Sete filmes e profissionais brasileiros que podem ser indicados ao Oscar em 2026
Brasil pode ter destaque em várias categorias na premiação mundial do cinema além do favorito “O Agente Secreto”
Que o longa pernambucano “O Agente Secreto” já é considerado um dos favoritos ao Oscar 2026, é fato. Além da produção dirigida por Kleber Mendonça Filho e protagonizada por Wagner Moura, no entanto, outros filmes e profissionais brasileiros também surgem com boas chances de emplacar indicações na premiação.
O cenário de fortalecimento do cinema feito no Brasil ou por brasileiros no evento ocorre menos de um ano depois da primeira vitória do País no Oscar, ocorrida em fevereiro de 2025 com “Ainda Estou Aqui”, e mais de 80 anos depois da primeira indicação brasileira, que veio em 1945.
Sejam produções que já estão um passo mais perto de serem indicadas por estarem nas pré-listas de algumas categorias divulgadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, sejam profissionais brasileiros que podem ser reconhecidos por produções estrangeiras, confira a lista de possíveis indicações com “DNA brasileiro” no Oscar de 2026.
O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 serão revelados no dia 22 de janeiro, com a cerimônia de entrega dos prêmios estando marcada para 15 de março.
Veja também
“O Agente Secreto”
Representante brasileiro na disputa de Melhor Filme Internacional, “O Agente Secreto” apareceu na pré-lista da categoria e, mesmo antes disso, já vinha sendo considerado presença garantida entre os indicados.
Além disso, no entanto, o longa pernambucano também foi “pré-listado” em outra categoria, a de Melhor Elenco, que reconhece o profissional responsável pela escalação.
Fora das categorias que contam com a divulgação de pré-listas, “O Agente Secreto” conta com chances — mais ou menos remotas — de indicação a categorias como Melhor Filme, Roteiro Original e Direção (as duas últimas para Kleber Mendonça Filho), por exemplo.
Há, no entanto, outra disputa na qual a produção brasileira pode ser reconhecida e que merece menção específica.
Wagner Moura, ator de "O Agente Secreto"
Após a edição na qual a presença de Fernanda Torres na categoria de Melhor Atriz surgiu de maneira “tardia” na corrida, o baiano Wagner Moura chega às vésperas do anúncio das indicações do Oscar 2026 quase como garantia.
Pelo trabalho em “O Agente Secreto”, o brasileiro vem angariando reconhecimentos internacionais desde a estreia mundial do longa, ainda em maio, no Festival de Cannes. No evento francês, o filme venceu as categorias de Melhor Ator e Melhor Direção.
Foi o início das várias indicações e vitórias para Wagner em prêmios da crítica dos EUA e outros eventos de audiovisual, como o Globo de Ouro — para o qual ele é favorito a vencer na categoria de Melhor Ator de Drama — e o Critics Choice Awards.
Publicações especializadas em cinema que fazem “previsões” das indicações apontam o baiano como indicado, como Variety e The Hollywood Reporter — esta chega a apostar na vitória dele na disputa de Melhor Ator.
"Amarela"
Dirigido por André Hayato Saito, o filme “Amarela” figura na pré-lista da categoria de Melhor Curta, podendo ser indicado ao Oscar na edição de 2026. A produção estreou no Festival de Cannes de 2025 e tem circulado por diferentes festivais ao redor do mundo.
O curta brasileiro se passa no dia da final da Copa do Mundo de 1998 e acompanha Erika, uma adolescente nipo-brasileira que rejeita as tradições da família japonesa. Na torcida que o Brasil leve o título mundial no jogo contra a França, ela acaba passando por uma violência que a leva a mergulhar em emoções e sentimentos até então desconhecidos.
Caso a produção seja de fato indicada ao Oscar, ela se juntará a outro curta brasileiro que emplacou na categoria: na edição do ano 2000 da premiação, o filme “Uma História de Futebol”, de Paulo Machline, disputou a vitória.
“Apocalipse nos Trópicos”
A cineasta Petra Costa pode, em 2026, ser novamente indicada ao Oscar, desta vez pelo documentário “Apocalipse nos Trópicos”. A produção original Netflix está na pré-lista da categoria de Melhor Documentário e já vinha sendo aventada como possibilidade mesmo antes.
O filme brasileiro aborda frontalmente o cenário político do Brasil partindo da seguinte pergunta: “Quando uma democracia termina e uma teocracia começa?”. A base de investigação da diretora são o alcance e influência de lideranças evangélicas na política no País.
A primeira indicação de Petra ocorreu em 2020 e se deu por outro retrato sócio-político do Brasil: o documentário “Democracia em Vertigem”, no qual a diretora analisa o período do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o julgamento de Lula (PT) e a eleição de Jair Bolsonaro (PL).
“Yanuni”
Coprodução brasileira, o documentário “Yanuni” também foi pré-listado na disputa da categoria do gênero no Oscar 2026. O filme acompanha a trajetória da Cacica Juma Xipaia, ressaltando a atuação dele contra o garimpo e em prol da preservação da Amazônia.
Entre os produtores da obra, estão a própria Juma e o ator estadunidense Leonardo DiCaprio. A liderança indígena é cacica da aldeia Kaarimã, na Terra Indigena Xipaya, em Altamira (PA).
Juma é casada com o agente do Ibama Hugo Loss, que também é retratado na produção. Ele atua como agente ambiental e, na época das gravações, era coordenador de operações de fiscalização do instituto.
A direção do documentário é do austríaco Richard Ladkani. A obra é uma coprodução entre Alemanha, Brasil, Canadá, Estados Unidos e Austrália. Além do protagonismo de Juma, “Yanuni” também traz participações das artistas indígenas Katu Mirim e Djuena Tikuna.
Affonso Gonçalves, editor de “Hamnet”
Nascido em São Paulo, o editor Affonso Gonçalves pode ser indicado ao Oscar na categoria de Melhor Edição pelo drama “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao, com quem divide o trabalho no longa.
O brasileiro é considerado um dos favoritos à indicação pela The Hollywood Reporter, publicação especializada em audiovisual dos Estados Unidos. Entre os prováveis concorrentes de Affonso e Chloé, estão os editores de longas como “F1”, “Uma Batalha Após a Outra” e “Pecadores”, ainda segundo previsões do veículo.
Affonso é um nome já reconhecido em produções de Hollywood, tendo sido indicado ao Emmy em 2014 pelo trabalho de edição da série “True Detective”.
Outros trabalhos dele como editor incluem filmes como “Indomável Sonhadora” (2012), “Carol” (2015) e os brasileiros “Democracia em Vertigem” (2019) e “Ainda Estou Aqui” (2024).
Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de Trem”
Também paulista, Adolpho Veloso é outro profissional brasileiro que pode receber indicação no prêmio por uma produção estrangeira. Ele assina a direção de fotografia de “Sonhos de Trem”, drama da Netflix.
O trabalho consta na pré-lista de indicados da categoria de Melhor Fotografia e, segundo a The Hollywood Reporter e também a Variety, é um dos principais favoritos a conseguir emplacar indicação.
Entre os possíveis concorrentes apontados pelas duas publicações especializadas, estão nomes como “Pecadores”, “Hamnet” e “Uma Batalha Após a Outra”.
Os créditos de Adolpho incluem produções como a portuguesa "Mosquito" (2020) e a brasileira "Rodantes", além de videoclipes como "Ameianoite", de Pabllo Vittar e Gloria Groove, e "Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer", de BK.