'A ditadura ainda é uma ferida aberta', diz Wagner Moura no Globo de Ouro
Vencedor na categoria de Melhor Ator, o baiano destacou a importância de seguir falando filmes sobre o período ditatorial brasileiro.
Durante entrevista coletiva após receber o prêmio de Melhor Ator de Drama no Globo de Ouro, nesse domingo (11), Wagner Moura reforçou a importância de continuar fazendo filmes sobre a Ditadura Militar.
A resposta veio após o baiano ser questionado quanto ao motivo de a indústria cinematográfica estar de olho em produções brasileiras, especialmente as que são voltadas ao período ditatorial do Brasil, vivido entre os anos de 1964 e 1985.
"A ditadura ainda é uma ferida aberta na vida brasileira. Ela aconteceu apenas 50 anos atrás. Nós recentemente tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita/fascista no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura. Então, a ditadura militar ainda é muito presente na vida diária dos brasileiros. Então, precisamos continuar fazendo filmes sobre ela"
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'Cultura e democracia andam juntas'
A pedidos de um repórter, o ator também teceu comentários sobre como o Brasil vem fazendo história em premiações de cunho cinematográfico, e disse que é um "momento muito lindo para filmes brasileiros".
Wagner destacou que "cultura e democracia andam juntas" e reforçou que os sucessos não se resumem a "O Agente Secreto" e "Ainda Estou Aqui", mas a muitas produções nacionais que vêm ganhando destaque e conquistando premiações em festivais pelo mundo.
"Depois de um período sombrio, nós temos um momento de democracia onde podemos respirar, e nós temos um governo que entende que cultura é importante para o desenvolvimento do País. Então, eu acredito que seja mais ou menos isso que esteja acontecendo agora. É democracia, cultura, filmes, eles coexistem. Eles não vivem um sem o outro"
"O Agente Secreto", vencedor na categoria de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro, se passa no ano de 1977, em Pernambuco, e conta a história de um professor universitário que sai de São Paulo e se muda para a capital pernambucana no período ditatorial.
Filmes premiados
Este é o segundo ano consecutivo que produções e atores brasileiros brilham no Globo de Ouro. Em 2025, a atriz Fernanda Torres fez história ao se tornar a primeira brasileira a vencer como Melhor Atriz de Drama na cerimônia.
E "Ainda Estou Aqui", longa-metragem que Fernanda protagonizou, venceu como Melhor Filme em Língua Não-Inglesa.