M. Dias Branco fatura R$ 10,4 bilhões em 2025. Lucro de R$ 660 milhões

Bom resultado é fruto, principalmente, da reestruturação comercial e da gestão financeira, diz seu vice-presidente Gustavo Theodósio

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 19:16)
Legenda: Foto do parque industrial de M. Dias Branco em Eusébio, à margem da BR-116, na Grande Fortaleza, onde a empresa tem sua sede
Foto: Divulgação
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Foi divulgado hoje o balanço financeiro relativo ao quarto trimestre de 2025 da cearense M. Dias Branco, líder do mercado nacional de massas, biscoitos e granolas. Ele veio com uma boa notícia: sua receita líquida acumulada alcançou de R$ 10,4 bilhões no exercício do ano passado, crescendo 8% na comparação com o ano anterior. 

A companhia alcançou 1,8 milhão de toneladas vendidas no período, 3% a mais do que em 2024, com destaque para o 4T25, período no qual o volume vendido cresceu 10% ante o mesmo período no ano anterior. Já o lucro líquido teve incremento de 2% no acumulado do ano na comparação com 2024, chegando a R$ 660 milhões.  

De acordo com Gustavo Theodozio, vice-presidente de Controladoria, Investimentos e Relações com Investidores, o resultado foi fruto, principalmente, da reestruturação comercial que a empresa vem passando nos últimos meses e à criação de times dedicados a quatro frentes de crescimento: produtos principais (biscoitos, massas e margarinas); food service (farinhas, gorduras e farelos), saudáveis e snacks (Jasmine, Fit Food e Fronteira); e internacional (exportações).  

“Tivemos crescimento de receita em todos os trimestres do ano passado, o que demonstra consistência na execução”, destaca Theodozio. 

Em produtos principais, grupo formado por biscoitos, massas e margarinas, a empresa retomou o crescimento e aumentou a lucratividade, principalmente em São Paulo, maior mercado do país. Na região Sul, o market share de biscoitos foi recuperado. A companhia também manteve o crescimento consistente de Piraquê, com expansão marcante nos estados de Pernambuco e Bahia, e aumentou o market share de biscoitos com maior valor agregado, como Cookies e Personal Cracker. 

Com a nova marca M. Dias Branco Profissional, a empresa lançou novos produtos e apresentações para o mercado de food service, com destaque para as farinhas Boulanger e Medalha de Ouro, que ampliaram o portfólio para aplicações específicas, além do fortalecimento de marcas consolidadas, como Finna Mix. Paralelamente, foram implementadas iniciativas voltadas à alavancagem da categoria de farinha na região Sul, com destaque para a retomada e expansão da marca Do Padeiro, e o desenvolvimento de um plano de captação de novos clientes industriais. 

A frente de produtos saudáveis e snacks manteve foco na captura do crescimento acelerado das categorias, que avançam a taxas de dois dígitos ao ano, por meio de lançamentos e execução operacional estratégica. Em 2025, foi relançada a marca Frontera, que passou a contar com produção nacional e nova identidade visual, com proposta de consumo para qualquer ocasião. Na marca Jasmine, destacam-se a linha de Granola Premium Low Carb, pães sem glúten e cookies, além dos chocolates Fit Food com proposta mais saudável, com maior teor de cacau e redução ou ausência de adição de açúcar, atendendo às demandas de consumidores que buscam equilíbrio entre prazer e bem-estar. 

A internacionalização da companhia teve como foco o desenvolvimento de portfólio regional e o fortalecimento da presença global. Em 2025, foi iniciado no Uruguai, país em que a companhia tem uma planta industrial, a venda de biscoitos produzidos no Brasil com a marca Las Acacias.  Considerando todas as marcas de M. Dias Branco, a empresa hoje é líder no mercado de biscoitos uruguaio e ocupa o segundo lugar no mercado de massas. 

Fábio Cefaly, diretor de Relações com Investidores e Novos Negócios da M. Dias Branco, destaca também a situação financeira confortável da empresa, mesmo em um período de juros altos e resilientes e alta volatilidade cambial. 

“No ano, nossa geração de caixa foi de R$ 1,4 bilhão, sendo R$ 181 milhões no quarto trimestre”, afirma o executivo. Ele adianta que houve liberação de capital de giro da ordem de R$ 240 milhões em 2025, fruto do avanço na gestão operacional, com eficiência na aquisição de matérias-primas, resultando em aumento do prazo médio de fornecedores.  

Ao fim de 2025, a M. Dias Branco dispunha de R$ 1,9 bilhão em caixa e R$ 554 milhões de caixa líquido. No ano passado, a ação MDIA3 valorizou 26%, com R$ 439 milhões pagos em dividendos

ENTREVISTA COM GUSTAVO THEODÓSIO 

Esta coluna conversou na noite desta quinta-feira, 26, com Gustavo Theodósio, vice-presidente de Controladoria, Investimentos e Relações com Investidores de M. Dias Branco. Eis a íntegra da entrevista: 

  1. O cenário atual da economia é favorável ou contra novos investimentos? 

Temos como filosofia focar em nosso dever de casa, pois questões externas não podemos controlar. No nosso lado o foco é em execução comercial, fabril e distribuição. Temos um olhar de fazer bem-feito, vender mais, vender melhor e um time que hoje atua totalmente conectado. De outro lado, apostamos em muita disciplina em despesas. Hoje estamos em um momento de redução de custos, com impacto positivo da estabilização das commodities, o que dá um alívio. Mas não tiramos o olho da gestão de despesas, que seguem controladas, refletindo a disciplina na gestão. Seguimos investindo na empresa e de olho em oportunidades de mercado. 

  1. O mercado nacional de massas e biscoitos está pressionado pelos juros altos, que encarecem o crédito? 

O mercado ainda está pressionado por custos de matérias primas, principalmente trigo e óleo de palma. Para o consumidor, o alto patamar das taxas de juros impacta mais setores que demandam crédito, como bens duráveis. Não é o nosso caso. Já do lado do endividamento estamos muito confortáveis, pois temos baixíssima alavancagem. Encerramos o período com R$ 1,9 bilhão em caixa e R$ 554 milhões de caixa líquido (caixa maior que a dívida). Mas é claro que uma redução da taxa de juros estimularia a economia, o que é benéfico para todos os setores e, também, aquece o segmento de alimentos. 

  1. Há um quadro de dificuldades que dificulta o ambiente de negócios. Como a M. DIAS Branco está enfrentando esse obstáculo? 

Como disse anteriormente, focamos na operação e, em 2025, conseguimos colher os frutos da reestruturação comercial. Um bom exemplo é o fato que, das 50 marcas de alimentação mais consumidas no Brasil, três são da M. Dias Branco: Vitarella, Piraquê e Richester. Questões externas não podemos controlar, mas com uma operação comercial eficiente, disciplina de custos e gestão financeira fica mais fácil vencer os obstáculos. 

  1. Como está o plano de mais internacionalização da empresa? Está ativa a política de novas aquisições? 

As exportações sofreram um pouco em função das tarifas nos Estados Unidos. Mas conseguimos compensar esse impacto em outras áreas. Uma delas foi o Uruguai, onde temos uma unidade industrial adquirida em 2022. No ano passado lançamos biscoitos produzidos no Brasil com a marca Las Acacias. Juntando todas as nossas marcas vendidas no País já somos o fabricante número 1 em biscoitos no Uruguai e o número 2 em massas. Quanto a novas aquisições, estamos sempre olhando o mercado com atenção, em busca de oportunidades. 

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