Fortaleza tem 293 mil trabalhadores autônomos, mas 78% não têm CNPJ

Os dados foram compilados pelo Diário do Nordeste a partir de informações do último Censo.

(Atualizado às 07:41)
Foto de trabalhador informal na orla de Fortaleza.
Legenda: Fortaleza tem mais de 25% da força de trabalho atuando por conta própria.
Foto: Kid Jr.

A informalidade é uma realidade nas metrópoles brasileiras. Em Fortaleza, os números mostram que não é diferente: 26% da força de trabalho atua por conta própria, ou seja, 1/4 dos trabalhadores da Capital. 

Cerca de 293 mil moradores trabalham informalmente ou empreendem em Fortaleza, sendo a maioria deles (78%) trabalhadores sem registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), totalizando 229 mil. 

Já 64 mil trabalham por conta própria com CNPJ. Os dados foram compilados pelo Diário do Nordeste a partir de informações do último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022.

Quais setores possuem mais trabalhadores informais?

A informalidade ocorre principalmente nos setores de comércio e serviços, que predominam na economia de Fortaleza, destaca o economista Ricardo Eleutério, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

“Temos um grande número de trabalhadores nesses setores, desde atividades que exigem menos estudos e qualificação até atividades que acumulam capital humano, como engenharia e advocacia”, aponta. 

Entre as principais ocupações que predominam no mercado de trabalho informal, conforme o Sebrae, estão: 

  • Comércio varejista (pequenos mercados, lojas, ambulantes)
  • Serviços pessoais (salões de beleza, manicure, costura)
  • Construção civil
  • Transporte alternativo
  • Agricultura familiar
  • Pequenos produtores e feirantes

Wilma Ferreira, articuladora da Unidade de Articulação Institucional e Políticas Públicas do Sebrae/CE, lembra que essa é uma realidade histórica de diversas cidades cearenses. 

DESAFIOS DO TRABALHO INFORMAL

Um dos principais desafios do trabalho informal é o acesso dos trabalhadores à rede de proteção social, como a aposentadoria, afirma Ricardo Eleutério. 

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“A informalidade deixa o trabalhador sem o amparo dos direitos sociais trabalhistas, como 13º salário, férias, seguro-desemprego e outros aspectos”, comenta.

Além da falta de cobertura trabalhista, os trabalhadores por conta própria enfrentam instabilidade de renda e dificuldade de acesso a crédito, o que pode inviabilizar investimentos no negócio, pondera Wilma Ferreira.

Por outro lado, esses profissionais se beneficiam de flexibilidade de horários, grandes oportunidades de crescimento no meio digital e fidelidade do mercado local. 

O percentual da força de trabalho que atua por conta própria é ainda maior em cidades do interior do Ceará. Em Palmácia, metade dos profissionais tem a própria empresa ou atuam na informalidade.

Outros municípios em que a proporção de trabalhadores por conta própria supera 40% são Itaiçaba, Jaguaretama, Poranga, Salitre, Chaval e Barroquinha. 

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