Morre seu Paraíba, lendário e centenário dono de bar em Fortaleza
Ele era proprietário do Feijão Maravilha O Paraibano, no bairro Farias Brito.
Boemia fortalezense de luto. Morreu nesta segunda-feira (2), aos 100 anos, Macedo Saturnino Gomes, nome de batismo de seu Paraíba, proprietário do bar Feijão Maravilha O Paraibano. O estabelecimento funciona no bairro Farias Brito, na Capital.
Segundo a família, a partida aconteceu às 4h da madrugada. A causa da morte foi natural e está sendo investigada. O velório acontece às 14h na Funerária Jerusalém, no Centro; o sepultamento será nesta terça-feira (3), às 9h, no cemitério Jardim do Éden, em Pacatuba.
"Meu pai foi uma lenda. Chegou aqui em 1957 e, como ele contava, começou a trabalhar na Serraria Carneiro. Colocou o comerciozinho dele em que só vendia banana, e foi se expandindo", lembra a filha, Simone Meire Gomes, com quem o empreendedor dividia as atividades do bar.
Veja também
"Como tinha umas empresas aqui perto, e os funcionários não tinham onde almoçar, começaram a pedir ao papai que fornecesse comida, e assim ele começou a vender. O feijãozinho dele era famoso".
Para ela, o pai foi figura querida e importante para a Cidade, sobretudo para o bairro Farias Brito. "Hoje está partindo, e seguirá como lenda".
Seu Paraíba deixa sete filhos, cinco netos e um bisneto.
Como é o bar Feijão Maravilha
A experiência de estar no bar tocado por seu Paraíba é singular, a começar talvez pelo mais chamativo: o enorme painel com fotografias de quem já visitou o recanto. Clientes-amigos de curta ou longa data, e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – de quem o homem era ferrenho admirador.
Também era torcedor apaixonado do time do Ceará e adorava uma prosa. Em reportagem publicada pelo Diário do Nordeste em julho de 2022, comentou sobre o fato de a casa estar sempre cheia: “Aqui tudim é meu amigo. Ninguém briga nem arenga. Vivo feliz”.
Ao longo de três décadas na Rua Dom Jerônimo, 256, o bar só aceitava dinheiro vivo – nem transações por Pix eram aceitas – e refletia o jeito do dono: abria cedo, às 6h da manhã, e só fazia silêncio na Sexta-feira da Paixão.
O próprio Paraíba passava troco no botequim, e se orgulhava de não ter doença nem tomar remédio. Devido ao jeito muito direto de lidar com o público, alguns amigos o apelidavam de seu Lunga.
Quanto ao feijão presente no nome do estabelecimento, era servido com osso de boi e preparado no fogão à lenha. Delicioso, é o verdadeiro carro-chefe da casa. A clientela sempre reagiu acalorada a essa fartura de símbolos.
Um dos frequentadores afirma: "A gente tem essa intimidade. Sempre reunimos amigos e convidamos mais gente para conhecer o bar”.