Literatura russa para iniciantes: 5 livros para quem deseja entender melhor esse universo
Obras abordam aspectos culturais de forma cuidadosa e acessível
Da Rússia, são recorrentes alguns estereótipos: o idioma complexo, o consumo de vodca e o implacável inverno russo. "Parece que está falando russo", é o que dizemos diante de uma situação difícil de entender. Mas será que precisa ser assim? Para quem busca entender mais dessa cultura, o Diário do Nordeste organizou uma lista com 5 leituras que facilitam a jornada.
São obras que, sem pretensões acadêmicas, buscam travar um diálogo mais acessível com o público. Em alguns livros, os autores abordam referências da literatura, falando sobre autores; em outros, exploram os costumes russos e a própria linguagem.
Quando Irineu Franco Perpetuo lançou o livro “Como ler os russos”, logo defendeu não ser preciso lançar o questionamento do porquê de ler os russos. A resposta já parece assentada no País, considerando a recepção dos escritores russos no Brasil. Essa é uma das literaturas mais consumidas por aqui.
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As livrarias estão cheias de títulos de Liev Tolstói, Fiódor Dostoiévski, Nikolai Gógol, Svetlana Aleksiévitch, Anton Tchékhov, Vladímir Nabókov e Vladimir Maiakóvski. Enquanto uma multitude de pesquisadores e tradutores voltam o olhar para o tema.
Em um cenário que as tensões políticas e globais afastam o mundo ocidental da Rússia, os livros abaixo buscam reacender o interesse nessa literatura, que transcende o momento presente.
Confira 5 obras para entender literatura russa
Como ler os russos
Uma obra que não se propõe a ser acadêmica ou didática, mas que através de passeios por autores russos já bem conhecidos — e outros ainda para serem descobertos — discute a literatura da Rússia. “Como ler os russos”, livro do jornalista e crítico literário Irineu Franco Perpetuo, parte do princípio de que a pergunta sobre o porquê de ler essa literatura já está bem assentada na nossa cultura.
Porém, ele vai além, compreendendo relações de atravessamentos entre o Brasil e a Rússia. Franco busca responder: qual o motivo que nos leva a seguir lendo, discutindo e admirando os russos?
Ele aborda teatro, prosa e poesia, tratando ainda sobre a literatura pós-soviética e dos emigrados, além dos precursores já tão conhecidos. Púchkin, Dostoiévski, Tolstói e Tchékhov são alguns dos autores abordados.
- Editora: Todavia
- Quantidade de páginas: 304 páginas
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Lições de Literatura Russa
O escritor russo Vladimir Nabokov é conhecido principalmente pela sua polêmica obra “Lolita”, que narra a obsessão de Humbert Humbert por uma jovem de 12 anos. No entanto, além de seu trabalho como escritor, Nabokov foi responsável por ministrar cursos sobre a literatura russa durante as décadas de 1940 e 1950.
Ele abordou diversos autores, como Gógol, Turguêniev, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov e Górki. Em 1981, através do editor Fredson Bowers, as anotações de suas aulas foram organizadas em um livro: "Lições de Literatura Russa".
No Brasil, a editora Fósforo relançou a obra, que inclui não apenas apresentações sobre os escritores, como inclui opiniões do próprio escritor, tal qual: “aquele que prefere Dostoiévski ou Górki a Tchekhov nunca será capaz de apreender a essência da literatura e da vida russas”. Uma leitura completa e aprofundada sobre a cultura dele.
- Editora: Fósforo
- Quantidade de páginas: 400 páginas
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Alfabeto Russo
Com o trabalho realizado em “Alfabeto Russo”, a linguista argentina Marina Berri venceu o prêmio de não ficção Latinoamérica Independiente 2024. O livro de ensaios vai percorrer o alfabeto russo, enquanto reflete sobre: literatura, cinema, desenhos animados, publicidade, arquitetura, etimologia e outros elementos culturais.
Para aproveitar esse volume, não é preciso ter lido Dostoiévski, Tolstói ou Tchekhov. No entanto, ler Marina Berri antes de se aprofundar em clássicos russos certamente vai garantir ao leitor uma visão mais plural e aprofundada sobre personagens e autores já tão densos.
Na obra, a escritora brinca com o espanto da descoberta e as conexões sinestésicas possíveis. Berri ainda aborda os contos de fadas, a ida de Iuri Gagárin ao espaço, o cerco de Leningrado, e o período da União Soviética.
- Editora: Fósforo
- Quantidade de páginas: 192 páginas
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Nova antologia do conto russo (1792 - 1998)
Em “Nova antologia do conto russo (1792 - 1998)”, são abordados quarenta autores e quarenta contos. O volume da editora 34 foi organizado pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Bruno Barretto Gomide.
Ele é composto, em sua maioria, por obras inéditas em português. Devido à diversidade presente no livro, possibilita um panorama mais plural do cenário literário da Rússia.
O panorama abarca autores do final do século XVIII até os contemporâneos. Além de Púchkin, Gógol, Dostoiévski, Tchekhov, Tolstói também aborda nomes menos conhecidos no Brasil, como Odóievski, Grin, Chalámov, Kharms, e Platónov.
- Editora: Editora 34
- Quantidade de páginas: 648 páginas
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Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein
O livro “Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein” chega a ser próximo de um panorama das letras russas, passeando pelos românticos, como Aleksandr Púchkin e Nikolai Gógol, chegando aos contemporâneos, como Ióssif Bródski e Serguei Dovlátov.
Com ensaios e resenhas de Aurora Fornoni Bernardini. Esse livro é fruto de um trabalho de mais de três décadas, que inclui um passeio por obras como Púchkin, Dostoiévski, Tolstói, Turguêniev, Tchékhov.
- Editora: Kalinka
- Quantidade de páginas: 436 páginas
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