Amber Heard diz que Johnny Depp a agrediu sexualmente durante gravações de 'Piratas do Caribe'

Atriz afirma que o ex-marido ameaçou cortá-la com uma garrafa

Escrito por Diário do Nordeste/AFP,

Zoeira
ao fundo, amber e depp
Legenda: Depp processa Heard por um artigo de opinião no qual a atriz se descreveu como uma "figura pública que representa o abuso doméstico"
Foto: Jim Lo Scalzo/AFP

A atriz Amber Heard disse que o ex-marido, Johnny Depp, a agrediu sexualmente e ameaçou "cortar" sua cara com uma garrafa quebrada durante uma discussão um mês após o casamento, em 2015.

A atriz de "Aquaman", de 36 anos, fez várias denúncias de abusos físicos e sexuais pelo protagonista de "Piratas do Caribe", nesta quinta-feira (5), segundo dia dela no banco das testemunhas no julgamento em curso nos arredores de Washington.

Heard deu sua versão sobre um incidente que teria ocorrido em março de 2015, na Austrália, onde Depp, de 58 anos, filmava o quinto capítulo da franquia. Já Depp havia testemunhado no julgamento que uma "furiosa" Heard foi a agressora na discussão e cortou a ponta de um de seus dedos com uma garrafa de vodka.

A atriz disse que confrontou Depp por sua forma de beber e ele a desafiou a retirar dele uma garrafa. "Eu peguei e joguei no chão entre nós", contou ela. "Isso realmente o enfureceu", disse, acrescentando que Depp arremessou contra ela latas e garrafas.

"Em algum momento ele colocou uma garrafa quebrada no meu rosto, na área da garganta, na linha da mandíbula e disse que cortaria minha cara", lembrou.

Com a voz embargada, Heard afirmou que Depp arrancou sua roupa e a agrediu sexualmente com uma garrafa. "Johnny colocou a garrafa dentro de mim", enquanto ameaçava matá-la, disse. A agressão com a garrafa tinha sido relatada no julgamento, na última terça-feira (3), pela psicóloga da atriz.

Segundo ela, na manhã seguinte, descobriu que Depp havia usado seu sangue, comida e tinta para escrever mensagens "incoerentes" em todas as superfícies da casa.

Na audiência, Heard também acusou Depp de esbofeteá-la e chutá-la em um avião enquanto estava bêbado, depois de acusá-la de ter um caso com o ator James Franco. "Eu me senti envergonhada", declarou Heard ao júri. "Era a primeira vez que passava por algo assim", acrescentou, à beira das lágrimas.

Depp nega acusações

Durante os quatro dias que passou prestando depoimento, Depp negou as agressões físicas e garantiu que a ex-mulher era a parte violenta da relação.

Já a atriz deu detalhes sobre o uso contínuo de drogas e álcool do ator e seus esforços recorrentes para ficar sóbrio durante o relacionamento. Contou que um segurança uma vez teve que carregar Depp inconsciente em seus braços "como um bebê" até sua casa alugada em Londres.

"Lembro de pensar que tinha que ser isso. Fiquei animada ao sentir que estávamos em um novo capítulo, que Johnny finalmente tinha atingido o fundo do poço", disse. Mas apesar de "um milhão de promessas de ficar limpo e sóbrio", da terapia de casal e dos esforços de reabilitação, Depp sempre voltava a beber e usar maconha e cocaína.

Julgamento

Depp processa Heard por um artigo de opinião publicado no jornal Washington Post em dezembro de 2018, no qual a atriz se descreveu como uma "figura pública que representa o abuso doméstico". 

Heard não mencionou Depp no artigo, mas o ator a processou por insinuar que era um abusador e pede 50 milhões de dólares em perdas e danos.

A atriz contra-processou, pedindo 100 milhões de dólares e alegando que sofreu "violência física e abusos desenfreados".

Os advogados de Depp levaram especialistas que testemunharam que o ator perdeu milhões devido às alegações de abuso, incluindo 22,5 milhões de dólares pelo sexto filme da franquia "Piratas do Caribe".

O ator iniciou o processo contra Heard nos Estados Unidos após perder outro caso por difamação em Londres, em novembro de 2020, que apresentou contra o tabloide britânico The Sun por chamá-lo de "golpeador de esposas".

Depp, três vezes indicado ao Oscar, e Heard se conheceram em 2009 no set do filme "Diário de um Jornalista Bêbado" e se casaram em fevereiro de 2015. O divórcio foi finalizado dois anos depois.