Exposições de arte em Fortaleza celebram produção artística e vidas trans

Mostras gratuitas evidenciam diversidades da produção artística feita ou protagonizada por pessoas trans.

Escrito por
João Gabriel Tréz joao.gabriel@svm.com.br
(Atualizado às 11:43)
Uma montagem de três fotos celebra a arte e vidas trans em Fortaleza, apresentando uma festa de aniversário com bolo iluminado à esquerda e um retrato expressivo com maquiagem artística ao centro. À direita, uma pessoa sorri em frente a obras de arte na exposição, completando a narrativa de celebração e visibilidade em ambientes culturais vibrantes.
Legenda: "A Primeira Galeria do Mundo", "Diamantes Negros" e "Céu da boca da noite" estão em cartaz em Fortaleza.
Foto: Fotos Mateus Falcão / Divulgação; Mateus Lucas / Divulgação; Pedro Bessa / Divulgação;

Fotografia, pinturas, instalações, tecidos e esculturas. Infância, ancestralidade, beleza, autoestima e vida. Exposições em cartaz atualmente em Fortaleza evidenciam a diversidade formal e temática da produção artística feita por pessoas trans no Ceará.

No Bom Jardim, na Praia de Iracema e no Meireles, equipamentos públicos e privados acolhem as mostras de artes visuais, todas com acesso gratuito e com visitação ainda disponível.

Como um convite para prestigiar essa multiplicidade de vivências e reflexões neste Dia Nacional da Visibilidade Trans, o Verso destaca as exposições “A Primeira Galeria do Mundo”, “Diamantes Negros” e “Céu da boca da noite”.

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"Céu da boca da noite"

Primeira exposição individual da artista cearense Gi Monteiro, “Céu da boca da noite” ocupa a Cave Galeria até o final de fevereiro. A curadoria, assinada por Lucas Dilacerda, evidencia a pesquisa estética e temática de Gi, focada em pensar o escuro como “exercício de liberdade”.

Uma obra de arte envolta em tecidos beges e tons terrosos ocupa o centro de uma sala escura na exposição
Legenda: Exposição individual de Gi Monteiro reflete sobre o escuro.
Foto: Jorge Silvestre / Divulgação.

A partir de memórias pessoais e coletivas, a artista aposta no abstracionismo e em diferentes suportes para desenvolver a proposta artística. Formada historiadora pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), Gi já participou de exposições coletivas como o 76º Salão de Abril, em Fortaleza, e “Antes do Brasil, o Nordeste”, no Rio de Janeiro.

Céu da boca da noite

  • Quando: em cartaz até 28 de fevereiro; visitação de terça a sexta, de 13 às 19 horas, e sábado, de 10 às 14 horas
  • Onde: Cave Galeria (rua Pereira Valente, 757 - Casa 03 (Travessa Ana Benevides), entre as Ruas Leonardo Mota e Vicente Leite
  • Entrada gratuita.
  • Mais informações: @cavegaleria 

“A Primeira Galeria do Mundo”

Em nova edição, a exposição coletiva “A Primeira Galeria do Mundo” ocupa a galeria do Centro Cultural Bom Jardim com obras de mais de 15 artistas e coletivos trans, travestis e não-bináries. A curadoria é de Bárbara Banida e Sy Gomes.

Quadros expostos de artistas trans, travestis e não-binários.
Legenda: Bárbara Banida e Sy Gomes são as curadoras da terceira edição da exposição.
Foto: Mateus Falcão / Divulgação.

Diversas entre si, as obras selecionadas se irmanam pelo olhar celebratório que lançam para a infância, a fabulação, a metamorfose e a sobrevivência. Nesta 3ª edição, a mostra expõe obras do Ceará e também de outras regiões do Brasil, em abertura a acervos virtuais como o Arquivo de Artistas Transgêneros do MUTHA (Museum of Transgender Hirstory & Art) e o Catálogo Arte Mais, além de mapeamentos feitos em redes sociais.

A Primeira Galeria do Mundo

  • Quando: em cartaz até 2 de março; visitação de terça a sábado, das 15 às 20 horas
  • Onde: Galeria do Centro Cultural Bom Jardim (rua 3 Corações, 400 - Granja Lisboa)
  • Entrada gratuita.
  • Mais informações: @banidaplataforma 

“Diamantes Negros”

Promovida pela organização Negruras, de pesquisa e cultura de ancestralidades negras no Ceará, a exposição "Diamantes Negros" celebra vidas trans à frente e atrás das câmeras. A mostra consiste em um ensaio fotográfico protagonizado por pessoas trans e produzido por equipe totalmente formada por pessoas LGBTQIA+ negras e periféricas.

Naomi e Rai posam juntos para a exposição
Legenda: Realizada pela Negruras, organização de pesquisa e cultura de ancestralidades negras no Ceará, a exposição "Diamantes Negros" consiste em ensaio fotográfico que reflete como pessoas trans são vistas na sociedade.
Foto: Davi Carneiro / Divulgação.

O processo de produção da mostra incluiu formações para a equipe envolvida. As obras também somam ao recorte trans reflexões sobre a representação imagética de pessoas com deficiência na arte, além de contarem com recursos de acessibilidade.

 A Negruras é dirigida por Raí Kehinde, que também é um dos modelos das fotos expostas. A direção do ensaio é assinada por Nair Beatriz e Carll Souza, da marca de moda Mancuda.

Diamantes Negros

  • Quando: em cartaz até 28 de fevereiro; visitação de quarta a sábado, de 15 às 19 horas (acesso até 18h30) e domingos e feriados, de 10 às 20 horas (acesso até 19h30)
  • Onde: Multigaleria do Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)
  • Entrada gratuita.
  • Mais informações: @negrurasce
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