Ceará não registra Síndrome de Trombose em gestantes vacinadas contra Covid-19 com AstraZeneca

As gestantes e puérperas vacinadas com o imunizante da AstraZeneca/Oxford devem procurar atendimento em caso de sintomas graves entre o 4º ao 28º dia após aplicação, recomenda Sesa

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
01 de Junho de 2021 - 16:40 (Atualizado às 16:47)
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Legenda: Eliane vive a gestação em meio à pandemia após nove anos tentando engravidar
Foto: Arquivo pessoal

Após nota de alerta da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) sobre a suspensão da vacina contra Covid-19 do laboratório AstraZeneca, divulgada na última sexta-feira (28), a atenção acerca das reações graves em gestantes e puérperas foi intensificada. Até o momento, o Ceará não registra casos suspeitos de Síndrome de Trombose com trombocitopenia em decorrência dessa vacinação em gestantes, aponta Sesa.

Em meio a esse cenário, as mulheres grávidas contempladas com o recebimento da primeira dose do imunizante AstraZeneca/Oxford, no começo de maio, relatam somente reações leves, como febre e dor de cabeça no dia posterior à aplicação. No momento, o alívio pelo recebimento da vacina se sobrepõe aos medos de complicações. 

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

No caso da publicitária Ana Luiza Ribeiro, 32 anos, a primeira dose foi aplicada no dia 8 de maio, não apresentando nenhuma reação à vacina, além da dor no braço pela vacina. Como o reforço está previsto para agosto, mês de nascimento do bebê, seguirá a recomendação do Ministério da Saúde de ser imunizada somente após 45 dias do parto. 

Nunca tive nenhum receio. Fora o isolamento social, sempre acreditei que a vacina era a única opção que podia me proteger desse vírus, então estava ansiosa para chegar a minha vez de ser imunizada. O processo foi bem tranquilo e fiquei muito aliviada depois que tomei.
Ana Luiza Ribeiro
Gestante

Segundo Ana, o sonho de ser mãe floresceu durante a pandemia, em que a reflexão sobre a vida e a morte se tornou mais presente. “Ver tantas vidas indo embora me fez refletir sobre como o nosso tempo é curto e temos que aproveitar cada momento, então resolvemos tentar”

Infelizmente, o casal perdeu a primeira gestação em outubro do ano passado. “Foram tempos difíceis, mas logo em dezembro recebemos novamente um presente de Deus, que foi o nosso Davi”, coloca. Com 7 meses de gestação, coloca que o medo de viver a gravidez na pandemia tem sido compensado pelo sonho de ver o filho saudável e imunizado.

A gestante Ana Luiza não sentiu nenhum efeito depois da vacinação contra Covid-19 com o imunizante AstraZeneca/Oxford
Legenda: A gestante Ana Luiza não sentiu nenhum efeito depois da vacinação contra Covid-19 com o imunizante AstraZeneca/Oxford
Foto: Arquivo pessoal

Vacinação AstraZeneca

Conforme a orientação da Anvisa, a vacina de Oxford deve ser seguida pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), com a aplicação realizada somente depois de avaliação médica dos riscos e benefícios parao paciente. 

A Sesa recomenda a busca por atendimento médico caso gestantes e puérperas apresentem reações mais intensas entre o 4º ao 28º dia após a vacinação contra Covid-19 com imunizante da AstraZeneca/Oxford. Dentre os sintomas listados estão:

  • Falta de ar; 
  • Dor no peito
  • Inchaço na perna; 
  • Dor abdominal persistente;
  • Sintomas neurológicos, como dor de cabeça persistente e de forte intensidade ou visão borrada; 
  • Pequenas manchas avermelhadas na pele, além do local em que foi aplicada a vacina.

Além disso, conforme uma pesquisa realizada pela Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças (KDCA), a vacina da AstraZeneca apresenta eficácia de  86% na prevenção da infecção pelo menos duas semanas após a administração da primeira dose, segundo dados da Agência Reuters.

Riscos de trombose

Segundo a ginecologista e obstetra, Mayna Moura, a vacinação contra Covid-19 deve ser realizada em todas as gestantes, uma vez que os riscos da doença podem se tornar potencialmente mais graves para o grupo.

Em relação aos riscos da Síndrome de Trombose, a médica explica que essa propensão já é presente em mulheres gestantes. No caso de uma reação grave após a vacinação, analisa as chances como reduzidas, de 1 ocorrência para cada 250 mil pessoas vacinadas. 

Entre 15 a 18% das mulheres gestantes podem apresentar esse tipo de evento, mesmo sem nenhuma doença, só por ser gestante e pelas mudanças hormonais causadas pela gravidez.
Dra. Mayna Moura
Obstetra

Da mesma forma, ginecologista da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), Dra.Denise Cordeiro reforça que durante a gravidez e o puerpério, as mulheres possuem maior risco de eventos tromboembólicos.

"Grávidas apresentam um risco quatro vezes maior de desenvolver tromboembolismo que a não gestante. O risco de trombose na gestação é relatado como  5,7 eventos por 10 mil partos", detalha. Acrescenta ainda que, até o momento, não foi observado o registro de aumento de trombose em gestantes vacinadas. 

Receios com o imunizante

Foi devido ao sonho de ser mãe que a professora Eliane dos Anjos, 30 anos, passou os últimos nove anos tentando engravidar. Para ela, a gestação tem sido a maior realização de sua vida, desejando que seu bebê não só cresça com saúde, como possa ter vivências simples e marcadas por aventuras. 

Por conta dos anos de tentativa somados aos cuidados na pandemia, a mãe ficou receosa de receber a primeira dose da AstraZeneca, vacina contra Covid-19, no dia 7 de maio. 

Quando soube que ia tomar a AstraZeneca fiquei um pouco desconfortável, pois já tinha ouvido falar em alguns efeitos colaterais. No meu caso, fiquei febril durante a noite e no dia seguinte tive apenas dor de cabeça.
Eliane dos Anjos
Professora

Apesar dos sintomas, não apresentou reações graves entre o período de 4 a 28 dias após a aplicação. Agora, mesmo tendo recebido a dose, mantêm os cuidados de prevenção contra o novo coronavírus. “Só saio de casa pra ir a consultas, pré-natal e fazer exames e sempre usando máscara”, coloca. 

Companhia para a irmã

Já a gravidez da pedagoga e empresária Aline Nogueira, 27 anos, veio após incontáveis pedidos da filha mais nova, Melina, 4 anos, de ter um irmão. “A minha gravidez não foi 100% planejada, não planejada nessa situação de pandemia, mas em novembro, descobri que estava grávida. Foi uma surpresa boa”, coloca.

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Assim como Ana e Eliane, Aline foi vacinada no início de maio, dia 10. Pela noite apresentou febre e outros sintomas, como náusea e tontura.

“Mas tudo estava dentro do esperado. Me assustou um pouco, mas como estava sendo acompanhada pelo meu obstetra, fiquei bem tranquila”, diz.

Mesmo após primeira dose, Aline mantém todos cuidados do início da pandemia, como uso de máscara e o respeito ao distanciamento social
Legenda: Mesmo após primeira dose, Aline mantém todos cuidados do início da pandemia, como uso de máscara e o respeito ao distanciamento social
Foto: Arquivo pessoal

Faltando menos de um mês para o nascimento de Benício, Aline vive momentos de felicidade e alívio por ter recebido a primeira dose, mantendo os mesmos cuidados do início da pandemia, como uso de máscara e o respeito ao distanciamento social. 

“A expectativa está em alta. A Melina está muito ansiosa para a chegada do irmão. Nesse momento vai ser uma companhia, uma coisa a mais na rotina dela. Desejamos muita saúde, que ele chegue logo, esteja bem e que a gente esteja em casa, em segurança”, finaliza. 

 

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