TI, saúde e engenharia lideram as maiores médias salariais de contratação no CE em 2025; veja lista
Ranking foi feito pelo Diário do Nordeste a partir da análise de dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Gerentes de projetos de tecnologia da informação foram os profissionais com maior salário de contratação no Ceará em 2025. Foram 128 contratados ao longo do ano passado, com uma média de remuneração de aproximadamente R$ 11,5 mil.
Médicos clínicos e engenheiros civis também lideram o ranking, com médias próximas de R$ 11 mil e R$ 7,4 mil, respectivamente. A análise foi feita pelo Diário do Nordeste, a partir de dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Outros cargos relacionados às áreas de tecnologia e saúde figuraram entre os mais bem remunerados nas contratações do ano passado. É o caso de analistas de desenvolvimento de sistemas (aproximadamente R$ 6,4 mil) e cirurgiões-dentistas (cerca de R$ 5,5 mil).
O salário médio de admissão é um indicador calculado pelo governo e aponta o valor inicial das novas vagas com carteira assinada.
Segundo Delania Santos, especialista em Carreira, mentora executiva e colunista do Diário do Nordeste, esses resultados apontam para uma maior valorização de profissionais qualificados e de áreas ligadas ao conhecimento.
“(Eles) refletem uma demanda crescente por competências técnicas e especializadas, algo que tende a se manter no longo prazo”, avalia.
Katia Portela, coordenadora do curso de Recursos Humanos (RH) da Faculdade Instituto Brasileiro de Educação Continuada (Inbec), também aponta, nos resultados, a maior valorização salarial para profissionais com mais qualificação.
“Profissionais em início ou meio de carreira podem aumentar significativamente sua empregabilidade por meio de certificações técnicas ou graduação, que tendem a se posicionar melhor no ranking de salários médios e maiores”, afirma.
Para esta matéria, o Diário do Nordeste considerou os dados do Novo Caged de 2025 referentes ao estado do Ceará. Foram realizados os seguintes filtros:
- Ocupações com pelo menos 100 profissionais admitidos no ano passado, para evitar possíveis distorções na média salarial;
- Profissionais contratados para jornada de trabalho de pelo menos 20 horas semanais;
- Registros nos quais a empresa indicou salário mensal (e não semanal ou por hora, por exemplo).
Também foram feitos tratamentos para identificar e remover valores extremos que poderiam distorcer os resultados e inflar a média salarial. Foi o caso de um registro isolado da ocupação de auxiliar de cartório — cuja maioria dos trabalhadores recebeu cerca de R$ 1.600 — com salário superior a R$ 2 milhões, indicando possível erro de preenchimento.
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Futuro do trabalho
O destaque para funções ligadas à tecnologia corrobora informações do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro do trabalho.
Sobre esse relatório, Delania Santos destaca que, até 2030, o mercado será fortemente moldado pela inteligência artificial, pela necessidade de requalificação e por uma mudança na valorização de habilidades humanas.
Essa maior valorização para determinadas carreiras, porém, não é novidade. “Historicamente, áreas como saúde, tecnologia e engenharia lideram os maiores salários, enquanto funções operacionais e de menor exigência educacional aparecem entre os menores”, pontua Delania.
Para profissionais em busca de trabalho, Katia Portela destaca a importância de se priorizar setores em crescimento — como áreas de gestão, tecnologia da informação (TI) e saúde — e investir em formação técnica ou superior nas áreas desejadas.
“Em um mercado cada vez mais orientado por competências e capital intelectual, quem investe estrategicamente em qualificação constrói vantagem competitiva na carreira”, afirma.
Já na perspectiva das organizações, a coordenadora cita a necessidade de investir no desenvolvimento e na retenção de talentos para garantir sustentabilidade e o desempenho no médio e longo prazo.
“Sob a ótica dos empregadores e gestores de RH, é essencial elaborar uma estratégia de retenção, especialmente para cargos com qualificação específica, para os quais o mercado pode ofertar salários mais competitivos”, avalia.
Para os próximos anos, Delania avalia que a tendência é de que tecnologia, saúde e áreas técnicas especializadas e funções ligadas à inovação e à gestão continuem oferecendo as melhores remunerações, acompanhando a demanda por qualificação.