Cearense vence Covid-19 após falência de órgãos e recebe alta: “tenho duas datas de nascimento”

O fisioterapeuta ficou cerca de 70 dias internado no Hospital Regional do Cariri (HRC) chegando a apresentar 95% do pulmão comprometido

Paciente recuperado da Covid-19 no Ceará
Legenda: O paciente recuperado da Covid-19 agora conta com o apoio do Programa de Atendimento Domiciliar (PAD) do Hospital Regional do Cariri (HRC) para reduzir as sequelas deixadas pela doença
Foto: Arquivo pessoal

Se 6 de agosto de 1970 é a data que consta na certidão de nascimento de Ilo Terceiro Alcantara, 50 anos, o fisioterapeuta agora percebe que pode acrescentar uma segunda logo abaixo após nascer de novo no dia 12 de julho de 2021.

Esse foi o dia que recebeu alta depois de aproximadamente dois meses internado com Covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional do Cariri (HRC). "Posso dizer com certeza que eu tenho duas datas de nascimento”, declara ao relembrar os desafios enfrentados desde sua entrada no hospital, em 3 de março.

Apesar de ter pouca memória durante os mais de 70 dias de internação, o morador do município Crato aponta que seu maior medo foi não regressar para casa, deixando órfã a filha de 6 anos, Anna Letícia. 

Da internação até o reencontro, o caminho para o abraço foi difícil. Depois de chegar no hospital com falta de ar, Ilo apresentou comprometimento pulmonar de 95%, falência de múltiplos órgãos, dentre eles os rins, febre, anemia e até choque circulatório, detalha a esposa, Elizângela Santos, 36 anos.

Foi uma alegria enorme sair do hospital e a saudade era imensa. Pensava muito em rever a minha filha, receber o abraço, porque tinha medo mesmo de não sair, de deixar a família.
Ilo Alcantara
Atuante no Marketing Digital
 

A volta em casa foi marcada pela emoção da família e o carinho do acolhimento. Palmas se misturaram ao som da ambulância, sorrisos se esconderam atrás das máscaras e lágrimas escaparam sem permissão. 

“Acho que Deus tem sempre um propósito. Se ele permitiu que eu ficasse, foi porque existe um propósito”, pondera Ilo. 

Legenda: Após mais de dois meses lutando contra a Covid-19, a volta em casa foi marcada pelo carinho e acolhimento da família
Foto: Divulgação/ Raquel Oliveira do Hospital Regional do Cariri (HRC)

Recuperação após regressar ao lar

Durante sua internação, os médicos tentaram vários tipos de medicamentos para combater a doença. “Chegou a usar todos os esquemas de antibióticos do mundo e somente no último que começou a responder”, explica Elizângela, que atua como técnica de enfermagem no HRC

Agora que retorna o lar, o fisioterapeuta inicia uma nova batalha ao tentar recuperar a força e os movimentos dos braços e pernas. Para isso conta com o apoio do Programa de Atendimento Domiciliar (PAD) do HRC, que envia uma equipe multidisciplinar para acompanhar o paciente e ajudar na redução dos danos das sequelas

Está sendo muito difícil essa recuperação, porque na verdade estou praticamente tetraplégico, não tenho quase nenhum movimento, mas vou fazer fisioterapia para recuperar.
Ilo Alcantara
Fisioterapeuta

Ilo receberá o primeiro atendimento ainda nesta quarta-feira (14). A equipe deve ser composta por médico, fisioterapeuta, enfermeiro e nutricionista, detalha a esposa. 

Gratidão ao suporte

Para Elizângela, o período do marido no Hospital Regional do Cariri (HRC) foi marcado por um misto de receio e esperança. Apenas um dia antes de Ilo precisar ir ao hospital, em 2 de julho, a técnica de enfermagem retornara de uma semana internada por conta da mesma doença.

O seu caso não resultou em sintomas graves, já que havia recebido a vacina contra Covid-19 ainda em fevereiro deste ano. No entanto, Ilo não havia sido imunizado e, ao ser infectado pela primeira vez para o novo coronavírus, apresentou complicações. 

O que me matava eram os dias que eu ficava longe dele. Ainda fiquei afastada uma semana sem poder ver, esperando que o povo falasse como estava. No dia que voltei a trabalhar e vi ele, soube que ia dar certo.
Elizângela Santos
Técnica de Enfermagem

Após meses acompanhando de perto a dureza da linha de frente da Covid-19, a técnica de enfermagem não conseguia conter a angústia por precisar estar longe de quem seu companheiro por quase uma década. 

Nessa caminhada, compartilha que o apoio de colegas, familiares e profissionais de saúde do HRC e até do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi essencial para lhe dar forças. “Eu tenho realmente uma segunda familia”, afirma. 

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