Após acusação de estupro, ativista diz que processará vocalista do 'Molejo' por homofobia

Anderson Leonardo usou termos pejorativos durante uma live para se referir ao MC que o acusa de estupro

Anderson Leonardo do grupo molejo e o dançarino Maycon Douglas
Legenda: Maycon Douglas registrou um Boletim de Ocorrência (B.O) alegando ter sofrido violência sexual pelo vocalista do Molejo
Foto: Reprodução/Instagram

O ativista LGBTQIA+ Agripino Magalhães diz que entrará com um processo contra o cantor do grupo 'Molejo', Anderson Leonardo. O motivo, de acordo com ele, é homofobia. Leonardo usou termos pejorativos durante uma live para se referir a Maycon Douglas Porto do Nascimento Adão, de 21 anos, MC que o acusa de estupro.

Na live que começou a viralizar nas redes sociais, o cantor chama o MC de "veado" e diz que o jeito como ele se portava e se vestia teriam ajudado para que acontecesse o ato sexual. O cantor diz ter sido consensual.

O bate-papo aconteceu depois de o pagodeiro prestar depoimento, na tarde de sexta-feira (5), na 33ª DP (Realengo), zona oeste do Rio de Janeiro. Outras testemunhas também foram convocadas para prestar depoimento na delegacia, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Rio. Foram solicitadas imagens das câmeras do motel onde teria acontecido o fato, que serão analisadas pelos agentes.

"Meus advogados estão preparados para entrar com ação e proibir ele de citar o nome da população LGBTQIA+. Também queremos que o vídeo seja retirado do ar. Se ele percebeu que a vítima quer aparecer que ele prove isso na Justiça e não use termos pejorativos referindo-se à população que sofre todos os dias. Não tem o direito de generalizar a população por um erro dele", diz Magalhães.

Na live, Anderson voltou a dizer que transou com o MC, mas que não o estuprou.

A homofobia está enquadrada na lei 7.716/89, que abrange o crime de racismo social. A pena pode chegar a três anos.

"O processo, quando finalizado, vai ser encaminhado para o Ministério Público. Vamos enviar o processo para o Rio de Janeiro para que possa correr na cidade onde ele mora. Vamos formalizar através da Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância)", conclui o ativista.

Entenda o caso

Um jovem de 21 anos acusa o cantor do grupo Molejo Anderson Leonardo, 48, de tê-lo estuprado no dia 11 de dezembro de 2020 após o vocalista prometer levá-lo a uma reunião e entrar em um motel no Rio de Janeiro. O boletim de ocorrência foi revelado, nesta quarta-feira (3), pelo colunista do programa A Tarde É Sua (RedeTV!) Alessandro Lo-Bianco. O cantor nega veementemente o crime.

Segundo relatado à polícia, Anderson Leonardo seria empresário da vítima, que tenta carreira de MC, e teria chamado o jovem para uma conversa em particular. Antes de chegar ao local, o vocalista teria dito que pararia o carro para que eles pudessem comer, mas em vez disso, o ludibriou a entrar em um motel.

Ao chegar ao quarto, o cantor teria tirado as roupas e teria dado dois tapas na cara do jovem, que chorava e dizia ainda ser virgem. Ainda segundo relato à polícia, o rapaz afirmou que o cantor teria tomado seu celular e o teria desligado. Em seguida, Anderson Leonardo o teria violentado sexualmente, sem usar camisinha.

Em resposta por meio de suas redes sociais, o cantor Anderson Leonardo nega veementemente o ocorrido. De acordo com nota, ele foi surpreendido com a notícia e não tem qualquer conhecimento sobre o assunto, já que não foi intimado.

O cantor diz ainda que "lamenta profundamente as declarações envolvendo seu nome, refutando qualquer ato de violência contra quem quer que seja, negando categoricamente à acusação completamente falsa de agressão sexual".

O artista ressalta que em mais de 30 anos de vida pública jamais teve seu nome ligado a qualquer ato criminoso ou que viesse a desabonar ou macular a sua imagem e carreira. A nota afirma que Anderson "conhece a suposta vítima, mas jamais praticou os atos veiculados na imprensa". Diz também que tem conhecimento que a suposta vítima já esteve presente em diversas apresentações artísticas dele, "o que demonstra que a narrativa publicada nunca ocorreu".