‘Lendo, sinto que não estou só’: cearense de 82 anos encanta com rotina literária

Laurinha encontrou na leitura um caminho contra a ansiedade pós-pandemia.

Escrito por
Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
(Atualizado às 20:43)
Foto de Laurinha e seus livros.
Legenda: As resenhas de Laurinha são registradas pelo Neto e compartilhadas nas redes sociais.
Foto: Reprodução / redes sociais.

Aos poucos, as mãos foram trocando o calejado da máquina de costura pela maciez das páginas dos livros. Esse poderia ser o prefácio da história de Maria Laura da Silva, conhecida como Laurinha, de 82 anos. Diretamente de Paracuru, Região Metropolitana de Fortaleza, a cearense tem encantado a internet com suas resenhas e rotina de leitura.

Com fofura de vó e curiosidade de menina, dona Laurinha, pelas lentes do seu neto, o professor Dioh Neto, de 36 anos, mostra como a leitura pode ser um processo terapêutico e, até mesmo, de cura, como é o seu caso.

Apesar de sempre ter tido apreço, a leitura entrou de fato na rotina da cearense em 2023, depois da pandemia. Neto contou ao Diário do Nordeste que Laurinha encontrou nos livros um caminho contra a ansiedade, que afetou sua vida durante o período em que a covid-19 afastou as pessoas.

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“Esse gosto pela leitura realmente reacendeu após a pandemia, ela estava ficando com a ansiedade muito grande e eu comecei a comprar livros para ela ler e ela foi pegando o gosto [...] Lê um livro em dois, três dias. Em outubro de 2025, leu oito livros”, conta Neto.

Questionada se possui um gênero literário favorito, Laurinha foi direta: “o que cair na rede”. “Eu leio tudo. Lendo, eu sinto que não estou só. O livro que pegar, eu leio com todo amor e carinho [...] Eu tinha três livros, só", completou a cearense.

Em uma única rede social, os vídeos da dupla já possuem mais de 100 mil curtidas. Uma das resenhas mais visualizadas da vovó é do livro/filme do momento: A Empregada, de Freida McFadden.

“Eu quero descobrir por que aquela mulher é tão preguiçosa, a patroa”, comenta a leitora sobre a obra. Nos comentários, outros internautas se identificaram com as quinas de dona Laurinha.

ENSINAMENTOS DO PAI

Laurinha e seus livros.
Legenda: A cearense Socorro Acioli é uma das autoras favoritas de Laurinha.
Foto: Reprodução/redes sociais.

“Quando criança, a gente estudava na cartilha de ABC [...] nesta época, o papai ensinava o ABC direto para a gente [...] eu ganhei um lápis de presente, foi a maior alegria da minha vida, esse lápis. Meu pai sempre incentivou, ele contava muita história”, conta Laurinha.

Na época, a matriarca conta que “não sabia o que era leitura”: “eu trabalhei muito nova para sobreviver. O tempo era muito pouco. Fui trabalhar em casa de família, criei minhas filhas, meus filhos, tudo trabalhando como doméstica”.

Dona Laurinha disse que, apesar de ler “mal”, sempre gostou da leitura, e brinca que agora está “craque”.

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Laurinha, neto e bisneto.
Legenda: Laurinha ao lado de Neto e seu bisneto, que também constrói o apreço pela leitura.
Foto: Reprodução/redes sociais.

Laurinha nasceu em Lagoinha, Paraipaba, e foi para a cidade onde mora hoje em 1950. A cerense é mãe de três filhos, avó de quatro netos e bisavó de cinco bisnetos. Começou a trabalhar sendo lavadeira e engomadeira, passando para a costura. “Na mão”, reforça Laurinha.

“Meu pai me comprou uma maquinazinha que eu costurava mais na mão do que a máquina que fazia os pontos. Foi o tempo que eu me casei, tive filhos, o marido me deixou.Fui trabalhar em Fortaleza, comprei uma máquina e criei meus filhos”, contou a idosa.

A leitora disse ainda que “costurava para todo mundo de Paracuru”, mas precisou parar por conta das dores geradas pela ocupação. Parou de “costurar para fora”, mas manteve a atividade para pessoas da família, salientou a matriarca.

CONSELHO DE LAURINHA

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