Confira cinco livros para conhecer a literatura russa

Famosas pelo refinamento filosófico e psicológico, as narrativas russas evocam questões do país de origem, ao mesmo tempo que abraçam amplas dimensões da alma humana

Escrito por
Diego Barbosa diego.barbosa@svm.com.br
(Atualizado às 17:52)
Svetlana Aleksiévitch é um dos grandes nomes da literatura russa
Legenda: Um dos livros da vencedora do Nobel de Literatura em 2015, Svetlana Aleksiévitch, integra a nossa lista
Foto: Divulgação

Por que, mesmo após séculos, continuamos a falar sobre Tolstói (1828-1910) e Dostoiévski (1821-1881)? Qual o interesse das companhias teatrais, inclusive cearenses, em trazer à superfície histórias criadas por Tchecov (1860-1904)? Que fascínio um acontecimento ocorrido em um país tão distante, dono de uma cultura tão própria, exerce sobre nós?

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Essas inquietações ocupam o expediente não apenas de quem se dispõe a estudar a literatura russa, mas, efetivamente, de todos que a consomem. Com um singular refinamento no que toca às questões filosóficas e psicológicas, as narrativas do país conseguem o admirável trunfo de falar a respeito da própria realidade enquanto nação, ao mesmo tempo que estabelecem um diálogo frontal com a amplitude da alma humana. Resultado: seguem influenciando gerações de leitores no decurso do tempo.

De modo a situar algumas das histórias mais conhecidas e características do modo de narrar russo, o Verso selecionou cinco obras para quem deseja conhecer essa literatura há muito presente nas estantes brasileiras e, mediante novos autores e autoras, cada vez mais atuante por aqui.

Não sem motivo, casas editoriais nacionais têm publicado, com frequência, reedições de clássicos e títulos recentes escritos por lá, em um intermitente diálogo de culturas e escritos.

Confira alguns  títulos:

“Guerra e Paz”, de Liev Tolstói (1828-1910)

Cinco famílias aristocráticas russas ganham os olhos dos leitores neste clássico romance, um dos mais densos, referenciados e conhecidos do mundo. Abarcando um período de 15 anos – entre 1805 e 1820 – a história, publicada em 1867, narra a marcha das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida dos personagens. Nesse ínterim, intrigas, batalhas, bailes e casos de amor se interceptam, trazendo à tona nomes como os irmãos Nikolai e Natacha Rostóv, o príncipe Andrei Bolkónski e Pierre Bezúkhov, rebento ilegítimo de um conde. Um retrato deslumbrante e, sobretudo, humano da Rússia.

“Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881)

Outro título com grande penetração no público, “Crime e Castigo”, a mais célebre obra de Dostoiévski, foi publicado em 1860 e segue fascinando gerações. O livro conta a história de Raskólnikov, um estudante pobre e desesperado que perambula pelas ruas de São Petersburgo até cometer um crime. Ele tentará justificar o fato pela teoria de que grandes homens, a exemplo de Napoleão e César, foram assassinos absolvidos pela História. A partir disso, uma emaranhada narrativa conduz a audiência por becos, recintos reclusos e tavernas.

“O Nariz”, de Nikolai Gógol (1809-1852)

Recentemente reeditado no Brasil pela editora Antofágica – com tradução de Lucas Simone e ilustrações de Nicholas Steinmetz – este conto reúne elementos como comédia, cultura popular, sátira política e crítica à burocracia, alguns dos mais marcantes da escrita de Gógol. A insólita história de um duplo, permeada pelo fantástico, absurdo e pelo grotesco, tem como cenário a fria e burocrática cidade de São Petersburgo. A pergunta que guia a narrativa é: e se num belo dia, ao acordar, você não encontrasse mais o seu nariz? 

“Memórias de um caçador”, de Ivan Turguêniev (1818-1883)

Responsável por abrir as portas do Ocidente para a literatura russa, o livro, publicado em 1852, foi uma peça-chave no movimento pela emancipação dos servos no país. Os 25 contos reunidos na obra se tornaram paradigma para os escritores da posteridade, como Ernest Hemingway (1899-1961). Muito disso se deve à emblemática escrita de Turguêniev, um dos grandes ficcionistas da Rússia, com suas descrições memoráveis acerca das condições de camponeses iletrados e proprietários de dureza implacável. Uma das mais recentes edições no Brasil foi publicada pela Editora 34.

“Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch

Na seara contemporânea de publicação, este livro da vencedora do Prêmio Nobel de Literatura foi inspiração para a aclamada minissérie da HBO, “Chernobyl”. Construída a partir das múltiplas vozes envolvidas no desastre nuclear ocorrido na Ucrânia, em 26 de abril de 1986, a obra reúne lembranças de cenas terríveis, acontecimentos dramáticos e até mesmo singelos episódios. Tudo costurado por meio de uma visão abrangente do fatídico evento, responsável por dizimar a vida de tantos. No Brasil, a Companhia das Letras publica este e outros livros de Svetlana Aleksiévitch.

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