Roteirista iraniano indicado ao Oscar é preso semanas antes da premiação; entenda
Detenção ocorreu após Mehdi Mahmoudian condenar o regime iraniano do aiatolá Ali Khamenei.
Mehdi Mahmoudian, um dos roteiristas indicados ao Oscar pelo drama iraniano "Foi Apenas um Acidente", foi preso em Teerã, capital do Irã, nesse sábado (31). A detenção foi confirmada neste domingo (1º) por outros representantes do filme e ocorre a poucas semanas da premiação.
Segundo o portal de notícias g1, ainda não há detalhes sobre as acusações contra ele.
Poucos dias antes de ser preso, Mahmoudian e mais 16 pessoas assinaram uma declaração condenando o regime do aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo do Irã desde 1989.
Exercendo autoridade máxima religiosa, política e militar no país, o aiatolá Ali Khamenei vem sofrendo uma onda de manifestações contra o regime e a crise econômica no país.
Conforme informações de ativistas, a repressão da força de segurança local a esses protestos já causou a morte de mais de seis mil pessoas.
Segundo a declaração assinada por Mahmoudian e mais 16 pessoas, "o assassinato em massa e sistemático de cidadãos que corajosamente foram às ruas para pôr fim a um regime ilegítimo constitui um crime de Estado organizado contra a humanidade”.
Sobre o filme "Foi Apenas um Acidente"
O longa concorre aos prêmios de melhor roteiro e melhor filme internacional no Oscar e traz a história de antigos prisioneiros do regime iraniano cujo objetivo é descobrir se um desconhecido foi responsável por torturá-los no passado. A premiação ocorre dia 15 de março.
A trama é inspirada no período mais recente do diretor do filme, Jafar Panahi, na prisão, onde ele conheceu Mahmoudian. A obra foi vencedora da Palma de Ouro no Festival de Cannes, em maio do ano passado.
Panahi, um dos signatários da declaração contra o regime de aiatolá Ali Khamenei, condenou a prisão do colega de produção, dizendo “Mehdi Mahmoudian não é apenas um ativista de direitos humanos e um prisioneiro de consciência; ele é uma testemunha, um ouvinte e uma rara presença moral — uma presença cuja ausência é sentida imediatamente, tanto dentro dos muros da prisão quanto fora deles”.