Tom Cavalcante lamenta morte de Djacir Oliveira, ator de 'Nas Garras da Patrulha'; veja homenagens

O humorista morreu nessa quarta-feira (8) aos 81 anos, mas deixa um legado profissional emblemático na comunicação cearense

Escrito por Matheus Facundo e Bruna Damasceno,

Zoeira
Djacir Oliveira ao lado do boneco de sua personagem do Nas Garras da Patrulha, a Sinira Beiçuda
Legenda: Artista deu voz a muitos personagens, mas entrou para a história do humor como a personagem Sinira Beiçuda
Foto: Natinho Rodrigues/SVM

Amigos do radialista e ator Djacir Oliveira, ícone do "Nas Garras da Patrulha", da TV Diário, que faleceu aos 81 anos, relembram nesta quinta-feira (9) o legado e as múltiplas facetas do artista, o classificando como uma das referências da comunicação cearense.

O ator morreu na noite dessa quarta-feira (8) após uma insuficiência respiratória aguda, em razão da Covid-19.

O humorista Tom Cavalcante, que trabalhou com Oliveira no "Nas Garras", definiu o momento como de "profundo pesar". "Era um gigante inigualável", disse o artista. 

"Era único interpretando as vozes, tomava conta dos personagens, os projetava e aí ninguém segurava o riso porque ele era um campeão de verdade", desabafou Tom.

Cavalcante pontuou a "face iluminada do ator" e destacou sua influência para comediantes e radioatores. 

Ah, Djacir, quanta falta você vai fazer. Sinto muito, muito que você tenha partido. Que Deus possa nos confortar e nos iluminar. Você foi um anjo. Um beijo grande em todos os familiares e amigos, mas Deus há de confortar e dar um lugar especial a esse cara que eu amava
Tom Cavalcante
Ator e humorista

Legado no "Nas Garras da Patrulha" 

Radioator do "Nas Garras da Patrulha" desde 1989, Djacir Oliveira se eternizou interpretando personagens como Sinira Beiçuda. Cleber Fernandes, humorista integrante do programa, relembra que quando entrou no time, no ano 2000, já era fã de Djacir. 

"Uma referência para mim", indica Fernandes. "Ele tinha um coração grande demais. Quem trabalhava com ele sabe que ele era um amigo prestativo, de sempre lembrar os aniversários, fazer um bolo, presentear. Ele sempre foi assim", continua. 

Ery Soares, também ator do "Nas Garras", trabalhou 12 anos ao lado de Djacir e o classificou como um "mestre" com a "história profissional mais longa e bonita que conhecemos". 

Veja piada com Djacir e Ery Soares:

Soares é outro que aprendeu muito com a bagagem que Djacir trouxe do radioteatro.

Ele sabia seguir à risca as técnicas, era diferenciado. Aprendemos muito com ele. Quando eu era mais novo, eu o ouvia e gravava. São tantas histórias que tenho com ele... Queria que as pessoas o conhecessem
Ery Soares

O redator do "Nas Garras", Cícero Paulo, esteve ao lado de Oliveira por duas décadas, sendo 19 anos na TV. Para ele, o ator foi um "grande profissional, muito responsável". 

"Ele vai deixar uma lacuna muito difícil de se preenchida. Será difícil encontrar um talento como ele. Djacir nasceu para fazer isso. Nós, das Garras na Patrulha, éramos a segunda família dele", desabafa Cícero. 

Múltiplas vozes 

Uma característica de Djacir Oliveira que nunca será esquecida é a capacidade de interpretar múltiplas vozes. E isso veio muito antes de "Nas Garras da Patrulha". 

O dramaturgo e diretor de teatro Ricardo Guilherme destaca o pioneirismo do artista no radioteatro do Ceará. Entre as décadas de 1960 e 1970 ele integrou o elenco da extinta Ceará Rádio Clube.

Foi aí, segundo Guilherme, que a "voz múltipla, grave e de diversas dicções e flexões" de Djacir surgiu.

Ele incorporou muitas vozes, até mesmo femininas. Ele era uma espécie de elenco. Se as atrizes estivessem doentes, ele reproduzia as interpretações delas e os ouvintes nem percebiam
Ricardo Guilherme
Dramaturgo e diretor de teatro

Com humor e carinho, Ricardo relembrou que aprendeu o ofício observando Djacir, que foi sua primeira referência. "Ele é emblemático e um referencial na história do radioteatro", define. 

O diretor de teatro e amigo de Oliveira enumerou algumas das radionovelas do ator. Em algumas, inclusive, ele conta que tiveram o prazer de contracenar: "Sangue na Arena", "O Estranho Mundo de Tereza", "Mais forte que o Ódio", "Rua das Almas Tristes", "O Mundo me Pertence" e "Eterna Canção do Adeus". 

"Ele era uma figura muito aberta não só no trabalho, mas também na vida pessoal. Era um boleiro muito bom. Todo dia trazia bolos que ele vendia para cantina e para nós. Djacir também era muito disciplinado, sempre o primeiro a chegar", recorda. 

Legião de fãs 

A legião de fãs que ganhou por suas icônicas vozes vai ficar, indica o humorista Ery Soares. Ele tinha uma capacidade incrível de mudança de voz, fato que o fez cair nas graças do público. 

"Ele interpretava a Gilda e o Chicão, no quadro do Cornélio, por exemplo, e ninguém percebia que era a mesma pessoa que tinha aquela voz. Ele tinha esse poder. Era algo só dele. Foi um talento que Deus deu para ele, e tenho muita gratidão por ter podido aprender com ele. Não apenas a trabalhar, mas a amar o que faz e ser humilde", comenta. 

O carisma e o carinho com as equipes com as quais Djacir trabalhou também foram marca registrada. "Ele era o cara simples que trazia bolo toda semana, bombons. Tive muita sorte por contracenar com ele. As pessoas não têm ideia do tamanho de", diz Ery. 

"Ele era um gênio e sem dúvidas o maior radioator que o Brasil produziu. Nós, da 'Garras da Patrulha', TV Diário e Sistema Verdes Mares, só temos motivos para agradecer a ele".