Piauienses e cearenses confraternizam-se em torno de Carlos Prado
Assembleia Legislativa homenageou hoje o fundador da Itaueira Agropecuária, entregando-lhe o título de Cidadão do Piauí
Com plenário e galerias lotados, a Assembleia Legislativa do Piauí fez nesta sexta-feira, 27, pela manhã, sessão especial extraordinária para entregar o título de Cidadão Piauiense ao empresário Carlos Prado, fundador da Itaueira Agropecuária, que tem sede em Fortaleza e fazendas de produção naquele estado, na Bahia e no Ceará, que também já lhe prestaram semelhante homenagem, e no Rio Grande do Norte, dando emprego direto e formal a cerca de 4 mil pessoas.
O evento de hoje, em Teresina, aconteceu, digamos assim, no modo fortes emoções.
Acompanhado da esposa, dona Rosarita, e dos seis filhos, Carlos Prado, aos 85 anos, ouviu dos oradores que o antecederam palavras que o levaram ao início dos anos 80 do século passado, quando decidiu aceitar o desafio do governo piauiense, que lhe oferecia boas terras no seu Sudeste semiárido em troca de investimento na fruticultura. Em 1983, ele fundou lá a Itaueira Agropecuária, que depois alargaria para outros estados a sua vontade de produzir.
Quem abriu a sessão foi o próprio presidente do Poder Legislativo do Piauí, deputado Severo Eulálio, de 42 anos e cara de menino, que saudou a comitiva de 20 empresários cearenses que viajaram para testemunhar a homenagem. Ele saudou, ainda, dois ex-governadores do Piauí, presentes à sessão, Freitas Neto e Jose Filho. Depois, Eulálio passou a palavra ao seu colega Hélio Oliveira, autor do projeto de cidadania a Carlos Prado, aprovado por unanimidade. Ele foi curto no seu discurso, que pode ser resumido em três frases:
“Carlos Prado acreditou no futuro do Piauí e, corajosamente, veio para cá. Naquela época, poucos acreditavam que o Piauí tinha futuro. Aqui, Prado implantou uma empresa modelo, que transformou a vida de cerca de 1.500 famílias do Canto do Buriti.”
Depois, Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) subiu à tribuna e usou o excelente serviço de som do Parlamento estadual piauiense, para dizer, inicialmente, o seguinte:
“O semiárido ensina que nada floresce sem raiz. Por isto, esta solenidade tem um significado tão especial. O que o estado do Piauí faz nesta manhã é reconhecer como filho alguém que escolheu fincar raízes nesta terra, e participou ativamente de seu processo de transformação. Carlos Prado não chegou ao Sudeste deste estado atraído por facilidades. Chegou movido por visão. Encontrou limitações estruturais, desafios hídricos, distâncias logísticas e um ambiente que exigia muito mais coragem do que cálculo.”
E disse, ainda, que Carlos Prado, ao longo de mais de quatro décadas “ajudou a consolidar no Piauí um modelo moderno de fruticultura irrigada, baseado em eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e geração consistente de empregos”.
Dizendo-se um admirador permanente do homenageado, pois com ele aprende coisas novas todos os dias, Ricardo Cavalcante testemunhou:
“Carlos Prado é um daqueles líderes que trazem estabilidade ao ambiente. Que ponderam antes de decidir. Que compreendem o tempo da economia e o tempo das pessoas. Sua experiência não se traduz em discursos longos, mas em orientações precisas. Nos momentos mais delicados da Fiec, sua palavra tem sido ponto de equilíbrio. Nos momentos de expansão, sua visão de mundo tem sido garantia de responsabilidade. Ele não age por impulso, age por convicção construída ao longo de uma vida inteira de experiência.”
No final do seu pronunciamento, Ricardo Cavalcante massageou o ego dos piauienses, ao assegurar que o futuro próximo do Piauí é mais do que promissor, pois hoje empresários de várias regiões do país já descobriram as virtudes de sua agricultura e estão agora a investir pesadamente em grandes projetos de produção de soja, milho, sorgo e algodão, e parte dessa produção já começou a abastecer as granjas da avicultura cearense, citando como exemplo a Tijuca Alimentos, que recebeu, há um mês, o primeiro carregamento “transportado daqui para o Ceará pelo trem da Ferrovia Transnordestina”.
Depois do presidente da Fiec, falou seu colega presidente da Federação das Indústrias do Piauí e ex-governador do estado, José Filho, que tem antiga relação de amizade com Carlos Prado, o qual, na sua opinião, “é um diplomata, pois é dono da arte de fazer amigos e conquistar pessoas”.
Por fim, falou o homenageado. Carlos Prado ocupou a tribuna, que estava enfeitada de belas e coloridas flores, e começou repetindo o cantor Roberto Carlos: “São grandes as emoções...”
Depois de agradecer a cada um dos cearenses que se deslocaram de Fortaleza a Teresina, e a todos os que lotavam o plenário e as galerias da casa, Prado, apoiado por um texto impresso em letras miúdas, contou como tudo aconteceu, desde o momento em que, carregando uma mala de esperanças, chegou, por estradas carroçáveis, a Canto do Buriti, onde se defrontou com uma centena de dificuldades e 1 milhão de oportunidades, que ele soube aproveitar.
Contou como fez para, com ajuda da Embrapa Agroindústria Tropical, com campus em Fortaleza, produzir caju anão no semiárido piauiense. Logo viu que aquela não era a sua vocação empresarial, que foi descoberta quando, integrando uma missão da Fiec a Israel, viu o que a correta irrigação por gotejamento é capaz de fazer. Daí ao início da produção de melão e melancia no Piauí, foi um salto.
Hoje, a Itaueira Agropecuária produz melão, melancia, pimentão colorido, uva sem caroço, mel de abelha, sucos de frutas e, imaginem, camarão graúdo, de até 50 gramas, um nicho de mercado que o consumidor de São Paulo já encontra nas gôndolas das grandes redes de supermercados. Brevemente, esse camarão, produzido em sua fazenda do Rio Grande do Norte, será comercializado, também, nos estados do Nordeste.
Carlos Prado explicou a origem do nome Itaueira: “Ele é uma referência ao rio Itaueira, cujo leito seco passa por Canto do Buriti. Esse nome é hoje um sucesso de marketing”, concluiu.
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