Só haverá inverno em Quixeramobim, diz série histórica de 130 anos
É o que revela levantamento da Secretaria de Agricultura do município, que tem tudo sobre a sua pluviometria nos últimos 130 anos
Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, tem, há 130 anos, a maior e mais atualizada estatística a respeito da pluviometria do estado, toda ela, porém, dedicada, exclusivamente, à própria geografia do seu município. Quem o diz, escondendo o egoísmo bairrístico, é o agrônomo quixeramobinense José Maria Pimenta, um agropecuarista que presidiu de 2007 a 2014, nos dois mandatos do governador Cid Gomes, a Empresa de Assistência Técnica do Estado (Ematerce).
Esta coluna conversou ontem com ele, que começou revelando algo interessante: a década de maior registro de secas no Ceará foi a de 1900 a 1909, quando se registraram apenas 4 mil milímetros de chuva ao longo do período; a década mais chuvosa foi a primeira dos anos 60, quando a pluviometria registrou 10 mil milímetros.
Pimenta informa que essa longa e minuciosa série histórica sobre chuvas e secas, que o município de Quixeramobim guarda com muito cuidado até hoje, traz à tona, também, uma notícia ainda mais surpreendente. Ele tem a palavra:
“Se você pegar os 60 anos antes da construção dos grandes, médios e pequenos açudes do Ceará, e, também, pegar os 60 anos depois, surgirá a constatação de que as chuvas, nas últimas seis décadas, aumentaram em relação àqueles primeiros 60 anos. Isto nos dá lições importantes, a principal das quais é a de que o caminho mais aconselhável para a provisão de recursos hídricos nas zonas mais castigadas pelas estiagens é a construção de pequenos açudes e barreiros. Um barreiro, construído numa grota, enche com 250 milímetros de chuva. Eu tenho pregado sobre a necessidade de pequenos açudes e barreiros, mas minha pregação é no deserto, e ninguém me ouve.”
Na sua opinião o pequeno açude é importante porque enche o poço (profundo), enche as fendas do poço, e o poço não enche o açude. José Maria Pimenta detalha:
“Eu mesmo perfurei um poço na minha fazenda em Quixeramobim, mas ele deu seco. Aí eu construí, nas proximidades, uma pequena barragem que encheu e preencheu as fendas do poço, e nunca mais o poço secou, simples assim.”
Ele avança nos seus comentários e diz que fracassou o projeto do governo estadual de construção de cisternas, que “foram feitas às centenas aqui em Quixeramobim, e nunca funcionaram e hoje servem para coisa nenhuma”. E acrescenta que, baseado na série histórica da pluviometria do município, ele faz um prognóstico a respeito da quadra chuvosa deste ano na geografia do seu sertanejo torrão natal:
“Na Secretaria de Agricultura de Quixeramobim, há um técnico PHD, ao qual pedi que fizesse, baseado na nossa série histórica, uma previsão sobre chuva neste ano. De acordo com os estudos dele, nosso município deverá ter uma estação de chuvas com 70% de possibilidade de ser acima da média histórica, e só 30% abaixo da média.”
No fim da conversa, José Maria Pimenta contou que, certa vez, há muito tempo, ele visitou a escritora Rachel de Queiroz em sua fazenda “Não Me Deixes”, no vizinho sertão de Quixadá. Ela o recebeu com um aperto de mão e uma advertência: “Uma fazenda só é fazenda se tiver um açude e uma casa com alpendre”.
Em seguida, Rachel perguntou-lhe: “Você leu meu livro ‘O Quinze?’. Pimenta respondeu afirmativamente. “E o que achou dele”, quis saber a anfitriã. Pimenta disse a Rachel:
“Acho que o título foi muito errado, porque no ‘Quinze’ você só teve quatro anos, pois 1913 foi de muita chuva, 1914 foi muito chuvoso e 2016 foi também muito chuvoso. Seu livro deveria ter como título ‘Trinta e dois’, porque esse foi o ano da maior seca do Ceará”.
E a escritora quis saber: “E como você sabe disso?” Resposta de Pimenta:
“Pela série histórica da pluviometria de Quixeramobim, a maior do Brasil.”
NOVO CHEFE DA PGE TEM UMA TAREFA INUSITADA
O novo procurador-geral do Estado, Herbet Gonçalves Santos, tem uma tarefa inusitada a cumprir: orientar sua assessoria de imprensa a não utilizar as pautas de jornalistas para elaborar notícias que são distribuídas, com exclusividade, a veículos concorrentes.
Esta coluna está informada de que, por duas vezes, jornalistas de um veículo de mídia digital encaminharam à assessoria de imprensa da PGE pedido de informações sobre determinados assuntos, que, em pouco tempo, viraram matérias com grandes títulos de sites jornalísticos concorrentes.
A ética jornalística existe e precisa de ser cumprida por assessorias de imprensa de organismos públicos e privados.