Vamos combinar de não morrer?

Muitas situações de LGBTfobia acontecem por um beijo em público, uma forma de se vestir, de falar, de andar...

Escrito por
Silvero Pereira verso@svm.com.br
Legenda: Sejamos cuidadosos com nossas vidas sempre que possível, que nós saibamos nos cuidar e nos proteger.
Foto: Ismael Soares.

Uma pessoa LGBTQIA+ é morta a cada 34 horas no Brasil e o nosso país segue liderando o ranking dos mais violentos para pessoas da nossa comunidade, de acordo com um levantamento feito pelo Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB). Então, como vocês devem imaginar, escrever uma coluna como essa não é fácil pra mim.

Estamos em fevereiro de 2026 e só no mês passado já foram várias as ocorrências de violências e violações de direito. Um desses casos foi o do jovem João Emanuel, um professor de 32 anos, brutalmente assassinado ao cruzar com um outro homem no ponto de ônibus no Distrito Federal. Esse fatídico encontro gerou mais um número de estatística: João foi encontrado com graves sinais de violência e seu corpo desfigurado.

Este não é um caso isolado. É a imagem clara da constante vulnerabilidade que a comunidade LGBTQIA+ encara diariamente. Um encontro aleatório, uma resposta atravessada, uma presença que incomoda e pronto, você é um alvo. É por isso que nossos corpos estão sempre em estado de alerta.

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Muitas situações de LGBTfobia acontecem por um beijo em público, uma forma de se vestir, de falar, de andar... Eu sei, isso jamais deveria ser motivo para um ato violento, mas é a realidade. Inclusive, é extremamente injusto viver com os sensores da vigilância ativados por causa do risco causado por outra pessoa, mas acontece.

Só no Ceará, em 2025, mais de 400 casos de homotransfobia foram registrados; sem contar com a subnotificação. Sendo assim, proponho um trato: vamos nos proteger? Precisamos ser ainda mais cuidadosos e seletivos.

Nossas conquistas de direitos, infelizmente, não nos livram de ataques. Não se trata se curvar aos opressores, mas acredito que manter-se na defensiva agora, evitar confrontos diretos, desistir de discussões acaloradas ou ambientes desfavoráveis é estratégico.

Por isso repito o apelo: sejamos cuidadosos com nossas vidas sempre que possível, que nós saibamos nos cuidar e nos proteger. Combinado?

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor

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