O que impede o protagonismo de mulheres na música do Ceará? Renda e etarismo ainda são impasses

Artistas de diferentes gerações e ritmos destacam principais desafios da cena musical de Fortaleza e possíveis soluções para um cenário mais igualitário para além das datas comemorativas.

Escrito por
Ana Beatriz Caldas beatriz.caldas@svm.com.br
(Atualizado às 07:43)
As artistas Mumutante, Gabi Nunes, Adna Oliveira, Aparecida Silvino, Mona Gadelha e Ayla Lemos refletem sobre o espaço da mulher na cena musical
Legenda: As artistas Mumutante, Gabi Nunes, Adna Oliveira, Aparecida Silvino, Mona Gadelha e Ayla Lemos refletem sobre o espaço da mulher na cena musical
Foto: Arte: Louise Dutra

Historicamente, no mundo do trabalho, poucas funções foram naturalmente atribuídas às mulheres – e, as que foram, continham certo preconceito de gênero, por serem profissões ligadas ao cuidado ou a outras características tidas como “femininas”. Mesmo com o avanço no debate feminista e em ambientes intrinsecamente diversos, como a cultura, a situação ainda se mostra desigual, com espaços em que a equidade de gênero ainda parece distante de ser alcançada.

Entre tantos, o cenário musical é um dos segmentos em que as diferenças se acentuam – seja pela determinação de certos papéis às artistas, seja pela exigência de que cantoras e instrumentistas atendam a certos padrões estéticos, seja pelo discurso paternalista – e, muitas vezes, oportunista – que trata a inclusão de mulheres em grupos musicais e line-ups como um favor. 

Para elaborar um breve panorama sobre como se projeta o cenário para artistas mulheres que atuam na cena musical de Fortaleza e com quais desafios elas se deparam atualmente, o Verso conversou com seis mulheres que, nos últimos anos, têm ajudado a construir a cultura cearense: a cantora, compositora e atriz Adna Oliveira; a cantora Aparecida Silvino; a multi-instrumentista Ayla Lemos; a sambista Gabi Nunes; a cantora, compositora e produtora Mona Gadelha, e a cantora, compositora e atriz Muriel Cruz, a Mumutante.

Entre diferenças e similaridades nas trajetórias profissionais, as entrevistadas demonstram a importância da presença feminina na arte e ressaltam a necessidade de ampliar políticas públicas e privadas de incentivo à formação, profissionalização e à construção de redes de apoio para artistas mulheres.

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Opressão ganhou contornos mais visíveis nas últimas décadas

Um dos nomes mais notáveis da história recente da música do Ceará, a cantora, compositora, produtora e jornalista Mona Gadelha ainda não tinha completado 20 anos quando participou, junto a outros grandes artistas cearenses, do show-movimento Massafeira Livre, em 1979, evento que a fez ter desejo de profissionalizar o amor que tinha pela música desde a infância.

Na década seguinte, Mona se formou e trabalhou como jornalista, e só em 1996 lançou seu primeiro álbum, autointitulado. Galgou seu lugar na cena musical do Estado e só tempos depois foi percebendo os “percalços e boicotes” que sofreu por ser mulher e querer, além de cantar, compor suas próprias músicas.

“Era tudo muito sutil e só com o tempo as coisas se tornaram mais evidentes. Então, por um lado foi interessante, porque mesmo sendo uma das poucas mulheres compositoras e cantando uma música de influência externa, como diziam na época, e pagando um preço por isso, eu segui em frente, com um espírito transgressor, que mostrava no palco e nas minhas canções”, comenta a artista.

Aparecida Silvino, a 'Apá', tem mais de 30 anos de carreira
Legenda: Aparecida Silvino, a 'Apá', tem mais de 30 anos de carreira
Foto: Divulgação

A impressão de que o tempo precisou passar para que as feridas aparecessem é compartilhada pela cantora, compositora e regente Aparecida Silvino, que começou a cantar no coral da Universidade Federal do Ceará (UFC) aos 15 anos, no início da década de 80, e desde então seguiu atuando em diversas áreas da música, como artista, professora e jurada em festivais – depois de ter sido premiada em uma série deles.

Parte da “primeira geração que não precisou sair do Ceará para se firmar profissionalmente”, como nomeia a geração de músicos pós-Pessoal do Ceará, Aparecida destaca que sempre contou com a parceria e respeito de músicos cearenses, mas que sofria com a falta de representatividade. “Era complicado atuar ali no meio, porque só tinha homem em todo canto”.

Havia encantamento em poder viver de arte, ser premiada em festivais e contar com o respeito dos pares, é verdade. Mas também havia muito medo: de trabalhar à noite, sendo uma artista mulher; de não saber como agir no meio artístico; e, mais que isso, de não ter liberdade para criar.

“Você era obrigada a optar por algumas coisas que você nem tinha noção que era [apenas] uma opção – uma opção de repertório, uma opção de local de cantar... Você não tinha liberdade para fazer o que você queria fazer, ir para o teatro e mostrar”, conta, destacando que havia também um recorte de classe, onde artistas da elite cearense eram privilegiados.

Aparecida também é pianista
Legenda: Aparecida também é pianista
Foto: Divulgação

Apesar de considerar que o tempo ajudou no avanço do debate sobre equidade de gênero, Aparecida diz não acreditar que a situação melhorou no que diz respeito a ser mulher na cena musical da Capital.

Convivendo com a “novíssima geração” da música cearense pela atuação como professora e jurada fixa do Festival da Juventude de Fortaleza, Aparecida considera que a situação de opressão é a mesma “ou até pior, porque está tudo muito na cara”.

A sensação que eu tenho é que hoje está mais difícil do que naquela época que eu comecei, porque a violência está no ar”, lamenta. Um dos pontos que depõe contra a equidade de gênero na música, para ela, é o nível de exposição imposto pela dinâmica das redes sociais – onde, hoje em dia, todos os artistas precisam estar para divulgar seus trabalhos.

“Na época que eu comecei, o alcance era menor. A gente conseguia viver mais em comunidade. Hoje é um salve-se quem puder”, comenta. Para ela, o nível de julgamento coloca as mulheres artistas em uma “prisão psicológica”, algo que não acontece na mesma medida com artistas homens.

“O homem passa uma coisa no cabelo e vai para a rua. A mulher tem toda uma ‘preparação’ para poder conseguir ser exposta ali. Tem o julgamento de corpo, tem o julgamento de roupa, tem julgamento aí pra dar e vender”, pontua.

Recortes de classe, raça e idade dificultam percurso artístico

A cantora, compositora e atriz Adna Oliveira
Legenda: A cantora, compositora e atriz Adna Oliveira
Foto: Alan Sousa

Carioca radicada em Fortaleza, a cantora, compositora e atriz Adna Oliveira demorou a perceber que poderia ser artista profissionalmente. Desde pequena, levava a música como hobby, assim como faziam seus familiares, muitos deles atuantes em bandas de igrejas. 

A mesma igreja que a família de Adna frequentava, porém, não incentivava que uma mulher pudesse se dedicar àquela arte. “Não tinha como pensar nessa possibilidade. Inclusive, era dito ser pecado. Então, eu segui mais da metade da minha vida sem essa aspiração. Hoje, reconheço que a minha alma desejava isso”, comenta.

O sonho levou tempo para virar realidade. Foi só em 2011, aos 54 anos, que Adna procurou o Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e ganhou uma bolsa para estudar canto. Diagnosticada com hérnias, fibromialgia e depressão, o curso veio como uma tentativa de processo terapêutico, mas se tornou uma grande paixão e, poucos anos depois, profissão.

Apesar de ter realizado apresentações em espaços públicos da Capital na última década – com espetáculos de destaque como “Gaia” e “Caetanas” – Adna ainda destaca os desafios para chegar a um passo importante de sua profissionalização: o lançamento de “Mulher de 60”, seu primeiro EP autoral, que começou a ser elaborado no Laboratório de Música da Escola Porto Iracema das Artes em 2022 e segue em construção.

Artista começou a se dedicar profissionalmente à música aos 54 anos
Legenda: Artista começou a se dedicar profissionalmente à música aos 54 anos
Foto: Alan Sousa/Divulgação

“Ser cantora, independente, sem grana e depois dos 60, a coisa fica infinitamente mais difícil. Tanto as questões externas, como pessoais mesmo, sabe? Se não tiver uma rede de apoio que te fortaleça, a coisa fica amarrada”, destaca. “Não dá pra soltar um trabalho de qualquer jeito. É de suma importância apresentar uma produção musical de qualidade, principalmente sendo uma artista independente”, completa.

Me sinto muito à vontade quando chego e quem está operando o som é uma mulher. É outra coisa. O diálogo é mais leve, é direto, é resolutivo. Claro que isso não quer dizer que, para essas trabalhadoras, as coisas estejam rolando às mil maravilhas. Elas sabem o que passam quando circulam em ambientes onde a maioria é masculina.”
Adna Oliveira
Cantora, compositora e atriz

Mesmo em meio a desafios, Adna acredita que a cena musical hoje está mais inclusiva – o que não quer dizer que esteja fácil, especialmente considerando recortes de raça e faixa etária. “A história da gigante Elza Soares me atravessou absurdamente. Eu a conheci através da discriminação que ela sempre passou, desde sua primeira apresentação como cantora. Então, eu já sabia que era assim”, lamenta. 

“Mas ela também deixou exemplo de determinação e propósito na sua carreira artística. Eu sabia que era difícil. Ainda assim, era possível. Na cena musical independente de Fortaleza, nos espaços onde eu circulo, isso não é tão expressivo. Mas a gente sabe que existem espaços onde nossa presença não será sequer cogitada”, completa.

Novos nomes enfrentam oportunidades desiguais e impasses na profissionalização

Ainda que existam novos caminhos e políticas para que artistas consigam realizar seus trabalhos, nomes contemporâneos, que se projetaram na cena na última década, também encontram percalços em meio a um ambiente ainda majoritariamente masculino.

Mumutante é multiartista e atua como cantora, compositora, atriz e palhaça
Legenda: Mumutante é multiartista e atua como cantora, compositora, atriz e palhaça
Foto: Thiago Gadelha

Conhecida pela trajetória como atriz e cantora, Muriel Cruz, de nome artístico Mumutante, começou a se interessar pela arte ainda na infância, em peças infantis na igreja e movimentos de cultura popular, como quadrilha e reisado. Mais tarde, percebeu que fazer arte era o que queria para a vida e se dedicou a uma formação extensa em equipamentos como Porto Iracema das Artes, Cucas e Theatro José de Alencar.

Hoje atuante como artista solo e no coletivo FZNRCK, junto ao cantor Mateus Fazeno Rock, Muriel conta que o principal desafio que encontra é o que vem depois da formação: a solidificação da carreira, tanto financeiro quanto simbolicamente.

“Acho que o desafio principal é esse lance de reconhecimento mesmo, a gente se esforça muito para fazer algo e acaba não sendo reconhecida”, destaca a multiartista Muriel Cruz, conhecida pelo nome artístico Mumutante. “O lance dos pagamentos na cultura também é bem complicado, porque eu vivo de arte hoje em dia, tento sobreviver, e às vezes é bem difícil”, lamenta.

Artista atua na música de maneira profissional há cerca de 5 anos
Legenda: Artista atua na música de maneira profissional há cerca de 5 anos
Foto: Lucas Rodrigues/Divulgação

Isso porque, segundo Muriel, a formação gratuita não é suficiente para que uma artista consiga se projetar. Para além do trabalho de base, formativo, ela acredita que é necessário mais investimento na carreira de jovens artistas. “[Projetos para] ajudar um artista a se projetar, projetos que façam com que a gente cante, festivais que chamem as mulheres, as pessoas daqui de Fortaleza para cantar”, ressalta.

Na área da cultura eu considero ainda muito difícil ser uma figura feminina, mulher, travesti principalmente. É bem difícil, só que a gente vai conquistando as coisas, tentando ser original e também se inspirando nas pessoas que vieram antes. Muitas pessoas, muitas mulheres abriram muitos caminhos para a gente estar fazendo muita coisa hoje em dia.”
Muriel Cruz
Multiartista

Para a artista, ainda assim, o debate sobre protagonismo feminino em todas as áreas, crescente nos últimos anos, “vem dando uma melhorada” no cenário para as mulheres, que têm conseguido mais espaço, mas não garante oportunidades iguais. “O debate, eu acho, não dá oportunidade em si. Ele dá mais segurança para que a gente busque com mais segurança mesmo, com mais força, com mais energia”, pontua.

Instrumentistas são diminuídas pelo gênero

Além dos desafios comuns a todas as artistas que atuam no mercado musical, um segmento enfrenta dificuldades particulares em meio ao machismo do setor: as instrumentistas, já que comumente mulheres são associadas somente ao trabalho com a voz e tidas como musicistas menores.

Multi-instrumentista e cantora, Ayla Lemos reforça a importância da união das mulheres na música como rede de apoio pessoal e profissional
Legenda: Multi-instrumentista e cantora, Ayla Lemos reforça a importância da união das mulheres na música como rede de apoio pessoal e profissional
Foto: Foto: Jamille Queiroz/Divulgação

É o que conta a multi-instrumentista e cantora Ayla Lemos, que toca o projeto autoral Leves Passos além atuar na banda Maquinas, no trio Casa Mutante, no projeto Roda das Minas e como baterista freelancer em diversos outros grupos.

“A minha principal questão foi lidar com a minha autoestima enquanto uma mulher que não veio de uma família rica, que não tinha equipamentos ‘interessantes’”, comenta a artista, que conta que, por muitas vezes, foi tratada como “uma amadora” que tocava “um som de garagem”.

“São coisas muito sutis que acontecem no dia a dia, que não tá tão na cara, mas o que você percebe é que você está sendo diminuída, que você não está sendo tão considerada por ser uma mulher instrumentista”, lamenta.

A resposta que Ayla encontrou é a mesma que muitas artistas têm destacado como uma solução para parte do problema: a união das mulheres na música, seja em coletivos ou como rede de apoio pessoal e profissional.

“As coisas melhoraram, sim, com certeza, mas não por conta dos contratantes ou de terceiros, e sim por conta das próprias mulheres se apoiando, fazendo essa rede de apoio. De se profissionalizarem, de chamarem [umas às outras] para trabalhos, de abrir os espaços”, destaca. 

Gabi Nunes é destaque nas rodas de samba da Capital
Legenda: Gabi Nunes é destaque nas rodas de samba da Capital
Foto: Rayane Mainara/Divulgação

Exemplo disso tem acontecido com a cantora Gabi Nunes, um dos grandes nomes do samba contemporâneo de Fortaleza. No comando de rodas de samba pela Cidade, a artista sempre destaca a importância de ter musicistas mulheres, trabalhando com uma equipe mista e fazendo com que ela – e a imagem da cantora “rainha” da roda de samba – não seja a única imagem feminina nos espaços voltados para o gênero musical.

Oriunda de uma família musical, a artista atua no circuito do samba de Fortaleza há mais de uma década – com passagem também por Salvador – e tem participado do fortalecimento do ritmo na capital cearense no pós-pandemia. 

Durante esse tempo, não foram poucas as vezes em que se deparou com o discurso que diz que “a mulherada está chegando no samba”, ainda que o gênero tenha sido construído por diversas mulheres ao longo dos anos. “A mulher faz parte da história do samba, se não fosse a mulher não existiria”, pontua. 

“Eu nunca tive grandes dificuldades no sentido de não ter portas abertas para mim porque eu sou uma cantor – e eu sou uma mulher branca também, acho que esse recorte é muito importante”, destaca. “Isso acaba, de fato, me colocando em lugares que talvez outras cantoras não consigam, em termos de acesso”, completa.

Cantora trabalha com equipe mista nas rodas de samba
Legenda: Cantora trabalha com equipe mista nas rodas de samba
Foto: Rayane Mainara/Divulgação

“Nas rodas de samba já se espera que tenham cantoras, não choca tanto. Você acaba virando até essa coisa de ‘diva’, de ‘rainha’, de ‘madrinha’, colocam as cantoras um pouco nesse lugar. Mas quando você é musicista, quando você é instrumentista e tudo mais, eu acredito que o buraco seja um pouco mais embaixo”, lamenta.

Isso porque as rodas de samba ainda são predominantemente masculinas, não só em Fortaleza, mas de maneira geral. “As pessoas têm essa ideia de que mulheres não tocam tão bem quanto os homens, sabe? De que não seguram o samba tão bem, de que, às vezes o samba de mulher é um samba mais light, mais calminho, e isso não é verdade”, ressalta Gabi.

A própria artista conta que, mesmo sendo cantora, já foi tratada, muitas vezes, como “café com leite”. “Eu até me incomodo muito quando alguns caras falam ‘ai, vamos dar espaço para as mulheres’, mas sempre em um tom muito paternalista. ‘Vamos abrir aqui esse espaço para vocês’ e não é assim, é de igual para igual”, completa.

Possíveis soluções exigem mais políticas afirmativas e foco no coletivo

Olhando para o futuro e projetando uma cena que acolha melhor as mulheres cantoras, compositoras, instrumentistas e demais trabalhadoras da música, as artistas entrevistadas pelo Verso destacam os caminhos possíveis para que as artistas se sintam seguras e possam ser produtivas.

“Eu vejo que o coletivo vai salvar o indivíduo”, pontua Aparecida Silvino. “Eu acredito que o que o que tem que ser feito urgentemente são os coletivos femininos”, completa. A artista também destaca que o debate sobre a saúde mental precisa ser aprofundado, para que as redes de apoio se fortaleçam não só no âmbito profissional, mas também no pessoal.

Todas as entrevistadas destacam um mesmo aspecto: a necessidade de entes públicos e privados pensarem além de datas comemorativas, como o Dia Internacional da Mulher, na hora da contratação e da valorização de trabalhadoras da música. Além disso, ressalta Gabi Nunes, é preciso que os músicos também entrem nessa luta, contratando e valorizando as artistas cearenses.

Ayla Lemos comanda projeto autoral Leves Passos, além atuar na banda Maquinas, no trio Casa Mutante, no projeto Roda das Minas e toca como baterista freelancer em diversos outros grupos da cidade
Legenda: Ayla Lemos comanda projeto autoral Leves Passos, além atuar na banda Maquinas, no trio Casa Mutante, no projeto Roda das Minas e toca como baterista freelancer em diversos outros grupos da cidade
Foto: Murilo da Paz/ Divulgação

Para Adna, essa valorização deve ter atenção não só às artistas contemporâneas, mas a quem já fez muito pela música cearense e brasileira. "Temos nomes de mulheres formidáveis, que doaram suas vidas realizando trabalhos incríveis e que são desconhecidas do público em geral. Algumas vezes, só quem é daquele segmento que sabe quem são. Lembrando que essas campanhas devem acontecer durante todo o ano", destaca.

Um caminho para amenizar as diferenças, para Mona Gadelha, é fortalecer também pesquisa, estudos e encontros que discutam os aspectos que circundam a vida da mulher artista para, então, "criar condições efetivas de mudanças reais".

Mumutante e Ayla destacam a necessidade de mais políticas públicas para mulheres de todos os perfis, notadamente pessoas trans, LGBTs e pessoas negras, como editais, escolas e políticas de profissionalização.

"Eu acho que algum tipo de instituição, de escola que apoie mulheres que estão a fim de aprender algum instrumento", projeta Ayla.

"Para daqui a alguns anos, as pessoas estarem mais na cena, circulando e terem autoestima para estar no palco, sustentar, fazer um show e tocar para várias pessoas. Porque eu acho que exige muita coisa para além de saber tocar um instrumento; também tem que ter a autoestima, tem que se sentir capaz assim, se sentir forte."

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