falou sobre o processo de profissionalização da carreira. Segundo ele, o trabalho passou a ser organizado com ajuda de assessoria e produção. Ele teve grande apoio do influenciador Wylker Ferreira, conhecido pelo perfil de forró "Vídeos Musicais".
Recentemente, ele se mudou para Fortaleza após firmar parceria com a produtora Elite Music, empresa de Wagner Barbosa — nome que atuou em carreiras de artistas como Mari Fernandez, entre outros nomes.
“Deixei família em Manaus, deixei minha filha, mas aqui eu fui muito bem acolhido. Eles me tratam como família”, afirmou Filho do Piseiro.
Shows e próximos projetos
Durante o último Carnaval, o cantor afirmou ter realizado apresentações em diversas cidades, algumas com grande público. “Teve show para mais de 30 mil pessoas em Catolé do Rocha, na Paraíba. Eu não tinha noção do quanto era amado pelo público”, disse.
Entre os próximos projetos, ele confirmou participação na gravação do DVD de Cláudio Ney e Juliana. “Vou participar da gravação do DVD deles e lançar uma música inédita junto. Para mim é uma realização, porque sou muito fã dos dois", afirmou.