Ministério da Saúde decide suspender temporariamente vacina AstraZeneca em gestantes e puérperas

Caso de efeito adverso grave que levou a óbito de uma grávida e o feto é investigado

Gestante sendo vacinada contra a Covid-19 em Fortaleza
Legenda: Vacinação de gestantes pode continuar com aplicação da Pfizer e da CoronaVac
Foto: Camila Lima

A vacinação de gestantes e puérperas com a AstraZeneca está temporariamente interrompida no Brasil, segundo decisão do Ministério da Saúde (MS). Suspensão da aplicação do imunizante foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa (Anvisa), após suspeita de efeito adverso que causou óbito de grávida e feto.

A aplicação dos demais imunizantes em uso no País (CoronaVac e da farmacêutica Pfizer) segue liberada. Segundo o anúncio do Ministério, a recomendação é somente vacinar grávidas com comorbidades, ou seja, doenças pré-existentes, até que novos posicionamentos sejam emitidos. 

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) anunciou que seguirá a recomendação do Ministério. Assim, a suspensão da aplicação da AstraZeneca em grávidas e puérperas segue até novo posicionamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

"O PNI e o Ministério estão agindo por cautela. E assim deve ser feito quando a gente está em estágio inicial de estudo, com uma doença nova", pontuou Raphael Câmara Medeiros, titular da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), durante entrevista coletiva da Pasta na noite desta terça-feira (11).

Segundo o ministério, eventos adversos de vacinas contra o coronavírus são extremamente raros. Até agora, das 22.295 gestantes imunizadas contra a Covid-19 no País (somadas as aplicações das vacinas da AstraZeneca, Pfizer e CoronaVac), foram registrados 408 eventos adversos - e somente 11 foram considerados graves. Oito deles já tiveram a relação com a vacina descartada.

Grávidas já vacinadas serão monitoradas

Segundo o ministro Marcelo Queiroga, as grávidas e puérperas vacinadas serão monitoradas pelo Ministério. "Vamos acompanhar todas as gestantes que foram imunizadas, como já estamos fazendo, independentemente do tipo de imunizante", disse o ministro, reforçando que a vacina "é segura, eficaz e muito efetiva".

Sobre as gestantes que já tomaram a primeira dose da AstraZeneca, a orientação do Ministério é esperar a conclusão da investigação do caso e novas recomendações federais antes de tomar a segunda dose. Essas mulheres também não devem tomar segunda dose de outro fabricante já que não há estudos sobre eficácia e segurança da mistura de imunizantes diferentes.

"O compromisso do Governo é imunizar as gestantes brasileiras. Acreditamos que isso é uma conduta adequada para o momento", destacou Queiroga, reforçando a orientação de uso apenas da CoronaVac e da vacina da Pfizer - que está restrita aos grandes centros devido à necessidade de armazenamento em baixíssimas temperaturas.

Fiocruz lamenta

gestante que faleceu era do Rio de Janeiro e tinha cerca de 35 anos

Durante a entrevista coletiva do Ministério, Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, lamentou o óbito e ressaltou a importância da vacinação contra a Covid-19. A Fiocruz é a responsável pela vacina da AstraZeneca no Brasil e acompanhará a investigação do caso. 

Em nota divulgada já na noite desta terça, a Fiocruz informou que "ainda não há confirmação da relação deste caso com a vacina, que segue sob investigação pelas autoridades sanitárias e conta com o apoio da Fundação".

No texto, a Fiocruz ainda diz entender a suspensão temporária da aplicação da AstraZeneca em gestantes e puérperas. "É uma medida preventiva, de cautela, até que a investigação do caso seja concluída e que possa haver uma avaliação do contexto epidemiológico e dos dados disponíveis", reforça a nota. 

Vacinação no Ceará 

Os municípios de Sobral, Cariré e Porteiras, além do Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza resolveram paralisar a imunização de gestantes com o imunizante já nesta terça, antes de o posicionamento do PNI ser divulgado.

 

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