O Ceará e as histórias de protagonismo trans
Nas mais diferentes áreas, pessoas trans se destacam com relevância e/ou pioneirismo. Confira a minha lista.
A história da luta LGBTQIA+ do Ceará carrega marcas profundas de resistência, invenção e coragem. Dentro dessa trajetória, ainda que muitos tentem apagar, pessoas trans têm responsabilidade direta em grande parte das vitórias alcançadas no campo dos direitos civis.
Janaína Dutra é a mulher que sempre abre a minha lista de personalidades trans do Ceará, porque foi uma das pioneiras na luta organizada e fez história ao se tornar a primeira travesti do país membro da OAB. Seu legado permanece até hoje e seu nome intitula o Centro de Referência LGBT, um órgão que tem a missão de nos proteger de situações de violência ou omissão de direitos.
Como nada se faz sozinho, Janaína tinha uma grande parceira de luta, com a qual fundou a Associação de Travestis do Ceará (Atrac): Thina Rodrigues. Lembro de Thina na plateia de meus espetáculos. Generosa, assistia sempre que possível. Foi outra gigante da militância trans, uma grande ativista e articuladora da causa.
Na educação, o Ceará também carrega o pioneirismo trans: Luma de Andrade foi a primeira travesti a alcançar um doutorado e o título de professora universitária do Brasil. Filha de agricultores analfabetos, Luma enfrentou muitas dificuldades até chegar à academia e ser uma exímia doutora em Educação.
Além da Atrac, o Ceará também conta a Atransce - Associação Transmasculina do Ceará - que há dez anos desenvolve diversas ações e iniciativas nas áreas de educação, saúde, esporte, cultura e qualificação profissional. Dominy Martins é o presidente do coletivo e se destaca como um importante comunicador e articulador da causa transmasculina.
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Na arte, todo a minha reverência à minha irmã Verônica Valenttino, uma das maiores e mais absurdas atrizes do país, cantora que impacta onde quer que chegue. Valenttino é a primeira travesti a receber os dois maiores prêmios de teatro do Brasil: Shell e Bibi Ferreira, pelo espetáculo musical Brenda Lee.
Destaco ainda o designer Cauê Henrique, artista visual e fotógrafo, que tem se dedicado a criar imagens de cultura africana e outras temáticas, misturando artes digitais, performances e fotografias.
São tantas pessoas que revolucionaram e que seguem revolucionando o Ceará em diversas frentes, que é até injusto reverenciar somente algumas. Tenho até medo de esquecer outras figuras com histórias muito importantes, mas deixo aqui o meu pedido para que busquem conhecer também Labelle Rainbow, Dediane Souza, Mumutante, Makem, Ella Monstra, Jupyra Carvalho, Jocasta, Má Dame, Yasmin Shirran, Moon Kenzo, Dary, Beija e muitas outras personalidades.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor