Como o tradicional Bloco Chão da Praça busca se reinventar para manter diversidade

Apresentação acontece nesta quinta-feira (5) e no dia 12 na Praça Verde do Dragão do Mar.

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
(Atualizado às 16:19)
Na imagem, o cantor da banda Transacionais se apresenta em um palco iluminado durante o Réveillon de 2026 em Fortaleza. Ele é um homem de pele clara, barba aparada e cabelo curto escuro, vestindo uma camiseta de paetês prateados e calça branca. Ele segura um microfone com a mão direita, cantando com expressão compenetrada. Ao fundo, o cenário é vibrante, composto por um telão de LED com artes gráficas coloridas em tons de rosa, amarelo e verde. É possível ver parte dos músicos da banda: à esquerda, um integrante com um trompete, e à direita, um saxofonista, ambos vestindo roupas brancas e aplaudindo. A iluminação do palco tem tons de azul e roxo, criando uma atmosfera festiva de show ao vivo.
Legenda: Os Transacionais são atração fixa do bloco e responsáveis pela criação dele.
Foto: Fabiane de Paula.

A premissa sempre foi clara: manter viva a chama do carnaval retrô brasileiro. E assim, o que começou com um grupo de pessoas sob a passarela do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, se tornou um dos blocos mais lembrados do pré-carnaval de Fortaleza.

Neste 2026, o Chão da Praça completa 17 anos como integrante do ciclo carnavalesco da cidade, e faz isso de modo a preservar a importância que ele mesmo conquistou ao longo do tempo. A aposta é na reinvenção, principalmente a partir de quem sobe ao palco para movimentar um público ávido por aquilo que o time quer mostrar.

Além da banda Os Transacionais – atração fixa, responsável pela criação do bloco – muita gente especial comporá a folia. Nesta quinta-feira (5), às 18h30, tem DJ Nego Célio e as cantoras Josyara e Mumutante. No dia 12 de fevereiro, Buhr e Loren Lyse também chegam junto. Tudo acontece na Praça Verde do Dragão do Mar, recanto sagrado da trupe.

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As parcerias ocorrem por meio de indicações do Dragão e da própria banda. “Sempre buscamos artistas independentes e que, de preferência, não façam parte do nicho da música carnavalesca, mas que demonstrem versatilidade nos trabalhos. Neste ano não será diferente”, explica Jolson Ximenes, vocalista e baixista dos Transacionais.

Segundo ele, o repertório segue a toada clássica ao priorizar a vastidão do cancioneiro momino cearense e brasileiro – das marchinhas ao axé dos anos 1990, passando pela tradição do frevo e das músicas que deram origem ao trio elétrico de Dodô e Osmar, sem deixar, claro, de reverenciar Fausto Nilo e Moraes Moreira.

Na imagem, foto promocional da banda Os Transacionais, com quatro integrantes masculinos sentados lado a lado em um banco de madeira, em um ambiente externo com decoração tropical e rústica. Composição e Integrantes: Da esquerda para a direita, o primeiro músico usa óculos, blusa branca sem mangas e tênis amarelos, com um teclado vertical apoiado ao seu lado. O segundo integrante tem cabelo loiro descolorido, veste uma camisa aberta verde-água sobre uma camiseta branca e segura uma sombrinha de frevo colorida e decorada. O terceiro homem tem barba grisalha, veste uma camisa estampada com folhagens e segura uma guitarra azul clara. O quarto músico, à direita, tem barba branca longa e veste um conjunto de camisa e bermuda azul-escuro com estampas geométricas. Cenário: O fundo apresenta uma parede revestida com azulejos de padrões geométricos em tons de bege e marrom. O chão é de cimento queimado em tons de azul e cinza, e o ambiente sugere uma varanda ou quiosque com teto de palha visível na parte superior.
Legenda: Repertório do bloco prioriza a vastidão do cancioneiro momino cearense e brasileiro.
Foto: Ismael Soares.

As participações de cada ano, como neste também, reforçam esse caráter, ao mesmo tempo que desfilam contemporaneidade e novo modo de celebrar grandes composições de uma festa repleta delas. “Vamos da praia aos salões nobres dos clubes de antigamente”.

O público do Chão da Praça

Um dos maiores frutos de todos esses detalhes do Chão da Praça é mesmo o público. Segundo Jolson, sempre foi o mais diverso possível. “A gente realmente queria fazer uma festa que recebesse de crianças a idosos, ou seja, que trouxesse todo mundo para o pré-carnaval de Fortaleza sem fazer um recorte específico”.

Faz sentido e é perceptível a olho nu. Famílias são muito comuns na zoada promovida pelo bloco, além de diversas outras faixas de idade e de configuração – amigos, namorados, conhecidos no geral. O mais importante é democratizar a festa, até nesse ângulo.

Na imagem, quatro homens adultos, integrantes da banda
Legenda: Neste 2026, Chão da Praça completa 17 anos como integrante do ciclo carnavalesco de Fortaleza.
Foto: Ismael Soares.

Em uma análise atenta sobre o pré-carnaval de Fortaleza, Jolson sente que o evento está se construindo e se constituindo como ferramenta cultural forte e representativa. “Quanto mais iniciativas para manter a cultura carnavalesca da cidade, melhor – não dependendo simplesmente do poder público, de Prefeitura, de Governo ou de algo do tipo, mas a partir de parcerias com centros culturais e a realização de blocos independentes”.

E continua: “Penso que a maior contribuição que o Chão da Praça deu para o pré-carnaval de Fortaleza foi criar uma opção às quintas-feiras, e com infraestrutura muito boa. Quando surgimos, a maioria do pessoal tinha que fazer no peito e na raça, muitas vezes sem grana pra bancar uma estrutura grande. A parceria com o Dragão do Mar foi viabilizada nesse sentido, de ter uma estrutura excelente para receber as pessoas e apresentar nosso trabalho”.

Quem saber fazer uma Quinta-feira de Cinzas?

Para os próximos anos, um passo a passo. Primeiramente, conforme o grupo, seria ótimo o bloco voltar a ter quatro edições. Isso porque, após a pandemia de Covid-19, houve redução na quantidade de apresentações.

Na imagem, fotografia colorida em close-up dos quatro integrantes da banda
Legenda: Um dos desejos do bloco para o futuro é o retorno a quatro edições.
Foto: Ismael Soares.

Também está nos planos ampliar ainda mais o nível dos convidados – “trazer ainda mais gente de expressão municipal, regional, nacional, fazer essa parceria fluir e pulverizar ainda mais esse ponto”.

Além disso, aperfeiçoar a estrutura e, no geral, se consolidar cada vez mais enquanto bloco. “São 10 edições, então pensar em 15, 20. Virar realmente uma tradição. Quem sabe fazer a Quinta-feira de Cinzas? Também seria muito bacana, mostrar o Chão da Praça sob outro viés”, torce Jolson.

 

Serviço
Bloco Chão da Praça
Nesta quinta-feira (5) e no dia 12, a partir das 18h30, na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Acesso gratuito, mediante doação de 1kg de alimento não perecível (exceto sal). Mais informações nas redes sociais do Dragão do Mar

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